Lá vem a noiva

banner_cocolaboracoes

killbothMarido por acaso

Por Eduardo Frota *

Uma Thurman deu vida a uma bela e interessante noiva em Kill Bill. Empunhando uma espada afiada, foi atrás de vingança e machucou muita gente. Em seu mais novo filme, Marido por acaso, a atriz encarna a Dra. Emma Lloyd, uma especialista em relacionamentos amorosos prestes a se vestir de branco e contrair matrimônio. Âncora de um famoso programa de rádio, que funciona como consultório sentimental, ela acaba incentivando uma jovem ouvinte a desistir do casamento. Quem parte em busca de vingança, então, é o noivo abandonado – um bombeiro que vai atrapalhar o casório aparentemente perfeito de Emma. Aparentemente…

O argumento é realmente interessante: fazer com que uma conselheira sentimental coloque em prova suas próprias teorias. Porém, o problema está  justamente no par romântico. Bombeiros, ainda mais em Nova York, são uma espécie de simulacro de bravura e altruísmo. Portanto, vingança não combina com a farda que vestem. Durante os primeiros minutos de projeção, há algumas cenas divertidas. É quando o plano do bombeiro começa a surtir efeito. Acontece que, como sabemos, ele não pode ir longe demais na maldade – não pegaria bem. Seu lado bondoso, então, começa a aflorar. É quando a idéia começa a se esgotar.

Seguindo todas as etapas de um roteiro de comédia romântica, apenas aguardamos pelos acontecimentos. Há buracos e subtramas mal desenvolvidas. Existe também um núcleo indiano no filme, com direito a rituais e festas no melhor estilo Caminho das Índias. No entanto, o mais estranho é que, para uma produção do gênero, há poucos beijos e apenas uma cena envolvendo sexo, mal filmada, vista do lado de fora de uma janela embaçada.

Jeffrey Dean Morgan, o bombeiro, é uma mistura de Javier Bardem com Robert Downey Jr – sem o talento do primeiro e sem o carisma do segundo. Sua caracterização não combina com a beleza exótica de Uma Thurman. Mal aproveitada, a atriz vem fazendo cada vez menos papéis de impacto. Em Marido por acaso, ela está novamente muito aquém de sua capacidade. Quem rouba a cena são os coadjuvantes, como Ajay Naidu, na pele de um amigo indiano, e Isabella Rossellini, que empresta seu charme a uma senhora de idade bastante recatada.

Há quem vá gostar de Marido por acaso. No fim das contas, é um filme que vale por um livro de auto-ajuda.

Coco-tação: 1 merdinha (máximo de 5, para os piores filmes)

* Eduardo Frota, do blog Cinéfilo, Eu?, é nosso crítico de M para filmes