Leonardo Wella já é conhecido dos leitores mais atentos da revista M…, pois colaborou duas vezes como nosso Homem-Spam, testando um feromônio da sedução e depois uma vagina de borracha (não, ele não precisou usar o primeiro item para conquistar o segundo). Agora ele reativa seu lado DJ e nos manda uma lista musical, com um shit parade para dançar.
Capitalizei bem durante o revival dos anos 80. Toquei em festas, shows e fiz uma pequena fama como DJ de música trash. Cheguei até a tocar vestido de lixeiro. Isso foi há uns dois, três anos. Mas essa onda durou mais do que devia, graças aos retardatários (ou seriam retardados que estão nessa desde o início?). Hoje em dia, naquele prato onde eu comia, eu não cuspo: eu vomito mesmo. Minha medula óssea treme quando em alguma festa começa a tocar Superfantástico ou Plunct Plact Zum – que, aliás, orgulhosamente nunca executei. Portanto, se você for dar uma festinha, quiser mandar um trash e não soar clichê, aqui vai um shit parade com o que se manteve intacto após o devastador furacão 2000 – 20.
1- Eu não sou lixo: Evaldo Braga era um tremendo filho da puta. Literalmente. Quando era bebê, foi jogado em uma lata de lixo pela própria mãe, uma prostituta. Morreu em 1973, em um acidente de carro, aos 25 anos. Essa música é uma resposta à sua genitora, mas pode ser muito bem ser cantada com raiva, olhinhos apertados e punhos cerrados por causa de um amor negado.
2 – Juanita Banana: Quando ouvi os berros dessa música não agüentei. Peguei duas bananas e comecei a sacudí-las no ritmo, como se fossem maracas. O francês Henri Salvador era figurinha fácil no Brasil – é culpado por ter influenciado o surgimento da bossa nova. Foi encontrar com Vinícius e Tom no começo desse ano.
3 – Dateme um martello: Mais um hit europeu. Essa, até a sua avó reumática vai dançar. No vídeo, Rita Pavone deve ter dado algumas marteladas na cabeça da galera que tanta dançar atrás dela, de tão molengas que eles se movimentam.
4 – Clarear: Poderia ser Show de rock n´roll ou Vira de lado. Só pra mostrar que o Roupa Nova, a banda brega mais amada do Brasil, tem músicas tão dançantes – e que tocaram menos – quanto Whisky a go-go.
5 – Se te agarro com outro te mato: Sidney Magal tem um problema parecido com o Roupa Nova. Nego só quer saber de Sandra Rosa Madalena ou Meu sangue ferve por você. Se te agarro… tem uma levada esperta com guitarrinha e metais, além de uma letra bem Sydney Magal.
6 – Nosso sonho: Em festa que é festa não pode faltar funk. Claudinho (cujo fim trágico foi parecido com o de Evaldo Braga) e Buchecha ultrapassaram a barreira do funk melody e compuseram várias pérolas do cancioneiro pop brasuca. Experimente baixar o som na parte de “Na praça da Playboy / Ou em Niterói…”. Nego canta que é uma beleza.
7 – Roda: Vão dizer que em festa que é festa também não pode faltar axé. É. Pode ser. Evite a todo custo, mas se por acaso encherem muito o saco pedindo Ivete, Ara Ketu e afins, mande ver Sara Jane. Muito mais legal e tão tosco quanto Luiz Caldas ou Kaoma. “Vamos abrir a roda, enlarguecer / Tá ficando apertadinha / Por favor, abre a rodinha / Por favor”. É a melô do KY!
8 – Mata o papai: Se você ainda não pegou nenhuma mulher na festa, essa é a hora! O hit contagiante do Trio Malacacheta vai fazer você agarrar as fêmeas do recinto, beijar os seus cangotes, dançar tão sensualmente que nenhuma gata vai resistir! “Ai, ai, ai! Ai mata o papai, mainhaaaa!”
9- Cilada: Muita gente torce a cara para o Grupo Molejo por causa dos dentes tortos e do macacão infantil do Anderson Leonardo. Ou por causa do clipe trash de Brincadeira de criança. Injustiça. Os caras são tremendos músicos – vide o Andrezinho, filho do lendário Mestre André, da Mocidade Independente. “Não era amooooor (não era) / Não era amooooor, era cilada!”. Irresistível.
10- Tô Tristão: Nada melhor que encerrar a festa com um sambão. Essa era da época em que o Casseta & Planeta era… o Casseta & Planeta. É pra cantar o refrão aos berros: “EU TÔ TRISTÃO! TÔ SOFRENDO PRA CARALHO!”. Para minha surpresa, acabei descobrindo esse vídeo, que tem um trecho de letra diferente da que foi gravada no antológico disco Preto com um buraco no meio, de 1987. No final do vídeo, ainda tem uma piada sobre o futuro de cada integrante original – destaque pro Bussunda…