Aeroporto Pinto Martins, Fortaleza/CE
Por Sidney Luzio*
Dia 19 de janeiro. Após 12 dias intensos e de muitas aventuras por lugares incríveis, eis que minha jornada por terras cearenses chegava a seu fim. E essa viagem seria non-stop, saindo 2 da tarde de Jeri para parar apenas já em São Paulo, um pouco antes das 6 da matina do dia 20.
A viagem para Fortaleza ocorreu sem maiores sobressaltos. Mesmo, assim, sete horas são sete horas e o corpo acaba dando sinais de cansaço, de fome e, claro, que iria precisar de um banheiro. Por sorte, essa vontade última acabou por começar quando estávamos na cidade. Por outro lado, me privou de tentar experimentar o banheiro do ônibus, uma vez que naquele momento era impossível qualquer investida, devido ao fluxo de passageiros que atrapalhavam a passagem e que só faziam sair de ponto em ponto.
Um tanto frustrado, pacientemente esperei até o ponto final, já na rodoviária. Chegando lá, contudo, aconteceu o que eu temia: o banheiro era pago. Por uma questão de honra, desdenhei do banheiro. Minhas pernas começavam a trançar e corri para o táxi mais próximo, rumo ao aeroporto.
Por sorte, o Pinto Martins não era longe dali e pude controlar meus impulsos sem maiores preocupações. Fui deixado praticamente em frente ao guichê da TAM e pude fazer meu check-in rapidamente. Sem o trambolho da mala, encontrei logo o banheiro, um pouco mais à direita, meio escondido no final do prédio. Apesar da iluminação meio esquisita, pensei comigo: “vai ser aqui mesmo”.
Não sei se era por estar, literalmente, num canto do aeroporto, mas aquele banheiro tinha um apecto abandonado. Pode ser que o fato de o saguão estar praticamente deserto naquele ponto ajudasse nessa minha sensação. De qualquer forma, era limpinho e eu não estava com tempo nem saco de procurar uma segunda opção. Lá dentro, suas paredes e chão escuros contribuiam com esse aspecto pesado, meio fantasmagórico, até. Como imaginei que somente um espírito muito zombeteiro resolveria me azucrinar num momento daqueles, dei início ao processo.

Enquanto dava conta dos meus afazeres, não pude deixar de reparar que no teto, também escuro, parecia ter uma colônia de ácaros, fungos e afins que viviam ali desde a inauguração do aeroporto. O vaso, papel higiênico e descarga em si apresentavam mais do mesmo. O assento, meio amarelado, parecia que tinha conhecido mais bundas peludas que um proctologista, mas ainda mantinha um certo conforto.
Por uma chalaça do destino, minha série de posts de férias tinha que terminar também num aeroporto. E, por motivos diferentes, acabaram coincidentemente com a mesma cotação.
Cocô-tação: 2,5 privadas (máximo de 5 privadas, para os melhores)
*Sidney Luzio é autor do blog Já Caguei Aqui e um dos Críticos de Merda da MCorporation






















