Pão e circo

Os editores da M… não assistiram ao BBB9 (a gente fala de merda, mas não temos tempo para acompanhar tudo). Soubemos apenas, via notícias na internet, que uma participante teve um vídeo vazado na internet fazendo sexo oral, inaugurando o Big Boquete Brasil; que falhou a tentativa de fazer dois gays se pegarem dentro da casa; que um integrante ficou manjando um convidado africano tomando banho com sua mangueira; que muita gente torcia para uma moça que agora vai ter que posar pra Playboy por não ter faturado o prêmio; e que quem ganhou o prêmio foi um tal de Max, que não devia ter esse nome, já que faz miniaturas.

Para não dizerem que não falamos nada do BBB9, publicamos um artigo-desabafo da jornalista Patricia Paladino antes de começar o programa e, agora, mostramos um texto enviado pelo leitor Luis Carlos Wolfgang, comparando o formato do BBB com os velhos dias de luta de gladiadores nas arenas romanas: 

Gladiadores

Quando assisti ao filme Gladiador, vi a imponência de tudo o que cercava o entretenimento, que, como então pude perceber, não é algo assim tão moderno como a minha vã (que está mais para Kombi) ignorância podia imaginar. O filme mostra as muitas formas daquele espetáculo. Uma delas era o combate corpo a corpo. Dois gladiadores permanecem atados um ao outro pelo pulso, lutam contra outras duplas e depois que matam todo mundo têm que lutar um contra o outro (essa parte final é por minha conta, não aparece no filme, mas acontecia). Isso, não sei por que, de alguma forma, me lembra o Big Brother.

Vejamos bem as semelhanças: o público se reúne em volta de uma coisa redonda… Qual? O tubo de imagem. Embora haja TV de plasma (coisa que eu ainda não tenho), a maioria das pessoas ainda tem a TV “das antigas”; se brincar ainda tem Telefunken sendo ligada de tarde para poder começar a funcionar à noite e ainda pegar o BBB. Continuando com as comparações. Cabe a nós decidir quem “morre”. Naquela época, o polegar apontando para cima era sinal de que o participante viveria. Se o polegar indicasse para baixo, significava a morte. Hoje, com a nossa sociedade mais desenvolvida, porém não tão apartada dos sentimentos mais primitivos – como o gosto por competição e por ver o próximo se ferrando -, nós sentimos a prazenteira necessidade de compartilhar essas coisas, mas com um outro dedinho: o indicador, que tecla o número da eliminação do participante, levando-o à “morte” no programa.

Uma grande diferença que é necessária ressaltar neste ponto é que no fim do programa todos ressuscitam, diferentemente do que acontecia lá no Coliseu ou nos outros palcos da vida. Na época dos gladiadores, nem os cristãos ressuscitavam, para você ter uma idéia de que o negócio era “punk”!

As armas hoje são diferentes. Naquele tempo se usava espada, clava, machado; às vezes, escudo, lanças, tridentes (que particularmente me lembra tanto os Cavaleiros do Zodíaco na batalha dos mares) entre outras coisinhas. Mas também naquela mesma época, Jesus admoestou sobre o mal que era maior que qualquer arma: que sujava mais o corpo do que aquilo que entrava em nós e cujo qual se pode ler no livro de Tiago: a língua. A pior arma de todas. Enquanto no Coliseu se digladiavam com armas, hoje no BBB eles se matam pela língua. Intrigas e mentiras fazem parte do arsenal privativo dos que lá estão.

Assim como Russel Crow interpretou um gladiador que ganha o conceito do público, no BBB também rola dessas coisas. Eles se tornam os nossos heróis (meu mesmo não!). Eu queria falar também que há controle de massa. Mas eu faço parte da massa e não sei interpretar esses Sinais. Não sou como Mel Gibson.

(Luis Carlos Wolfgang)