No curso de noivos

Recebemos um relato marcante de um leitor de Brasília. Não, ele não nos conta nada presenciado no Congresso. Nada público. É algo de sua vida privada, como todos os nossos leitores podem fazer, com grandes cagadas vividas ou testemunhadas, de qualquer natureza, não só intestinais (até porque já existe para isso o Marrom Bombom, mesmo que desatualizado). Mas dificuldades no banheiro revelam-se realmente situações inesquecíveis, que ficam na nossa memória para sempre como uma cagada homérica. Acompanhem a aventura do leitor Mário Júnior durante um desastrado curso de noivos.

Minha cagada inesquecível

Curso de noivos… Quem inventou essa merda? Literalmente! Pois é, eu já passei por isso e minhas lembranças não são tão, digamos, memoráveis. Mas que é divertido lembrar, isso é. Depois de ser obrigado pela minha noiva a comparecer a uma igreja para o curso de noivos feito, lá fui eu, meio contrariado. Um dia inteiro. Sábado. Um calor do caralho! E o teto do galpão onde foi realizado o evento era de amianto! Só podia ser de sacanagem, algum teste pré-nupcial ou qualquer coisa do tipo. Talvez um aviso dos céus: “Será que vale a pena? Olha só a cagada que você vai fazer!”. Pois digo que valeu, mas que foi uma senhora cagada, ah foi!

Quem me conhece sabe que só pratico o “nº 2” em casa. Na rua, só em momentos muito desesperados, só mesmo com a merda beijando o cu. Até em hotéis a merda fica travada no meu intestino grosso. Ou no delgado, sei lá. Meus amigos sabem também que não sou nem um pouco chegado a frango ensopado, daqueles que a gente olha pra panela e só vê pé de galinha, asa, pescoço… aquelas merdas que ninguém merece comer. Nem em presídio deviam servir esse tipo de “comida”. Mas, seguindo literalmente a Lei de Murphy, serviram a porra do frango ensopado lá no curso de noivos. E debaixo de um calor do caralho!

Resultado: eu, que já tava puto com o tal curso, com uma fome do cão, depois de ouvir um monte de merda - do tipo “transar, só pra procriar” e “o melhor método anticoncepcional é a tabelinha” -, tive que encarar o ensopado de frango cheio de osso. Cinco minutos depois, bateu aquela ziquizira na barriga. Não teve jeito, ia ter que trair o banheiro com espelho na porta lá da minha casa. E a amante seria o banheirinho que construíram no segundo andar do galpão, daqueles que não dá nem pra se movimentar dentro. Olhei pra cima e me conformei com o que destino tinha me reservado. Era inevitável. Foda-se. Fui.

Entrando no banheiro, com aquele desculpa de sempre (“vou lá em cima lavar as mãos e já volto”), percebi que o vaso não tinha nem assento. Era só a louça, fria e calculista! E o trinco da porta estava quebrado. Pra piorar as coisas, o papel higiênico estava no fim, só tinha mesmo uma tirinha. Depois da obra, eu ia ter que fazer o milagre da multiplicação do papel! Comecei. Claro, não sentei no vaso, que estava todo mijado. E tive que ficar segurando a porta com uma das mãos, pra não ser pego no flagra “lavando as mãos”.

Foi uma cagada barulhenta. E meio líquida, meio pastosa. E fedia pra caralho. Culpa, é claro, daquele frango ossudo, tendo o calor como cúmplice. Terminei. Suava mais que um gambá. Aliás, se tivesse um gambá morto há sete dias naquele banheiro, ele estaria mais cheiroso do que o odor que deixei no recinto. Agora, eu tinha que abrir a porta e rever o mundo exterior. E a vergonha?

Mas, porra, vergonha é o caralho! Estava todo mundo na mesma situação que eu. Ou alguém em sã consciência acha que branquinho vai todo satisfeito fazer curso de noivos? E num galpão que parecia mais uma filial do inferno, com um frangão ensopado de almoço? Branquinho tava ali só pra cumprir tabela e correr pro abraço. Ou pro motel. E sem procriação, pelo menos por enquanto. Assim que desencanei, vi que a reação da galera, mesmo com os barulhos espasmódicos e o cheiro insuportável que tomou conta do nosso agradável almoço dominical no porão do inferno, foi supernatural.

E taí a história da minha cagada inesquecível. Espero que algum dia eu tenha coragem de mostrá-la a minha filha, fruto desse prazeiroso curso de noivos. Melhor do que esse, só o curso de padrinhos. Mas essa é outra história…

(Mário Júnior)