

Espaço Unibanco de Cinema, São Paulo/SP
Por Sidney Luzio*
Era para ser apenas mais um domingo qualquer de fevereiro. Eu e minha
namorada, após um delicioso almoço, estávamos de bobeira na paulicéia
quando tivemos a idéia de pegar um cineminha à tarde. Assim, descemos
a Av. Augusta e adentramos no Espaço Unibanco de Cinema, lugar
simpático e sempre com boas opções de filmes.
Na programação, um filme com várias indicações ao Oscar: “Foi apenas
um sonho”, com Leonardo DiCaprio e Kate Wislet. Parecia a opção mais
interessante e também começaria em meia hora, o que uniu o útil ao
agradável. Sem muita escolha, aproveitamos para dar uma visitada na
livraria lá dentro mesmo.
Acabou que essa espera, que em princípio poderia ser uma maçada –
maçada? Devo estar lendo muito Nelson Rodrigues – para mim, foi de
grande valia. Isso pelo fato que o almoço, apesar de ótimo, tinha
rebatido meio errado no estômago e já estava louco para sair. Com esse
incidente em vista, totalmente fora da programação, deixei namorada e
livros pra lá e fui ao banheiro masculino, no hall principal.
Chegando mais próximo, algo me deixou intrigado de cara: fila no
banheiro masculino? Como todos sabemos, esse tipo de coisa só acontece
nos femininos e já percebia nos meus companheiros de espera o mesmo
pensamento. Foi aí que percebi que o banheiro era, literalmente, uma
portinha, resumindo-se a somente um vaso e uma pia. Estava mais uma
vez naquelas situações em que não havia escolha. Dessa forma, coloquei
o constrangimento de lado e entrei para fazer o que tinha que fazer.

Lá dentro, percebi que não era tão pequeno como parecia de fora. E era,
até de certa forma, confortável. Suas paredes, forrada por azulejos
brancos, com alguns detalhes em azul, eram comuns a tantas outras,
assim como o papel higiênico daqueles de rolo, protegido em um
compartimento adequado.
Novidade mesmo era que, a seu lado, também havia outro, com papel
especial para o assento. Ainda raro na grande maioria dos banheiros, é
uma opção que não apenas contribui e muito para a higiene, mas também
evita aquela situação ridícula de ficar destacando pedacinhos de papel
higiênico para colocar no assento antes de começar qualquer coisa.
Não havia janelas, apenas um sistema de ventilação que certamente não ia dar conta do que eu estava fazendo ali. Por isso mesmo, demorei
um pouco mais que esperava e saí sob os olhos de reprovação da fila,
imensa para os padrões masculinos. Pena mesmo tive foi do infeliz que
era o próximo da fila, que teria que enfrentar a bomba biológica que
ainda pairava no ar lá dentro.
Consciente da gafe, entrei rapidamente no escurinho do cinema, em
busca de um final feliz, antes do início da sessão.
Cocô-tação: 3 privadas (máximo de 5, para as melhores)
PS: o filme em si não era tudo isso.
* Sidney Luzio, autor do blog Já Caguei Aqui, é nosso Crítico de Merda para banheiros.



















