Nossa colaboradora doidona, Maria Joana comparece à M… Online com mais um texto. A herbácea personagem criada por Silvio Lach faz análise sobre o sombrio e esfumaçante horizonte econômico do mundo, mostrando como a crise está afetando os maconheiros: “Tem muita gente se queimando geral e a galera fica com medo de emprestar o verdinho e ele virar cinza”, diz Maria Joana.
Que droga de crise !
Este mundo é muito doido ou fui eu que fumei demais? Cara, essa parada de crise financeira tá mexendo direto com a cabeça dos malucos. Pode não parecer, mas doidão é ligadão nessas paradas. Conheço milhares de histórias de maluquinho que perdeu tudo que tinha na bolsa. O Claudinho, camarada meu, chegou outro dia aqui em casa com os olhos vermelhaços. Caraca! Tinha se ferrado legal numa dessas ações: De manhã, subiu, foi lá no pico. Duas horas depois, quando começou a descer, Claudinho resolveu arriscar e manter o bagulho comprado, mesmo sabendo que rolava um certo risco. Cara, foi aí que baixou a ação direto. Uma ação policial daquelas. Coitado do Claudinho, perdeu todo investimento que estava fazendo no seu “home beck”. Os guardinhas aplicaram geral tudo que estava na bolsa do maluco. O pior é que, diferentemente dos investidores de Wall Street, o coitado do Claudinho nem pôde dizer que o dinheiro dele tinha virado fumaça. Maldade!
Mas foi com esse lance que eu senti pela primeira vez a crise afetando a economia real. Caraca… vocês não sabem como caiu o número de viagens lá em casa por conta dessa quebra do Claudinho. Tô pensando até em fechar a Maria Joana Tour. Isso sem falar na queda do consumo de chocolate, brigadeirão e pudim de Leite Moça. Os jornais não mostram esse lado da crise. Mas do jeito que tem maconheiro no mundo, se essa crise de crédito bater nos malucos, periga os papéis da Nestlé desabarem em Nova York. O Bush vai ter que baixar a Lei do Laricão, para salvar as indústrias de guloseimas.
A crise está tão feia que nem o vapor está trabalhando a todo vapor. Na hora do aperto, sabe como é, né? Cada um pensa primeiro no seu bagulho, depois no do outro. Tem muita gente se queimando geral e a galera fica com medo de emprestar o verdinho e ele virar cinza. Mas, mesmo assim, entre os doidões ainda rola uma certa fraternidade. Mesmo quando o bagulho tá apertado, não rola violência. No máximo, uns tapinhas e depois todo mundo se entende. Tanto que a galera continua se reunindo religiosamente lá em casa para acender umas velas e pedir para essa crise passar logo. Até porque, se não melhorar em pouco tempo, sei lá onde esse bagulho vai parar.
Outro dia, os malucos dos irmãos Lehman vieram numa das nossas reuniões e foram com tanta sede ao pote que acabaram insolventes, jogados no chão da sala. Perderam o crédito geral com a galera. Afinal, ninguém sabe quando eles vão conseguir se levantar. Bom, crise que segue. O jeito é fumar um Obama para ver se dá algum barack. Fui.