Vai, Lacraia! Valeu, Lacraia!

A foto acima é de Lacraia, na contracapa da segunda edição da revista “M…”, publicada em 2007. A idéia foi fazer um ensaio com o dançarino Lacraia, para acompanhar a entrevista que o jornalista João Bernardo Caldeira nos propôs.

Lacraia, uma espécie de travesti não-feminino, costumava ser ridicularizado nacionalmente não só pela forma como se vestia ou dançava. Independentemente de sua figura, ele tinha tudo para ser rejeitado por muita gente, apenas por estar para sempre associado ao funk carioca, estilo que as classes mais altas costumam classificar como musicalmente pobre, com letras imbecis e que geralmente exaltam a violência e pregam o sexo.

Nós da “M…” também não somos exatamente fãs de funk, mas achamos que Lacraia poderia render ótimas imagens para nossa revista quando aceitou posar “vestido de macho”, fotografado pelo grande Alex Ferro. Estávamos certos. Mas o que nos surpreendeu mesmo foi a entrevista com o dançarino, que nos recebeu em sua humilde casa em um subúrbio do Rio. Não tínhamos idéia de como Lacraia era uma pessoa tão legal, que ajudava no sustento da família, tinha sonhos decentes e tudo mais que a gente vê nos nossos amigos mais próximos e tantos ídolos que admiramos.

Será que depois da entrevista, do ensaio e da publicação da revista continuamos rindo quando víamos Lacraia dançando?  Sim, achamos graça, achamos diferente, achamos bizarro até. Mas também continuamos respeitando a pessoa que sofreu muito preconceito por ser homossexual, negro e pobre, e que ralava para ajudar a família e parecia incapaz de prejudicar alguém. E hoje, quando soubemos de sua morte, não tivemos como deixar de lamentar e fazer esta pequena homenagem ao dançarino que topou participar das merdas que aprontamos por aí.

Veja abaixo as páginas da entrevista/ensaio que publicamos na “M…”. Não deve dar para ler o texto, mas dá uma idéia do que foi a matéria:

Como disse no Twitter nossa leitora @depressilva:  #RIPocotóLacraia. Descanse em paz.

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  1. @sociedadejm disse:

    Ganhei essa revista no dia da inauguração do livro ‘Na Kombi’ em São Paulo.
    Edição sensacional sobre sexo e violência.