Tempos de BBB

Começo de ano na TV é sempre fraco. As emissoras abertas e canais de TV paga guardam o melhor para março, não querendo desperdiçar produtos novos em uma época com menos telespectadores (devido às férias escolares). Mas a Globo pega mais pesado. Não só segura o que tem de bom como também costuma lançar mais uma edição do Big Brother Brasil. É sobre esse tema que a jornalista Patricia Paladino fala em sua colaboração para a M… Online.

“Janeiro é o mês de estréia da maior M da TV brasileira. A maior indústria de celebridades merdéis da recente história deste nosso país”, diz Patricia, fazendo ainda uma revelação sobre alguém que costuma acompanhar o programa com afinco. Veja aí:

Rio. De janeiro.

Então é janeiro. De 2009. PQP 3 vezes. O tempo passando cada vez mais rápido. Estamos em janeiro e de repente… estamos em janeiro de novo. O pior é que parece obrigatório estar cheio de gás com “o ano que começa”. Enfim. Dizem por aí que janeiro é o início de tudo. Então tá.

E tá mesmo. Porque janeiro, queridos e queridas, não é apenas o início de mais um ano. Janeiro é o mês de estréia do Big Brother Brasil. A maior M da TV brasileira. A maior indústria de celebridades merdéis da recente história deste nosso país. Gente que faz merda por três meses na emissora de maior ibope, depois faz umas merdinhas até o contrato de exclusividade acabar e passa mais um ano freqüentando programas de merda de emissoras com traço de audiência.

Janeiro é o mês do BBB! Bunda branca brasileira ao vivo e cheia de goró nas noites de festa na “casa” (que é como os entendidos se referem ao cenário do confinamento)! Belas, burras e bofes dando em cima uns dos outros em sua nona (?!?!?!?!) edição! É em janeiro que a gente vai conhecendo o elenco, escolhendo pra quem vai torcer, decidindo quem vai passar a odiar com todas as forças, querendo que o participante um tiquinho mais antenado não saia na semana seguinte. O roteiro é sempre o mesmo.

Estes três primeiros parágrafos passam a idéia de que quem vos escreve é uma pessoa muito elitizada, que só vê canal alemão na NET. Nananinanã. Eu, amigos, assino o Pay-Per-View do Big Brother! Pronto! Falei! Assumi, como o psiquiatra doidão do BBB8. Encarei, como fez o Alemão-vencedor-do-BBB-7-que-não-fez-mais-nada-que-valha-a-pena. Dei minha cara a tapa em rede nacional, como fizeram todos os trocentos que já participaram das nove edições.

Eu falei tudo isso do Big Brother porque eu gosto de ver Big Brother. Contra tudo e contra todos. Contra meus colegas de profissão jornalistas, que falam mal do programa nas páginas. Contra meus amigos artistas, que acham um absurdo a Pink ter feito peça de teatro (embora não se possa chamar o que a Pink fez de peça de teatro). Contra meus amigos psicanalistas que acham que eu preciso ver onde essa estranha atração teve início. Contra meu irmão, que mostra-se bastante frustrado em ter uma parente assistindo ao paredão na terça à noite. 

Janeiro é o mês do BBB! É quando a gente começa a descobrir que tem amigos em comum com o(s) participante(s) do Rio (até chegar ao cúmulo de descobrir, na estréia da última edição, que uma delas trabalha conosco!!!). Janeiro tem votação no domingo, paredão na terça, prova do líder na quinta. É quando meus amigos mortos-de-vergonha-de-mim sabem que não devem nem pensar em me ligar à noite. Sair, só depois do programa. E mesmo assim, se o pau não quebrar “na casa”. Aí eu não desgrudo mesmo.

Mas tente sair à rua de janeiro a março. Entre o cabeleireiro que vai cortar a sua franja e o amigo de óculos que só se veste de preto vai ter sempre alguém comentando o BBB. Experimente chegar pro seu chefe e comentar, assim como quem não quer nada: “pô, quem será que sai na terça?”. E ele vai dar opinião. Tente soltar nomes como “Alberto Cowboy”, “Rafinha”, “Fany de Nova Iguaçu”, assim, como quem também não quer nada. Todo mundo vai saber quem são. 

Faça o teste com sua empregada e com o diretor de arte de sua agência. Com o jardineiro e com o articulista daquele grande jornal carioca. Com o mocinho do posto de gasolina e com o seu advogado. Quem estiver vivo entre janeiro e março não fica imune ao BBB. Nem que queira. Nem que só veja canal alemão na TV a cabo. Porque, entre o guten tag e o wiedersehen, vem aquela musiquinha “se você soubesse quem você é”, lá longe, do vizinho. E no dia seguinte, com certeza, o porteiro e o violinista da OSB vão perguntar se você achou justo a eliminação do fulano.

É isso. Pensando bem, eu sou uma merda mesmo por gostar de Big Brother. Mas mais merda ainda seria se fizesse carão só pra concordar com a tchurma. Gosto de coisa ruim. Mas também gosto de (muita) coisa boa. Gosto de porcaria. Mas sou limpinha.

(Patricia Paladino)

4 Responses So Far... Leave a Reply:

  1. Pan disse:

    Eu devo ser mesmo mais alienada do que pensei, não reconheci nenhum nome que ela deu.
    Dizem que eu faço aulas com uma ex BBB na faculdade, mas eu não faço a menor ideia de quem possa ser.

    De qualquer modo, eu concordo. Tem quem não veja ou critique para concordar com quem não gosta e critica. Eu já vi um pouco dessa M, a primeira edição. E foi o suficiente para saber a grande M que era, e que no Brasil, como boa M de país, daria certo por muito e muito tempo.

  2. [...] que faz merda por três meses na emissora de maior ibope, depois faz umas … fique por dentro clique aqui. Fonte: [...]

  3. [...] Em tempos de BBB [...]

  4. [...] não dizerem que não falamos nada do BBB9, publicamos um artigo-desabafo da jornalista Patricia Paladino antes de começar o programa e, agora, mostramos um texto enviado pelo leitor Luis Carlos Wolfgang, [...]