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	<title>M... &#187; pelé</title>
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		<title>RelacionaM&#8230;</title>
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		<pubDate>Wed, 26 Nov 2008 20:49:28 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Nós da M...</dc:creator>
				<category><![CDATA[Cocô-laborações]]></category>
		<category><![CDATA[andré tartarini]]></category>
		<category><![CDATA[contos]]></category>
		<category><![CDATA[mormaço]]></category>
		<category><![CDATA[pelé]]></category>

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Recebemos uma colaboração do escritor André Tartarini, um dos talentos da nova safra de escribas, que acaba de lançar o livro de contos Mormaço também queima, pela editora PTK. Também conhecido como Pelé, Tartarini foi escolhido por dois anos seguidos para participar da oficina de novos autores da Festa Literária Internacional de Parati (Flip). Para a M&#8230; [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://www.mcorporation.com.br/wp-content/uploads/2008/07/banner_cocolaboracoes.png"><img class="aligncenter size-full wp-image-66" title="banner_cocolaboracoes" src="http://www.mcorporation.com.br/wp-content/uploads/2008/07/banner_cocolaboracoes.png" alt="" /></a></p>
<p>Recebemos uma colaboração do escritor André Tartarini, um dos talentos da nova safra de escribas, que acaba de lançar o livro de contos <em>Mormaço também queima</em>, pela editora <a href="http://www.ptklivros.blogspot.com/" target="_blank">PTK</a>. Também conhecido como Pelé, Tartarini foi escolhido por dois anos seguidos para participar da oficina de novos autores da Festa Literária Internacional de Parati (Flip). Para a M&#8230; Online, Pelé manda um conto inédito e bem-humorado, que mostra bem as merdas cotidianas de um relacionamento a dois:</p>
<p><span id="more-342"></span></p>
<p><strong><span style="color: #0000ff;">Enquanto o mundo explode</span></strong></p>
<p><span style="color: #0000ff;">Quando ela chegou, eu levava a última colherada à boca. Ela meteu a mão lá dentro do lixo para procurar a tampinha do iogurte. Então veio com a conversa de sempre: “não posso ter um filho com alguém que não tem responsabilidade nem de checar a validade do iogurte”, agindo como se existissem microcápsulas de antrax programadas para explodir no pote no dia do vencimento. Se fosse uma semana, tudo bem. Argumentei que não tinha nada demais, a mesma coisa pela enésima vez, mas falei com paciência, &#8220;venceu ontem, Marisa, não transforma isso numa coisa maior&#8221;. Mas ela queria ir em frente. Comer aquilo talvez fosse suficiente para me tirar a guarda das crianças que nós não tínhamos.</span></p>
<p><span style="color: #0000ff;">– O iogurte é um detalhe. O problema é a irresponsabilidade. A mesma irresponsabilidade que faz você deixar o computador ligado a madrugada inteira para baixar a discografia de não sei quem.</span></p>
<p><span style="color: #0000ff;">– Pixies, Marisa. Pixies não é “não sei quem”.</span></p>
<p><span style="color: #0000ff;">– Grandes merdas.</span></p>
<p><span style="color: #0000ff;">E então passamos para outra fase da discussão. O pote de iogurte nos levara à discografia do Pixies, que em pouco tempo nos levaria, com toda certeza, ao dia em que esqueci o passaporte e a gente perdeu o vôo – três anos atrás. Duas opções: tentar não dar importância àquilo (o que poderia irritá-la, por achar que não ligo para “questões cruciais no nosso relacionamento”), ou dialogar normalmente (o que é sempre um desafio à minha calma, pois acabo saindo do sério). Tentei dialogar. Eu sabia que a atitude dela era efeito de algum stress no trabalho ou da situação hormonal. Mas ainda não era a hora de perguntar se ela já tinha menstruado. Tentei explicar que, assim como ela gostava de Asa de Águia (e eu sempre respeitei), eu gostava de Pixies, e que o gasto no show de axé-music no mês anterior era muito maior que o gasto de deixar o computador ligado durante a madrugada.</span></p>
<p><span style="color: #0000ff;">– Você quer um troféu só porque me levou àquela porcaria de show?</span></p>
