
Chopp Santista – Santos/SP
Por Sidney Luzio *
Semifinais do paulista e o Santos enfrentaria o Palmeiras no caldeirão da Vila Belmiro. Infelizmente, não havia comprado ingressos para ver o jogo ao vivo, então consegui arrastar a sãopaulina da minha namorada para assistir ao clássico no Chopp Santista – um dos principais lugares de concentração de torcedores na cidade e onde já pude presenciar grandes jornadas esportivas, tanto da Seleção brasileira, como do glorisoso Santos Futebol Clube.
Já sabendo que o lugar estaria lotado, combinei com ela de estarmos lá às 15h, para garantirmos uma boa mesa. Contando os atrasos femininos de sempre, entramos lá às 15h30, com o bar estranhamente vazio. Na TV, apenas uma partida do campeonato francês, para o qual os poucos presentes ali não davam a menor pelota. O tal o jogo só foi terminar faltando poucos minutos para as 16h e, quando pensei que se abririam as cortinas e os artistas entrariam em cena, um dos garçons troca o canal para o início de outro jogo, agora do campeonato italiano.
Foi neste momento que, vendo meu leve desespero, outro garçom me informou que o certame só teria início às 18h10. Impossível não ficar com cara de tacho. Faltavam duas horas para o jogo e nós não tinhámos nada o que fazer, a não ser esperar. Quer dizer, eu na verdade até tinha um algo mais para fazer, mas sozinho e dentro de uma cabine do banheiro masculino.
O Chopp Santista é um bar/balada com banda ao vivo e tudo mais nos fins de semana. E faz tempo que não vê uma boa reforma. Prova disso é o seu banheiro, um tanto quanto judiado, após tantas noitadas de intenso movimento. As marcas desse movimento percebem-se desde da porta, com queimadura ou lago do gênero, dobradiças enferrujadas e sem tranca. Até a sua válvula de descarga não tinha proteção alguma.
Ainda assim, o banheiro, pequeno, ainda mantém sua dignidade. Naquele estilinho bar retrô que é moda em tantas cidades, tem suas paredes revestidas com azulejos brancos até a altura das portas, o que eu chamaria de um pouco mais de uma meia-barra. Apesar de não possuir tranca, me sentia seguro, uma vez que meus joelhos quase batiam na porta, de tão apertado. Entre uma cabine e outra – eram duas no total – uma divisória de ardósia cumpria bem o seu papel.
Na parte de trás da porta não havia as célebres pixações, porém tinha um comunicado do próprio Chopp tão impagável quanto, dando dicas do naipe “tente acertar o vaso, você consegue” ou “não importa o seu nível de álcool, outros usarão esse local”, o que já indica que o bar é freqüentado, em sua maioria, por pessoas de relativo garbo e elegância.
À esquerda de quem entra, estão duas pias, brancas, para que eu pudesse terminar meus serviços de forma mais higiênica possível. E, do seu lado, noutra parede, uns dois mictórios, onde não podia deixar de imaginar como tem cara que ainda consegue errar algo daquele tamanho.
Um lugar que, apesar de tudo, tem lugar cativo no meu coração e de muitos santistas. Por isso mesmo, devia ser melhor valorizado por todos nós.
Cocô-tação: 2,5 privadas (máximo de 5 privadas, para os melhores)
* Sidney Luzio, autor do blog Já Caguei Aqui, é nosso Crítico de Merda para banheiros.



















