terça-feira, 3 de novembro de 2009

Cartilha #2

pikachu21Guia de respostas para a Geração Pikachu 2

Por Odisseu Kapyn

Para minha surpresa, o primeiro Guia de Respostas para a Geração Pikachu foi um sucesso. Centenas de adolescentes me escreveram agradecendo a ajuda e, o que é mais preocupante, pedindo saídas para outras humilhações a que vinham sendo submetidos cotidianamente. Por isso, resolvi colocar o humor de lado e voltar a prestar um serviço de utilidade pública, fornecendo novas respostas para o menor de idade que continua sendo ridicularizado ao não saber o que responder diante das mais simples zombarias. Com o Guia de Respostas para a Geração Pikachu 2, o leitor imberbe terá uma nova vida, sendo respeitado pelos colegas e garantindo um futuro de sucesso e prosperidade.

Você pinta como eu pinto?

Essa pergunta é bem velha, do tempo em que chamavam os órgãos sexuais masculinos de pinto. Mas ainda há vítimas para ela. Preste atenção na hora de responder. Na verdade, seu amigo está tentando ludibria-lo, perguntando se você brinca com o pênis dele. O truque está na semelhança fonética com a frase “Você pinta com o meu pinto?”. A resposta é simples: “Não. Não pinto com broxa´´. Desse modo você nega que usa o pênis dele e ainda insinua que ele não tem vigor sexual. Como? Reparem que broxa, além de ser aquele instrumento usado por pintores de parede é também um dos sinônimos para impotente. Pode usar sem problemas. É muito eficaz. Seus amigos vão ficar tão admirados contigo que jamais vão marcar um encontro para um dia que você não puder comparecer.

Jacaré sabe andar em terrenos alagados. Mas, jacaré no seco anda?

Opa! Calma lá, rapaz. Esta é uma brincadeira da velha geração e é bem possível que seu pai já tenha sido vítima dela. Não fale “sim”, pois o adversário está lhe perguntando, disfarçadamente, se um “jacaré no seu cu anda”. Ao confirmar, você dará a impressão de que é um homossexual, daqueles que deixam até um jacaré andar em seu ânus. Seja frio e responda “jacaré não entra”. Rapidamente, pergunte ao seu colega “em buraco de toupeira, tatu caminha dentro?”. O espertinho vai dizer que sim, sem perceber que você perguntou “está tu com a minha dentro”, uma forma maliciosa de questionar se seu pênis está dentro do indivíduo. Depois de inverter o jogo de maneira tão genial, seus amiguinhos vão passar a respeitar mais seu juízo, deixando de zombar de você caso use roupas estranhas que sua tia lhe deu de aniversário.

Quem nasce em Pernambuco é pernambucano. E quem nasce em Tilambuco?

Fique alerta quanto ao perigo dessa cidade imaginária. Sim, ela não existe. Foi criada apenas para que você responda “Tilambucano”, que soaria como “Te lambo o cano” e lhe faria passar por homossexual, pois cano pode ser encarado como “pênis”. A melhor resposta seria dizer “tilambucuano” ou mesmo “tilambucuense”. Um contragolpe a ser analisado é a resposta “tilambucuzão”, que insinuaria que o inimigo está sendo tocado no
ânus. É claro que não seria nada agradável passar a língua no ânus de um
rival do sexo masculino, mas é uma forma de fazer uma referência à
disponibilidade de seu orifício, o que é sempre humilhante.

Na sua casa, qual é a melhor comida? A do seu pai ou da sua mãe?

Antes de pôr tudo a perder exaltando as habilidades culinárias de sua mãe, perceba que o inimigo está querendo fazer com que você diga que sua mãe é “uma boa comida”, ou seja, que você estaria indicando sua mãe para que todos a possuíssem. Ou pior, que seu pai seria uma boa dica para uma “comida”. Respire fundo e com calma diga “Lá em casa sou eu que faço a comida. Mas não sou muito bom. Vou chamar a sua mãe para ver se eu cozinho melhor”. Talvez você não tenha percebido, mas na última frase você disse, num truque fonético, “vou chamar a sua mãe para ver seu cuzinho melhor”. Parabéns, você deu a volta por cima zombando da mãe do canalha. Se quiser dar um golpe de misericórdia, continue dizendo “Quando ela vier, posso lavar a louça. Mas se lavo, não cozinho. Se eu cozinho, não lavo”. Veja que você disse “Seu cuzinho não lavo”, dando a entender que depois do serviço feito, ainda deixaria o ânus da pobre senhora sujo. Depois dessa sensacional tirada, seus amigos sempre vão consulta-lo antes de decidir que filme irão ver em grupo, acabando com aquela fase em que todos iam juntos ver um longa que você já tinha visto.

