Sofrendo com as crianças

As férias continuam. E com elas, os temíveis filmes produzidos para toda família gastar em conjunto no cinema. A estréia desta semana é Um faz de conta que acontece, com Adam Sandler, um sujeito que não decide se é um bom comediante com estilo próprio, um ator competente ou um palhaço de aluguel.

Mais um trabalho para um crítico de M. O jornalista Eduardo Frota, do blog Cinéfilo eu?, conferiu o filminho, sobre um funcionário de hotel que um dia tem que tomar conta de crianças e começa a ver os contos que criou para elas virando realidade. Programão, hein?

Faz de conta que desanda

O novo filme da Disney e de Adam Sandler, Um faz de conta que acontece, é mais um lançamento de férias. Talvez não tenha sido combinado, mas a sessão para a imprensa contou com a presença maciça de crianças, justamente o público-alvo da produção, devidamente acompanhadas de seus progenitores. Teve de tudo: poltrona sendo chutada, correria pelos corredores e leitura de legendas em voz alta. Só faltou mesmo a guerra de pipoca.

O filme dá conta da história de um rapaz que trabalha como faz-tudo em um hotel que já fora de seu falecido pai e que agora é comandado por um homem ganancioso e excêntrico. Quando precisa cuidar dos sobrinhos por uma semana, ele começa a perceber que as tramas das aventuras que conta aos pimpolhos antes de dormir se transformam em realidade. A ficção e a imaginação começam a influenciar o seu destino.

Nos Estados Unidos, o filme não foi liberado para todas as idades. Ganhou as letras PG, uma espécie de ressalva aos pais sobre o conteúdo da obra. De fato, há momentos em que a maionese desanda. Sandler volta ao papel de bobalhão que o consagrou – riem as crianças. Temas adultos são abordados – temerosos ficam os pais. E aí, não sabemos mais se trata-se de um filme para crianças maduras ou para adultos infantis.

O roteiro tem alguns buracos e falhas. Em primeiro lugar, algumas piadas fazem referências a ícones da cultura pop de décadas passadas, como na cena em que a dupla Milli Vanilli é mencionada. Depois, há uma série de citações políticas, como quando a diretora do colégio é comparada a um líder cubano e livros ecologicamente corretos são categorizados como literatura comunista. A Guerra Fria já acabou, mas durante essas passagens os adultos riram.

Porém, o mais flagrante é a falta de explicação acerca do fenômeno que transforma a tal ficção em realidade. Durante as primeiras seqüências, totalmente plausíveis, o espectador é levado a acreditar que se trata de mera coincidência. Logo depois, passa a ser bombardeado com situações fantasiosas, que ganham contornos sobrenaturais. Por que isso acontece? Nunca saberemos.

Ainda assim, há bons momentos. Como na maioria das comédias desse porte, há um personagem secundário que rouba a cena. No caso, um garçom inglês que sofre de pânico noturno, interpretado pelo ótimo Russel Brand. O filme também conta com um porquinho-da-índia felpudo de olhos esbugalhados e participação especial de Buzz Lightyear, personagem de Toy story.

No mais, são desfechos previsíveis, final didático e mensagem para tooooda a família. Ou seja, um típico filme de férias da Disney com Adam Sandler. No fim das contas, quem precisar levar filhos, sobrinhos, afilhados, amiguinhos e adjacentes ao cinema poderá até se divertir um pouco. Melhor do que ver na tela grande a Xuxa e os doentes, quer dizer, os duendes.

Cocô-tação: 2 bostinhas (máximo de 5 bostinhas, para os piores)

(Eduardo Frota)

3 Responses So Far... Leave a Reply:

  1. Kamila disse:

    O Adam Sandler só tem dado bola fora ultimamente…. Vou ficar longe desse filme, afinal aprendi minha lição após assistir “Zohan – O Agente Bom de Corte”. rsrsrsrsrsrsrsrsrsrsrsrsrsrsrssrssrrsrsrs

  2. Pan disse:

    Morra Sandler.

  3. Beto Barbosa disse:

    Eu gosto do Buzz Lightyear, melhor que aquele cauboi chato!