
Pinguim, Ribeirão Preto / SP
Por Sidney Luzio *
Ir a Ribeirão Preto e não conhecer o Pinguim é como ir a Roma e não ver o banheiro do Papa. O bar e restaurante, ao lado do imponente Teatro Pedro II, é, desde 1936, um dos principais pontos de encontro da cidade e seu chope é considerado por seus frequentadores o melhor do Brasil. Polêmicas à parte, eu, que nem gosto de chope, estava mais preocupado naquele sábado em saborear uma suculenta feijoada, iguaria que ainda não tinha tido o prazer de experimentar desde minha chegada à califórnia brasileira.
Destarte, acompanhado de minha namorada, que me visitava naquele fim de semana, fui até o Centro encontrar o tal Pinguim. Para um ponto turístico tão famoso, até que uma sinalização a mais cairia bem, já que o caminho não é dos mais fáceis. Contudo, entre trancos e barrancos de quem ainda está se adaptando numa cidade nova, chegamos sem maiores percalços.
O bar, lotado, realmente é muito bonito. Dava a impressão que havia sido reformado não fazia muito tempo, sem perder o charme inicial. Me arriscaria, inclusive, a dizer que possuía um ar meio “sépia” de ser. Conseguimos logo uma mesinha aconchegante, numa posição que não poderia ser mais estratégica: de um lado, o bar, onde os lendários chopes eram retirados; do outro, os banheiros, onde eu senti que tinha um depósito a efetuar. Pedidos anotados, era hora de eu cumprir a minha missão ali.
Amplo e espaçoso, o banheiro segue a decoração do restante do bar. Com azulejos brancos cobrindo toda a parede, lajotas de mesma cor no chão e paredes de granito entre as cabines, mantinha o aspecto limpo mesmo com o alto consumo de chope, o que já é uma vitória e tanto. Uma vez que a cabine comum estava ocupada, acabei por usar a de deficientes físicos, espaçosa e com barras fixas, do jeito que deve ser para permitir a entrada de cadeirantes e afins de forma decente.
Apesar do assento meio torto, o restante das instalações não apresentava maiores problemas. O papel higiênico, daqueles que já vêm cortadinhos, só seriam perfeitos se acompanhados daqueles outros, feitos especialmente para forrar higienicamente o assento. O cesto de lixo, feito em aço escovado, também era estiloso deveras.
A porta, bem cuidada, também estava imune de rabiscos e a tranca era nova, bem firme. Além disso, a luz indireta dava um ar ainda mais tranquilo para que eu fizesse o que tinha que fazer ali sem maiores delongas.
Voltei para a minha mesa, onde minha namorada já bebia seu chope. Depois de muita insistência, provei um pouco do dela e tive a certeza que estava muito mais para a caipirinha que me esperava ali. E que poderia recorrer aos banheiros do Pinguim, sempre que receber um chamado da Natureza.
Cocô-tação: 3,5 privadas (máximo de 5, para as melhores)
* Sidney Luzio, autor do blog Já Caguei Aqui, é nosso Crítico de Merda para banheiros.



















