Como prometemos, publicamos hoje duas críticas de filmes merdas que não conseguimos soltar no dia de suas respectivas estréias. No post abaixo deste, Roberto Cunha fala de Jogo entre ladrões, que estreou na semana passada e conseguiu se manter no circuito, apesar da recepção fraca do público (está em oitavo lugar entre os filmes mais vistos neste fim de semana).
E aqui você confere a resenha para The Spirit: O filme, a adaptação do mais famoso personagem do mestre dos quadrinhos Will Eisner.

A crítica é do jornalista André Gordirro, crítico e colaborador de revistas como a SET. Profundo conhecedor de HQ, Gordirro não se conteve diante do filme dirigido por (justo ele!) Frank Miller, uma lenda no gênero. De acordo com nosso resenhista, o longa causa “vergonha alheia avalassaladora”:
SPIRIT DE PORCO
Com The Spirit, Frank Miller acaba de garantir seu lugar na próxima capa da M… Claro que os recentes gibis que tem assinado – como All-Star Batman & The Boy Wonder – já seriam o suficiente para alcançar tamanho pináculo na carreira, mas, convenhamos, o apelo de uma produção hollywoodiana distribuída no mundo inteiro é bem maior que um quadrinho medíocre. Assim, parabéns, Sr. Miller – seu filme faz jus a este site e revista. É uma tremenda M.
Na verdade, The Spirit comete o maior pecado de um filme ruim: não é aquele que, de tão péssimo, fica bom e divertido; é daqueles ruins que não há salvação.
Frank Miller não parou de dizer que Will Eisner – criador do personagem – era seu ídolo e amigo e que realizou a adaptação para homenageá-lo. Muy amigo. O filme provoca um constrangimento tão grande, uma vergonha alheia tão avassaladora, que nem a noção de que cada ator ali ganha o que não juntaríamos em 200 anos de trabalho árduo impede de sentirmos pena das figuras em cena.
Os diálogos são constrangedores, a direção de atores é pífia, a marcação lembra teatro infantil. É como se Jorge Fernando tivesse aspirado toda a produção da Colômbia e saísse correndo com uma câmera na mão. The Spirit segue a estética artificial de Sin City, 300, Capitão Sky e o Mundo do Amanhã, mas aqui a coisa sai do contexto completamente, parecendo algo roubado de melhores filmes que este.
Escapa alguma coisa desse estrume jogado na tela? Curiosamente, sim: o protagonista Gabriel Macht, que tem cara de herói de quadrinhos e merece uma obra melhor que essa em seu futuro, e, claro, Eva Mendes, cuja tomada da bunda quase vale o ingresso. Quase. Espere a cena surgir no YouTube.
Cocô-tação: 5 bostinhas (máximo de 5 bostinhas, para os piores)
(André Gordirro)