O manifesto de Pedro Cardoso contra a nudez no cinema não teve grande adesão na classe artística, muito menos entre o público e a Imprensa (já tem jornal botando o protesto do sujeito como candidato em eleição de “mico do ano”). Ao que parece, a indústria cinematográfica brasileira vai continuar dando de ombros, bundas e peitos para essa polêmica. Mas a nudez na Retomada continua algo muito acanhado, se comparada ao histórico de nosso cinema, como analisa o jornalista Alexandre Paim, da M… Online.
“Para quem acompanhou o cinema de antes, sempre passa pela mente o que um diretor como Neville d’Almeida, Walter Hugo Khouri ou Carlo Mossy fariam com uma Luana Piovani, uma Juliana Paes ou uma Fernanda Machado nas mãos”, diz Paim, que dá ainda algumas dicas de onde achar cenas de nudez “decentes” nos filmes nacionais mais recentes.
Nudez de Retomada
A produção de filmes nacionais dos anos 70 e 80 foi categorizada, equivocadamente, no inconsciente coletivo como pornochanchada. Um erro de semântica, pois o que caracteriza os filmes da pornochanchada é a “chanchada” e não o “pornô”. Portanto, as pornochanchadas eram as comédias eróticas. E a produção da época incluía filmes de todos os gêneros: dramas, policiais, aventuras juvenis, filmes autorais e, claro, os pura e simplesmente eróticos. Não tem jeito, sempre rolava nudez, sexo ou pelo menos um peitinho. Tirando Os Trapalhões, todo mundo tirou a roupa no cinema daquela época.
Com o fim da puberdade do Cinema Nacional, ele teve que parar com sacanagem nos anos 90 e virar homenzinho trabalhando com publicidade, voltando mais amadurecido, preocupado com as questões sociais dos morros cariocas, periferia de São Paulo e seca no Nordeste. No entanto, para quem viu ou acompanhou o cinema de antes, sempre passa pela mente poluída o que um diretor como Neville d’Almeida, Walter Hugo Khouri ou Carlo Mossy fariam com uma Luana Piovani, uma Juliana Paes ou uma Fernanda Machado nas mãos. Será que teríamos o prazer de ver uma cena lésbica com a Deborah Secco e a Camila Pitanga ? Ou a Priscila Fantin fazendo um ménage masculino com Paulinho Vilhena e Dado Dolabella ? Aos poucos o cinema brasileiro vai perdendo a inibição e volta a apresentar cenas mais calientes.
Dentre as produções recentes está o filme Entre lençóis, com Reynaldo Gianecchini e Paola Oliveira. O filme conta a história de um casal que se conhece numa boate e tem uma atração fulminante; o restante da fitaé todo passado dentro de um quarto de motel. Uma sinopse destas, nos áureos tempos, renderia cenas para onanista nenhum botar defeito. Mas o resultado atual é frustrante. O filme tem algumas das cenas de sexo mais sem sal da história do cinema mundial. É só comparar com as cenas do filme Eu te amo, de Arnaldo Jabor, protagonizado por Paulo César Pereio e Sônia Braga, que tem um plot parecido, só que em vez de motel, tudo se passava num apartamento.
As cenas de sexo de Paola e Giane era bem burocráticas, sempre um papai e mamãe discreto, bem mais próximo de um casal de presbiterianos do que um casal imerso em tensão sexual. Outro detalhe interessante é como o diretor “poupa” o público da nudez dos atores, evitando filmá-los nus com naturalidade, como se fosse um filme de terror psicológico em que a câmera desvia o olhar quando ocorre alguma cena violenta de mutilação ou esquartejamento. Poucas vezes vemos o bumbum da Paola Oliveira, não há nenhuma cena de nudez frontal nem panorâmica do casal ou variação de posição. Nada. A atuação do casal não convence, ainda mais que o filme é todo feito de diálogos, e nas cenas de sexo, o ex-de Marília continua também não convencendo ninguém.
A dica para quem quer ver uma retomada do erotismo no cinema nacional em alto estilo é Nome próprio, estrelado pela deliciosa girl next door Leandra Leal, que fica nua praticamente o filme inteiro. E o bom é que, por se tratar de um filme autoral e artístico, é possível que todo mundo vá conferir sem que suas reais intenções possam ser decifradas, coisa que era mais difícil antigamente com títulos como O bem dotado homem de Itu, Oh, rebuceteio ou Histórias que nossas babás não contavam. Diferente de Entre lençóis, a nudez neste filme é natural, e o filme não faz concessões nem para o público mais conservador e nem para os tarados de plantão. Apenas conta sua estória.
Para quem é fã de um sex appeal mais simbólico, a dica é o filme Romance, que tem uma cena de nudez suave de Wagner Moura e Letícia Sabatella. A cena vazou e foi disponibilizada em sites pró-punheta, e conforme bem disse a musa Sabatella, fora do contexto perde todo o sentido. Recomendável para se ver a dois, um estágio superior da fase onanista.
Em matéria de pornochanchada, a dica mais próxima atualmente do subgênero é o novo filme de Hugo Carvana, A casa da mãe Joana. O filme está muito longe de ser uma pornochanchada das antigas, mas é uma comédia bem despretensiosa com todos os elementos do bom e velho humor heterossexual: piadas sexuais, bichinha escandalosa, apologia à malandragem e vadiagem bem no estilo Trapalhões e mulheres gostosas. Nudez praticamente nenhuma, inclusive contando com absurdas cenas de sexo com pessoas vestidas. E Juliana Paes toma banho de banheira sem mostrar nada, mas a atriz Fernanda Freitas compensa isso numa cena em que deixa o vestido cair e revela sua nudez para um já decadente Paulo Betti. A cena, apesar de breve, é marcante, ainda mais pelo fato irônico de Pedro Cardoso, que fez uma recente manifestação contra a nudez, estar no elenco.
(Alexandre Paim)
Muito bem observado! Ainda bem que o Canal Brasil trata de fazer a alegria da gente exibindo aquela sessão noturna de pornochanchadas! Destaque para a série de contos eróticos “Barulhos da cidade”, do Mossy. O melhor episódio é o que a Chapeuzinho tem que levar um engradado de cerveja para a vovozinha!
Abs!