Este fim de semana está sendo lançado nos cinemas Território restrito, mais um filme digno de uma crítica de M. A missão de ir à sessão para a Imprensa, conferir o longa e depois lavar as mãos para escrever coube a Eduardo Frota, do blog Cinéfilo, Eu?.
A produção chama a atenção pela presença do astro Harrison Ford e, para os brasileiros, por contar nossa compatriota Alice Braga, no papel de uma mexicana. Mas o bom elenco, recheado ainda por nomes como Ashley Judd e Ray Liotta, não garante que seja uma boa atração nas telas, de acordo com nosso crítico de M:
Um ‘Crash’ com resultado trash
Território restrito vai parecer reprise: um filme que fala sobre a dura batalha travada nas fronteiras (que mais parecem trincheiras) dos Estados Unidos. O que o mais recente trabalho de Harisson Ford nas telas brasileiras propõe é justapor as diversas etnias que insistem em buscar sustento em solo ianque.
Tem de tudo: judeus, coreanos, mexicanos (ainda que representados pela brasileira Alice Braga), australianos e árabes. E, claro, há também os próprios estadunidenses. E de dois tipos: os que aproveitam para tirar proveito da situação e os que se preocupam com as conseqüências da política de imigração. Harisson Ford, na pele de um policial que, justamente, prende imigrantes, funcionaria como o meio termo. Sua ambiguidade deveria ser a costureira de todas as histórias paralelas que se encontrariam num futuro breve – afinal, o título em inglês, Crossing over, sugere exatamente isso. Faltou linha.
Era para ser mais um filme comovente. Prova disso são as belas tomadas aéreas de Los Angeles, a edição correta e a trilha sonora sempre presente. Porém, o roteiro é fraco. Em primeiro lugar, os dramas individuais são desinteressantes e nunca explorados de forma realmente intensa. E quando tentam uma maior carga dramática, como no segmento da jovem muçulmana acusada de simpatizar com terroristas, é um desastroso festival de clichês. A maioria dos personagens resolve seus problemas de forma superficial, em desfechos completamente manjados e frios. Os atores, talvez mal dirigidos, também não ajudam. Falta vigor para um argumento que versa sobre a indiferença humana. Podia ter mais violência, mais ação, mais adrenalina, mais realismo e menos enrolação.
O mais estranho, no entanto, é que todas essas histórias individuais mal se cruzam. Talvez, pela primeira vez, um título funcione melhor em sua versão traduzida do que na original. O território é realmente restrito e, ao que parece, vai continuar sendo assim mesmo.
Cocô-tação: 2 bostinhas (máximo de 5 bostinhas, para os piores)
(Eduardo Frota)
“Território Restrito” é um filme que estava aguardando ansiosamente desde o ano passado. Mas deu começaram a surgir os problemas, como a saída do Sean Penn e o fato dos Weinstein ter feito com que o Wayne Kramer cortasse alguns minutos do filme. Sem dizer as constantes mudanças em data de lançamento. Deu que o filme está sendo exibido em circuito limitado e está sendo muito mal falado. E sério que as histórias nem se cruzam? Que bizarro!
Taí um argumento que poderia render um filmão. Tenho parentes que moram nos EUA, como imigrantes ilegais. As histórias são incríveis e a batalha do dia-a-dia, para sobreviver em solo estrangeiro, é bem comovente. Uma pena que esse filme não tenha conseguido alcançar esse tal rendimento…
Depois da sua crítica, Eduardo, desanimei de assistir…