Você gosta de verdura?

Pobre daquele que disser que sim, achando que está sendo consultado sobre suas preferências gastronômicas. Perceba, pobre tolo, que o inimigo está perguntando se você gosta de “ver dura”, ou seja, se você aprecia vislumbrar um pênis em estado de ereção. Há uma forma de evitar tal zombaria e ainda inverter o jogo a seu favor. Veja bem. O primeiro passo é frear o instinto e não dizer “sim”. Também não diga “não”, pois o inimigo pode dizer “ah! Você gosta então é de ver mole, hein? Pra depois fazer ela ficar dura!”. É uma bobeira, é verdade. Mas as pessoas não se importam muito com isso quando estão dispostas a rir de alguém. Então aproveite esse clima de predisposição para a aceitação de frases idiotas e diga “Só gosto do quiabo cru da sua mãe”. Todos irão se esbaldar ao ouvir algo parecido com “que abro o cu da sua mãe”. É rapaz. As coisas estão cada vez melhores para você. Todo mundo agora acha você uma pessoal que sabe exatamente o que é engraçado ou não. Eles vão até achar hilário quando você usar um bordão de um personagem de novela ou de reality-show.

Você na sua casa tem tomada atrás do sofá?

Não se trata apenas de uma frase mal construída. É também uma frase mal-intencionada. Seu adversário está querendo que você diga que você tem sido penetrado analmente atrás de um estofado de seu lar. Ainda não percebeu como? “Você na sua casa tem tomado atrás do sofá?”. Isso é o que ele quis dizer, garoto. Viu como é fácil ser enganado? Mas não se aflija. Basta dizer, em tom enérgico: “Por quê? Você mexe com força?”. Com isso você terá criado uma frase de duplo sentido, na qual pergunta se ele exerce uma profissão como a de eletricista e também se ele, ao ser possuído sexualmente, agita os quadris com vigor. Se em meio aos risos de seus colegas, o bastardo ainda ensaiar uma reação com um desesperado “E se você fosse eletricista? Mexeria com força?”, espere um momento, deixe o silêncio tomar conta do ambiente e diga “Só em fio grosso”. Suas palavras soarão como “só enfio o grosso”. Pronto. Mais um brilhante episódio de sua ascensão ao posto de líder da turma. Todas as novas bandas de região vão te chamar para integrar o grupo, nem que seja para ajudar na letra ou tocar pandeirola.

É verdade que você não gosta de tomar café expresso?

Cuidado. Se você fosse um idiota sem acesso a nossa orientação, o desfecho do diálogo seria assim:
- “Por quê?”
- “Porque no coador é melhor” (tradução: porque no cu, a dor é melhor)
Temos um jeito para tirá-lo dessa enrascada, supondo que você esteja sentado relaxadamente em algum lugar. Mas é preciso certo talento teatral. Faça cara de dúvida e peça um tempo para pensar. Levante-se e, com a mão no queixo (como se estivesse decidindo se gosta ou não de café expresso), conduza naturalmente seu inimigo para o local o­nde você estava sentado antes. Ao ver que o oponente sentou ali na vaga que você ocupava, faça uma expressão de espanto e, com um sorriso malicioso no canto da boca, diga: “Mal saí e você sentou na minha levantada!”. Seus colegas vão entender a frase como se significasse que seu inimigo sentou em seu membro ereto (a minha levantada=meu pênis em riste). Em meio aos urros e gargalhadas de seus amiguinhos, perceba que o futuro será bem mais seguro de agora em diante, rapaz. Não precisa se preocupar em estudar nem mesmo em trabalhar de verdade. Diga a todos que você está entrando para o ramo de Relações Públicas, Hostess e afins. Como você é agora uma lenda viva na região, todos os organizadores de festas pagarão para que você divulgue ou diga que irá a seus eventos sociais, nem que seja só para ficar na porta no início de cada festejo. Dinheiro fácil.

Agradecimentos aos leitores Alex, The Bird e Felipe, que mandaram algumas das perguntas. E meus sinceros votos de que não sejam mais vítimas desses espertalhões que andam por aí.

