Olhos puxados e bem perto do chão

A jornalista Isabella Saes, apresentadora do programa Hora do blush (rádio Paradiso) e locutora dos canais de filmes Telecine e Megapix, nos envia um texto sobre os peculiares hábitos excretórios na China, país por onde passou recentemente, depois que foram embora as toneladas de turistas que foram ver os Jogos Olímpicos. Além de ficar atenta às características do povo chinês para contar à M…, ela visitou um banheiro público local e gravou imagens do recinto, que acompanham seu esplendoroso relato. 

O vídeo não dá nem pro cheiro. Só mesmo lendo a narrativa da Isabella para se informar mais sobre o país que vive em regime de excreção:

M de… Milenar!

Bateu aquela dor de barriga? Uma vontade incontrolável de mijar? Aquela secreção insiste em escorrer pelo nariz ou chegar à garganta a cada tosse? Se você estiver na China, seus problemas acabaram. Baseados no princípio milenar da medicina chinesa, de que se existe algo incomodando no corpo, quanto mais rápido colocar pra fora, melhor, os chineses cospem, arrotam e peidam alegremente pelas ruas, a qualquer momento do dia ou da noite.

Dizem por aí que pegar um vôo doméstico de algumas horas na China é um sofrimento: no pacote, vem incluída uma trilha sonora mais potente do que a de um solo de tuba. Nem a súplica do governo para que esse hábito pelo menos diminuísse durante os Jogos Olímpicos foi suficiente. Chegou-se a falar em uma nova maneira cuspir. Já que não dá pra erradicar o hábito, que tal cuspir num pedacinho de papel e jogá-lo imediatamente no lixo? Tenho a convicta impressão de que a campanha fracassou.

A não ser pelas tentativas de camuflar arrotos inseridos em falas, os chinas ainda não se mostram muito dispostos a seguir as regras de etiqueta ocidentais. Crenças são crenças, e os chineses as seguem à risca. E aí, meu amigo, pra não ficar com cara de nojo nessas horas, o negócio é relativizar no mais amplo sentido da palavra. Não que eu tenha saído “flatulando” pelas ruas de Pequim, mas depois de um tempo, você acaba se acostumando e diz: “É cultural, vai…”.

Banheiros públicos na China são um capítulo à parte. É importante dizer que os chineses têm uma relação quase nula com a privacidade. Há até bem pouco tempo, à exceção da elite comunista e da diplomacia estrangeira, não era comum encontrar banheiros em casas e apartamentos. Todos dividiam banheiros públicos nas hutongs – as ruas tradicionais da capital chinesa. Era um momento de socialização, de encontro de amigos e vizinhos, de falar da vida dos outros, tudo isso num estilo “Banheirão do Maraca em dia de final Fla x Flu”. E ainda hoje existem muitas moradias “toiletless” neste país gigante, que cresce preservando características medievais.

Portanto, se o negócio aperta às quatro da matina, o jeito é sair às ruas à caça de um banheiro público pra descarregar toda a M contida em você. Bom, pelo menos de madrugada eu me vi livre dessa situação, pois optei por um hotel de uma rede americana. E lá estava ela, a privada, reluzente, todas as noites à minha espera. Ui, que alívio!

Nem os bebês escapam desse descarrego. Todos usam uma calça ecologicamente correta, rachada na bunda, pra poder fazer a caquinha na hora em que der na telha. Os banheiros públicos chineses estão em todo lugar, a cada esquina. Se você não enxergar, não se aflija, o cheiro que avança pelas ruas já acusa a presença de um. Em sua grande maioria, são compostos de buracos no chão e divisórias que não chegam ao teto, ou melhor, ficam na altura de seus ombros, enquanto você, de cócoras (que situação!!), tenta se equilibrar e mirar  o buraco, pra que não se espalhe pelo chão o que quer que você esteja colocando pra fora.

Portas? Não existem. É mais ou menos uma sensação de aula de agachamento, regada a um fedor às vezes insuportável e olhinhos puxados ávidos por investigar a genitália alheia, principalmente quando se trata de um “laowai” (estrangeiro).  Admito que usei muitos desses banheiros pelo interior do Brasil, quando cobri o Rally Internacional dos Sertões, mas nada se compara a ter essa experiência do outro lado do mundo. Não resisti e filmei um exemplo muito fiel de um dos banheiros chineses em plena Pequim. O vídeo é muito rápido porque, confesso, o cheiro não era nada agradável e eu tive medo que alguém me prendesse por uso indevido da câmera. Mas, dá pra ter uma boa idéia do que é fazer os números 1 e 2 na hora do aperto. Agora, imagina só quando tem fila…

7 Responses So Far... Leave a Reply:

  1. The Brit disse:

    Impressionante a reportagem da merda dessa menina!
    Isabella eu adoro vc e seu trabalho mas o cheiro da sua texto aqui e quase insuportavel! kkkkkk
    Bjs! The Brit

  2. paulo disse:

    Muito boa a matéria. Farei como os pequenos chineses: Cagarei e andarei daqui em diante!
    Parabéns pela revista e pelos Cocô-laboradores tb. abs

  3. renata boldrini disse:

    a china (apesar desse lado podreira) deve ser o máximo! coloca mais post sobre a viagem aqui!! bjs

  4. Suellen Analia disse:

    Isabella, ao contrário do óbvio, essa sua matéria deveria ser uma merda, mas não foi!
    Adorei! Um beijo procê!

  5. Ligia disse:

    Nossa! Acho que ficaria com uma prisão de ventre crônica….

  6. Tomaz disse:

    Agora dá para entender porque é melhor fazer o número 2 em casa. Mas como repórter experiente, espero que a Isabella tenha experimentado tudo até o fim, para contar a sensação de ver pessoas compartilhando este momento lindo!

  7. [...] textos de colaboradores da revista M… ou da M… Online: Leo Jaime, Fernando Caruso e Isabela Saes (do programa Hora do blush, da rádio SulAmerica Paradiso), além de nomes como Alexandre Plosk [...]