Tela suja 2

A segunda crítica de filme merda de hoje, também de Eduardo Frota, é Bela noite para voar, sobre o presidente JK (todo mundo usa essa sigla com preguiça de procurar a grafia certa do sobrenome, né?).

Com vocês, a resenha do longa, que pelo menos tem Mariana Ximenes como colírio:

Não decola

O homem que planejou Brasília e solidificou a indústria brasileira ganhou mais uma obra biográfica, desta vez nos cinemas. Zelito Viana escreve e dirige um longa nos moldes do seriado de JB, Jack Bauer, no qual acompanha 24 horas na vida de JK, Juscelino Kubitschek, em plena iminência de um golpe militar para derrubá-lo. Grande parte da história se concentra durante uma escala de vôos do presidente para cumprir agenda.

Bela noite para voar é livremente inspirado em livro homônimo, com um aviso, logo no início da projeção, de que certos fatos e personagens foram romanceados durante a adaptação cinematográfica. E o problema pode estar, justamente, aí: o que se vê na tela é um JK exageradamente romanesco, exatamente como na série televisiva que há pouco tempo abrangeu período maior de sua carreira política.

Como na TV, o elenco escolhido é global. Até demais! Tem de tudo: dos rostos mais famosos, aos menos conhecidos; de José de Abreu, que faz bom trabalho interpretando o presidente protagonista, a Duda Monteiro, o repórter cômico Ícaro de Paula do dominical Esporte espetacular. O resultado é heterogêneo demais, com interpretações que não rendem o que podem em papéis pouco explorados pelo roteiro. Porém, há quem roube a cena. Cássio Scapin dá vida a um caricato e divertido Jânio Quadros, com direito às famosas mesóclises.

Ainda como na TV, a montagem é linear, correta demais e pouco inspirada. Isso faz com que o clima de tensão que poderia ser extraído do tema - a vida de um estadista ameaçada por um movimento conspiratório – nunca chegue ao ápice. A ação acaba comprometida, tornando algumas seqüências monótonas. Tanto que o momento mais tenso da cerca de hora e meia de longa é uma aterrissagem de emergência feita em menos de trinta segundos. E nem tão tenso assim: ora, se JK morreu em um acidente automobilístico, é óbvio que dali ele sai ileso.

O que mais incomoda, entretanto, tanto quanto o desfecho assumidamente panfletário e póstumo, é a verruga no lábio superior de José de Abreu. É como se fosse uma protagonista inadvertida, às vezes enquadrada em closes maldosos. Participa, inclusive, de uma cena de amor na qual JK tem um encontro afetivo com a personagem de Mariana Ximenes, que o beija sem frescuras.

Coco-tação: 2 bostinhas (máximo de 5 bostinhas, para os piores)

(Eduardo Frota)

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  1. Silvia disse:

    Seus comentários auxiliam em minha decisão de assistir ou não a certos filmes… Valeu!