A primeira refilmagem de A Pantera Cor-de-Rosa, com Steve Martin no papel que foi de Peter Sellers, deixou muita gente insatisfeita, mas teve alguns defensores. Já a seqüência do remake, que chega hoje aos cinemas brasileiros, foi ainda pior que a anterior. “O filme ficou de quatro nas bilheterias americanas. Ficou em quarto lugar no lançamento e arrecadou míseros US$ 24 milhões em sua segunda semana em cartaz. E detalhe: passando em 3245 salas! Para se ter uma idéia, Sexta-feira 13, com 100 salas a menos, faturou o dobro”, conta Roberto Cunha, do site Adoro Cinema.
Roberto encarou a exibição de A Pantera Cor-de-Rosa 2, achou uma merda e nos mandou um texto quase revoltado com suas observações:
Duplamente ruim
Refilmagem é sempre um problema sério de se fazer. E de ser visto. Uma das razões, no caso de quem vai ver, é que se você se identifica com o original, ou pior, se o original se identifica com o personagem, a chance de você achar tudo uma droga é bem grande. E grande foi a saga do impagável inspetor Closeau vivido pelo inesquecível Peter Sellers.
Esse, talvez, seja o maior problema para novas seqüências do filme ou ressuscitadas do personagem. Sellers é insubstituível. E não adianta colocar Steve Martin na jogada, porque não rola. E olha que o cara consegue fazer um sotaque carregado bacaninha. Mas o resultado final é uma merdinha de dar gosto, ou melhor, cheiro. E não tem nada a ver com o “merda” boa sorte da turminha do teatro. É azar puro. Teu e meu. E de todos do elenco. Caraio!!!
Bem, a nova seqüência traz todos os elementos que fizeram sucesso no passado. A começar por uma abertura charmosa com a antológica trilha criada por Henry Mancini e a animação que virou marca registrada do filme e eternizou a música. Depois disso, meu caro leitor, prepare-se, pois será uma saraivada de merchandising de anunciantes como Mercedes Benz, Land Rover, Smart Car (novamente), entre outros. É. Já justifica fazer o filme. (risos)
De qualquer forma, já que é pra falar da obra, o inspetor Clouseau (Steve Martin) foi designado para liderar uma equipe internacional de investigação. O objetivo: desvendar uma série de roubos internacionais que incluem, claro, o diamante Pantera Cor-de-Rosa. Assim, além de contar com seus fiéis escudeiros - o espirituoso Ponton (Jean Reno) e a charmosa Nicole (Emile Mortimer) -, Closeau vai contar com uma equipe.
Aí é que a coisa degringola de vez. O que Andy Garcia está fazendo neste filme?! Pra fazer meia dúzia de três piadinhas safadas na pele de Vicenzo? E Alfred Molina? Para envergar um previsível (no roteiro) vestidinho de tutu (balé), interpretando Pepperidge? E que porra de japonês é esse? Nada contra o povo do sol nascente. Pelo contrário, os caras merecem respeito por suas conquistas. Mas enfiaram uma sopa, quer dizer um Kenji (Yuki Matsuzaki, visivelmente deslocado no meio dos astros) na história com um indefectível fone de ouvido para mostrar que o cara é o elemento ligado em tecnologia. Pqp!! Parecem os três patetas, mas anos-luz distantes de Moe, Larry & Curly.
E pior! A desconfiança que fica é que como usaram crianças para fazer as vezes do memorável ajudante Kato (no original), a tal da cota racial falou mais alto e toma-lhe Miojo, quer dizer, Kenji. E para completar o elenco multiestrelar, acredite, colocam John Cleese como Inspetor-chefe Dreyfuss e ainda me aparece um Jeremy Irons fazendo uma ponta que pariu!
Definitivamente, a missão não é fácil. Não a de Closeau. A nossa, de ter que assistir. O que salva, se é que se pode dizer isso, são algumas poucas sacadas no texto e parcas passagens engraçadinhas como a brincadeira com o papa, a coreografia de Closeau no restaurante e as trapalhadas filmadas nos monitores do sistema de segurança de uma mansão. Nada mais.
Achou que fui duro com o filme? Mole deram os caras ao escrever um coisa dessas e ainda botarem como pano de fundo o romance mal resolvido entre Closeau e Nicole. Se já não tivesse virado pó, até Peter Sellers se reviraria na cova de tanta raiva. Pano preto para A Pantera Cor-de-Rosa.
cocô-tação: 4 bostinhas (máximo de 5, para os piores)
(Roberto Cunha)