Pátrias de chuteiras

A idéia do técnico boliviano de empatar com nossa Seleção usando a mesma tática que Evo Morales utilizou para ganhar do Brasil foi, no mínimo, brilhante. Se deu certo na política, por que não daria no futebol? O time da Bolívia já entrou botando os brasileiros para correr, mostrando quem mandava no “campo”. Depois se fechou na defesa, evitando qualquer ataque brasileiro. Para garantir o resultado, marcou pressão ameaçando deixar os brasileiros sem gás no final. Funcionou!

A seleção de Dunga, a exemplo da equipe do Lula, aceitou passivamente o domínio por parte do adversário, não ameaçando em nenhum momento a soberania boliviana.

Depois da Bolívia, quem sabe agora o Brasil recebe Luxemburgo. Não vai ser por falta de campanha que Dunga deixará de cair do cargo. Ontem, o time dos que criticam o técnico amador ganhou o reforço de Galvão Bueno, que passou o jogo todo dando a entender que Dunga talvez não fosse capaz de driblar o esquema boliviano. No final da partida, o locutor/comentarista/cheer-leader chegou a pedir desculpas ao telespectador pelo futebol apresentado (como se o jogo fosse apenas um programa ruim da Globo), enquanto levava ao ar cenas de Dunga cuidadosamente escolhidas, com expressão de quem não sabia o que fazer. Foi estranho por dois motivos. Primeiro porque a tal da imparcialidade jornalística foi pras picas. Segundo porque só vimos Darth Vader usando seu poder para o bem quando ele estava prestes a morrer no filme. Ah, se a vida imitasse a arte…