Publicado originalmente em abril de 2002, no site Cocadaboa. Siga Odisseu Kapyn no Twitter: @ulissesmattos

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quinta-feira, 20 de agosto de 2009

Cartilha

pikashu

Guia de respostas para a Geração Pikachu

Por Odisseu Kapyn

Quantas vezes você se pega pensando em quanto sofrimento poderia ter evitado se soubesse o que fazer na hora certa? Desde seu nascimento, as coisas poderiam ter sido muito melhores se você já soubesse como agir nos momentos de dúvida. Quando você saiu da barriga da sua mãe, poderia ter evitado ir para aquela palmada do médico se fizesse um sinal de que estava tudo bem, fazendo um sinal de O.K. com seu polegar. Quando bebê, poderia ter evitado aquele constrangimento de ficar com a fralda toda suja se tivessem te falado que era só tirar a roupa e engatinhar até o jornal do cachorro e se aliviar ali mesmo, já que você não alcançava ainda o vaso sanitário. Quando estava entrando na adolescência, poderia ter evitado a sensação de impotência diante da gargalhada de um colega seu que conseguiu a resposta que tanto queria ao lhe perguntar se você conhecia o Sunda. E não foi só o Sunda. Na semana seguinte, teve o Locha. E um mês depois, quando você já se achava esperto, teve o Mário, aquele que te carcou num lugar que você nem sabia que era possível ser usado para sacanagem. Se você, leitor menor de idade, ainda está nessa terrível fase em que pode ser vítima de perguntinhas idiotas, não se aflija. Preparamos para você um manual básico para se safar das brincadeiras dos amiguinhos metidos a engraçados. De agora em diante, sua vida vai mudar para melhor. Ninguém mais vai te fazer de otário e todos vão te achar um ser sábio e cheio de potencial. É só seguir as instruções diante das perguntas abaixo e garantir um futuro cheio de glórias:

O que a baleia faz no teu cu?
Essa é uma das mais velhas brincadeiras e já está caindo em desuso. Mas tem sempre alguém disposto a usá-la. O primeiro impulso é responder “Nada!”. É isso que seu colega quer que você diga. Com essa resposta você estará dizendo que é homossexual, pois tem um grande ânus o­nde até uma baleia pode nadar. O melhor a ser dito é “Fica de fora”. Aproveite que seu colega ficou surpreso com sua malandragem e pergunte a ele “Aliás, você tem pentelho no cu?”. Se ele disser que tem, diga a ele “Fui eu que plantei”. Se ele disser que não, diga “Fui eu que tirei”. Você já não será mais visto como o mais idiota da turma.

Que time é teu?
O adversário quer que você diga o nome de um time. Quando você responder “Flamengo” (ou qualquer time inferior), ele vai rir e dizer para todo mundo que o time inteiro do Flamengo “te meteu”. Conseguiu entender a relação entre “time é teu” e “te meteu”? Sim, a pronúncia deixa tudo muito confuso. Mas há uma saída. Basta você responder “Bateu na trave entrou no teu”. Normalmente, os outros colegas que estão por perto e ouvem isso chegam a urrar para saudar a inteligência da resposta. Agora você terá direito de bater no garoto mais bobo do grupo.

Você está num navio com seu cachorrinho chamado Nabunda. O barco afunda. Você leva Nabunda ou deixa Nabunda?
Aqui, seu colega acha que te encurralou bonito. Não há escapatória! Você vai acabar dizendo que leva ou deixa na bunda. No momento de angústia, você pode até dizer que “leva Nabunda” pensando que levar é melhor que deixar, já que quem deixa está gostando. Mas calma, aí! Há um jeito de sair por cima! A resposta certa é “Nabunda nada”. Diga essa frase com calma, explicando que o cachorro é inteligente e sabe nadar. O resto da turma vai ter certeza de que você é o cara mais esperto entre eles e você terá, automaticamente, autorização para pegar a irmã de qualquer um deles.

E qual é o aumentativo de dacueba?
Se liga, rapaz! A palavra “dacueba” não existe em dicionário nenhum. Trata-se apenas de um jeito sórdido de tentar você falar “dacuebão”, que soaria como “dar cu é bom”. Assim que você falar isso, todas as outras resposta inteligentes que você deu antes irão por água abaixo. Mas, calma. Tudo vai dar certo. O primeiro método de evitar o golpe é dizer “dacuebaço”. Mas existe ainda um contra-golpe. Ao ouvir o desafio, faça uma cara confusa e murmure algo propositalmente incompreensível, e num tom de voz abaixo do audível. Algo como “toviassu”. Quando seu oponente perguntar “o quê?”, diga em alto e bom tom: “Todo viado é surdo!”. Será a glória. Seu prestígio entre a galera está cada vez mais sólido. Seus amigos sempre vão te escolher entre os primeiros na hora de formar um time para jogar uma pelada. Jamais vai ser barrado no primeiro jogo, para fazer a de fora. E mesmo quando você jogar mal, ninguém vai te dar esporro.
Obs.: Esse processo serve também para o caso do “pirueba” e suas variações.