<p><span style="color: #0000ff;">– Não falei que é uma porcaria.</span></p>
<p><span style="color: #0000ff;">– Deixou subentendido.</span></p>
<p><span style="color: #0000ff;">– Não é isso. Só quero dizer que assim como eu entendi que era legal para você ir comigo naquele show, você deveria entender que Pixies é legal para mim.</span></p>
<p><span style="color: #0000ff;">– Pensa, Raul. Pensa. Seria mais fácil se eu simplesmente não ligasse para as coisas que você faz. Quer iogurte vencido? Ótimo. Não tenho como controlar o que você come. Faz o seguinte: pode comer iogurte vencido, pode comer merda, pode comer o que você quiser. Faz o que você quiser. Só não estraga as minhas férias de novo, ok? O passaporte&#8230;</span></p>
<p><span style="color: #0000ff;">– Ah, o passaporte outra vez. Sempre a porra do passaporte&#8230;</span></p>
<p><span style="color: #0000ff;">– Você estragou as nossas férias, Raul.</span></p>
<p><span style="color: #0000ff;">– Ah, Marisa. Calma. Não existe tanto problema assim em se comer um iogurte que venceu vinte horas atrás.</span></p>
<p><span style="color: #0000ff;">– Tá, Raul, faz o que você quiser. Come merda também.</span></p>
<p><span style="color: #0000ff;">– Você vai me irritar se continuar com essa postura.</span></p>
<p><span style="color: #0000ff;">– Que postura? – Ia saindo, com uma revista na mão.</span></p>
<p><span style="color: #0000ff;">– Volta aqui, Marisa.</span></p>
<p><span style="color: #0000ff;">– Fala.</span></p>
<p><span style="color: #0000ff;">– Ah, agora, a velha cara de má vontade.</span></p>
<p><span style="color: #0000ff;">– Que cara de má vontade?</span></p>
<p><span style="color: #0000ff;">– A sua. Não seja hipócrita. Além de chata, hipócrita. Escuta aqui: você entra, fala o que acha e o que não acha, me enche de lição de moral, vomita uma porrada de regra na minha cabeça e na hora em que eu vou me defender, você sai? A validade do iogurte é uma besteira. Não vou me estressar com isso. De jeito nenhum. Tem coisas mais importantes.</span></p>
<p><span style="color: #0000ff;">– O que, por exemplo?</span></p>
<p><span style="color: #0000ff;">– Sei lá. Guerras, por exemplo. Poluição. Fome. Cheio de gente por aí passando fome.</span></p>
<p><span style="color: #0000ff;">– E você vai resolver a fome no mundo tomando iogurte vencido. É isso?</span></p>
<p><span style="color: #0000ff;">– Porra, Marisa. Claro que não!</span></p>
<p><span style="color: #0000ff;">– Não fala comigo desse jeito.</span></p>
<p><span style="color: #0000ff;">– Falo. O mundo explodindo lá fora e você me enchendo por causa de uma tampa de iogurte!</span></p>
<p><span style="color: #0000ff;">– Deixa de ser burro! Não é por causa da tampa!</span></p>
<p><span style="color: #0000ff;">– Burrice é achar que a fome no mundo vai acabar se eu tomar iogurte vencido. – Ri com sarcasmo, admito. Mas ela merecia. </span></p>
<p><span style="color: #0000ff;">– Esquece. – Ela jogou a revista no chão e seguiu para a porta.</span></p>
<p><span style="color: #0000ff;">– Não esqueço, não. Você me enche o saco, me deixa puto da vida e agora sai?</span></p>
<p><span style="color: #0000ff;">– Não dá para conversar com você! Você é um retardado, um grosso! Um escroto!</span></p>
<p><span style="color: #0000ff;">– Sei. Você já menstruou esse mês, Marisa?</span></p>
<p><span style="color: #0000ff;">– Vai à merda!</span></p>
<p><span style="color: #0000ff;">– Onde você vai?</span></p>
<p><span style="color: #0000ff;">– Comprar um cigarro.</span></p>
<p><span style="color: #0000ff;">– Marisa, você não fuma.</span></p>
<p><span style="color: #0000ff;">– Foda-se.</span></p>
<p><span style="color: #0000ff;">– Volta aqui. Eu ainda não terminei.</span></p>
<p><span style="color: #0000ff;">– Foda-se.</span></p>
<p><span style="color: #0000ff;">– Você está na TPM e sabe disso.</span></p>
<p><span style="color: #0000ff;">– Foda-se. Foda-se. Foda-se.</span></p>
<p><span style="color: #0000ff;">– Marisa!</span></p>
<p><span style="color: #0000ff;">– Foda-se, Raul! Foda-se!</span></p>
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