Publicamos hoje um texto de Leo Cardoso, criador do popular perfil do Twitter @OCriador, que dá plantão no site SAC Divino. Nosso cocô-laborador, que escreveu o primeiro livro interativo da blogosfera brasileira no site Sedentário & Hiperativo, explica o que é “Gaitada”, um novo tipo de riso que faz sucesso no STF:
A Gaitada do Gilmar
Hoje coloquei no Google “ciência que estuda a risada”. Já que não houve resultados e como hoje o Google serve de autos da vida – se não está nele, não existe –, eu me auto-intitulei o fundador desta ciência.
Após uma breve análise, utilizando o método indutivo-analítico, classifiquei a família “Risada” em três gêneros:
Gargalhada – A risada em seu sentido mais amplo, a qual demonstra situação extrema de humor;
Sorriso – A risada em seu sentido brando, uma demonstração de simpatia que também pode ser utilizada como ironia;
Gaitada – A risada em seu sentido de deboche, um desprezo irônico.
A “Gaitada”, tema central desta pesquisa morfológica, apresenta, por sua vez, uma espécie sobre a qual nos debruçaremos especialmente e nominaremos como “Gaitada do Gilmar”. Vocês devem lembrar a discussão entre o ministro Joaquim Barbosa e o ministro Gilmar Mendes durante a seção do Supremo Tribunal Federal.
Assista ao vídeo e atente para o especial momento por volta de 0:45
Em meio ao calor do debate, Joaquim disse a Gilmar que “Vossa Excelência está destruindo a justiça deste país”. Após proferir a frase, como vocês puderam constatar, houve um raro exemplar da família da “Risada”, sendo o gênero “Gaitada” e, em espécie, a “Gaitada do Gilmar”.
Assim como todo o gênero de “Gaitada”, há o claro objetivo de externar o deboche, o desprezo irônico. Entretanto, na espécie “Gaitada do Gilmar”, o infeliz debochado e desprezado não é o interlocutor direto da risada. É você, caro cidadão contribuinte.
A “Gaitada do Gilmar”, diferentemente do que vocês podem ter pensando, não é o sorriso amarelo da vergonha. Ao ser acusado pelo ministro Joaquim Barbosa, ele riu não apenas da acusação, riu da cara de todo o povo brasileiro, riu da justiça brasileira e riu da certeza da impunidade.
E a graça é que, mesmo sendo a vítima da “Gaitada do Gilmar”, você, ao invés de chorar, sorri.
(Leo Cardoso)




