Meu pai está pensando em fazer um churrasco. Com 30 quilos de carne dá pra 20 comer?
Cuidado! Esta é perigosa ao extremo. O malandro à sua frente quer que você pense “Se cada pessoa come menos de um quilo de carne, 30 quilos são o bastante para 20 comerem”. Aí você responde “sim” e vira um otário. Na verdade, ele está perguntando “Com 30 quilos de carne dá para vim te comer?” Sim, há um erro gramatical nessa frase, pois o certo seria “vir te comer”. Mas ninguém vai ligar para isso quando você disser “dá, sim!”. Então jamais diga isso, nem acene a cabeça que sim. Diga “Acho que não. Mas também não sou bom de contas. Como você, certo?” O cara vai ficar confuso e vai acabar dizendo “certo”. Nesse caso, foi você que o fez de trouxa. Perceba que sua última frase pode ser interpretada como “Eu como você, certo?”. Se seus colegas não perceberem, chame a atenção para o fato. Você é quem manda agora. Quando aquela gordinha que todos seus vizinhos pegaram aparecer grávida, todos vão livrar sua cara. Mesmo que pelos cálculos você seja o mais suspeito de ser o pai da criança, seus amigos vão dizer que o filho pode ser de qualquer um deles, menos seu.

Você chegou há pouco de fora?
Outra pegadinha fonética. Não se engane ao ouvir isso assim que tiver chegado a uma festa. O inimigo não quer saber se você acabou de chegar da rua. Ele está perguntando mesmo é se “você chegou a pôr o cu de fora?”. Também temos um jeito para te livrar desta. Primeiro responda “Não”, de um jeito bem surpreso, como se fosse impossível essa hipótese. Depois pergunte “Você está louco hoje?”. Se você, não percebeu, você está perguntando se ele “estalou o cu hoje”. Ele vai ser pego desprevenido e vai pensar por instantes em como responder a esse truque. Na verdade, não há como ele se enrolar, pois ele jamais responderia “estalei”. Mas a coisa é tão simples que ele vai suspeitar que a resposta mais óbvia seja um jeito de ser sacaneado. Aproveite os breves segundos de indecisão e diga algo como “não lembra mais, né?”. É bobo, mas nesse ponto o cara já está fragilizado por você não ter caído na gracinha dele e o resto da galera vai aproveitar e sacaneá-lo também. Afinal, você já se tornou o cara mais maneiro do grupo. Você já não paga nenhuma cerveja que bebe com os amigos, pois ninguém acha justo te cobrar a dívida.

Qual o nome do carro do Speed Racer?
Este pode ser um teste de fogo. Speed Racer é um desenho japonês antigo, que fez muito sucesso e foi recentemente reprisado na TV aberta em algum horário obscuro. Se alguém lhe fez esta pergunta, é porque sabe que você é ligado em televisão e em suas navegadas pela intenet ou assistindo a programas de tarde na TV já ficou sabendo o nome do carro. A tentação de provar seu conhecimento vai ser enorme, mas jamais, jamais mesmo, responda “Mach 5″. O nome do carro de Speed Racer é a senha para o seu rival dizer “Mete cinco? Então toma!” e enfiar cinco dedos entre suas nádegas. Além da desagradável sensação (ainda mais se você estiver usando calça de moleton), você voltará a ser o mais mané da turma, pois todo seu currículo não resistirá a um tropeço duplo. Você terá sido agredido no plano das palavras e no plano físico. Há uma forma de tentar sair por cima dessa. É uma manobra difícil e vai depender de seu talento performático. Diga “Não sei. Era Trovão Azul?”. Estamos supondo que como o cara sabe o nome do carro do Speed Racer, também é um aficionado pelo gênero. Dizer que não sabe o nome do veículo do ás do volante e ainda confundir com o nome do helicóptero de outro seriado de TV vai tirar o sujeito do sério. Ele vai abrir a guarda e exclamar: “Não! Mach 5!”. Nesse momento diga “O quê? Meter cinco? É pra já!” e rapidamente insira seus dedos na direção do orifício anal do rapaz. A humilhação será dantesca e ele nunca mais se atreverá a tentar lhe passar a perna. Não é necessário dizer que você é agora o maior herói de todos seus amigos. Você não precisa mais fazer faculdade. Deixe que todos seus colegas estudem, tirem diploma, montem seus escritórios ou suas próprias empresas. Eles com certeza vão te chamar para ser seu “homem de confiança”, o “seu braço direito”. Vão achar que um homem como você não precisa de estudos e que aliás você era muito inteligente para se sujeitar ao esquema retrógrado que rege as faculdades. E aí seus velhos amigos vão brigar para te ter como assessor. Escolha o camarada que lhe oferecer o melhor salário e a secretária mais gostosa.

Texto publicado em setembro de 2001, no Cocadaboa.com

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