Mictórios privados

O leitor/colaborador Sandro Fortunato, que escreve no Sempre Algo a Dizer e teve texto publicado na terceria edição da revista M…, enviou duas fotos de mictórios especiais de Natal (RN). Um deles fica em um dos banheiros mais caros do mundo. O outro é de um trailer com nome de restaurante japonês badalado: Tanaka, que conta até com enigmático papel higiênico. Sandro não só fez o registro fotojornalístico dos mictórios, como também fez seus pertinentes comentários:

Sou cervejeiro. Bebo muito e, consequentemente, mijo muito. Aos baldes. Daí que conheço uma infinidade de banheiros, principalmente desses apertadinhos, de boteco, onde só existe um mictório. Vocês vão dizer “Gandismerda!”. E eu vou replicar: Nem merda, porque não dá para cagar; nem grande, porque às vezes mal dá para entrar no recinto. Como estou acostumado a ver história onde ninguém vê, lá vou eu descobrir os mistérios desses banheirinhos. Tipo um John Updike dos mictórios de boteco. Então vamos a dois deles, ambos em Natal, Rio Grande do Norte.

O primeiro (na foto acima) é de um boteco em frente à Praça das Flores, no bairro de Petrópolis. Provavelmente o banheiro mais minimalista que vi em toda a vida. Se eu fosse um pouco mais largo, teria que mijar estando do lado de fora. Haja pressão e pontaria! Aliás, a foto foi feita do lado de fora e isso aí que vocês estão vendo é o banheiro todo. E o que há de interessante nele? É que esse deve ser um dos banheiros mais caros no qual mijei em toda minha vida cervejeira. Próximo à Praia dos Artistas, o boteco (que eu não lembro o nome por motivos óbvios) está em um terreno supervalorizado pelo qual já foi oferecida a bagatela de R$ 4 milhões. E os donos disseram “Não”. Loucos? Nada. Daqui a pouco oferecem 8 milhões, 12 milhões… Duvido que o banheiro do Bar do Hotel Marina (no Leblon, Rio) tenha um metro quadrado mais caro que esse!

O segundo mictório é do Tanaka (acima), um conhecido trailer de lanches que fica na Praça Cívica, também no bairro de Petrópolis. Acho que o Tanaka já estava lá quando a cidade foi fundada, há 410 anos. Todo boêmio, depois de fechar os bares da cidade, sempre acaba nele para matar a larica. Nos anos 90, quando eu morava em Natal, não tinha banheiro lá e o último mijão da cervejada tinha que ser no banheiro de um colégio público próximo (o vigia era gente boa). O século XXI trouxe a modernidade e agora o Tanaka tem banheiro. Parece um freezer antigo, branco, daqueles horizontais, só que colocado em pé. Bom, além de dar um medo danado de ser uma armadilha (“Quer ver como uma cerveja se sente na geladeira? Entra aí, bebum!”), o mictório tem lá suas peculiaridades. Repare na foto: tem um rolinho de papel higiênico! Para quê? Para o cara limpar a cabeça do pinto? Nada contra. Tem quem faça. E só pode ser para isso, afinal não tem onde cagar! E o cuidado com a limpeza? Esponjinha, desodorizador… esses japas fazem tudo direitinho! E o desentupidor com aquele cabo enorme?! Cara, eu não quero nem pensar para que serve, até porque cu de bêbado não tem dono e… vamos esquecer isso. Mijei e saí correndo.

Até a próxima breja!