Falando grego – Crítica

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Presente de grego

Por Eduardo Frota *

Quando um novo filme de Nia Vardalos entra em cartaz, é certeza de uma comédia romântica cheia de lições tortas sobre o amor em meio aos contrastes contemporâneos das tradições gregas. Em Falando grego, literalmente, a atriz foi longe demais. Pegou um avião para a Grécia e obteve autorização do governo para filmar nas ruínas dos sítios arqueológicos. Por isso mesmo, o título da película em inglês é My life in ruins (“Minha vida em ruínas”, em bom português). E, mais uma vez, Nia Vardalos arruinou um filme.

A moça interpreta Georgia, uma professora de história que resolve tentar a vida na Grécia. Após um corte no orçamento da universidade em que dá aula, ela acaba ficando desempregada e vai trabalhar como guia em uma agência de turismo. Perde, então, o “kefi”: palavra grega equivalente à paixão, tesão etc. Desanimada, sofre com constantes reclamações sobre o desempenho, uma vez que seus passeios são comparados a uma aula de história sobre os antigos gregos – matéria na qual é especialista. Um dia, recebe um grupo de turistas estereotipados: os estadunidenses bobocas atrás de compras; as espanholas divorciadas atrás de sexo; os australianos bêbados atrás de álcool; e até uma velha cleptomaníaca. Para piorar, Nico, seu colega de trabalho, faz de tudo para que ela seja demitida.

O título em português, Falando grego, até que cai bem, uma vez que não dá para entender aonde se quer chegar com o argumento. Em um primeiro momento, Georgia precisa suportar as constantes piadas e deboches com suas programações históricas, em um sinal de desrespeito aos seus antepassados. Entretanto, passa a ter lições de vida com os conflitos e entra em perfeita sintonia com o grupo, ainda que precise abrir mão de seus ideais para se curvar diante de uma prática de turismo predatório, a qual critica asperamente durante o filme todo. A tal conscientização proposta no roteiro, portanto, perde legitimidade.

E cadê o romance? A vida amorosa de Georgia é apenas uma subtrama mal ajambrada. Seu pequeno flerte é mal desenvolvido e praticamente descosturado da trama, se encaixando no roteiro apenas para que haja um beijo lá no terço final da projeção, ainda que bem sem graça. O texto é realmente muito fraco. Os únicos momentos de humor, de gosto duvidoso, são os protagonizados pelo experiente Richard Dreyfuss, que praticamente apresenta um pout-pourri de piadas de salão. A outra subtrama, que mostra como Nico tenta sabotar Georgia, e como ela contra-ataca, também é bastante enfadonha. Tão chata, que não dá nem vontade de torcer para o vilão – muito menos pela mocinha!

Definitivamente, falta “kefi” aos filmes de Nia Vardalos.

Cocô-tação: 3 bostinhas (máximo de 5, para os piores)

* Eduardo Frota, do blog Cinéfilo, Eu?, é nosso crítico de M para filmes

3 Responses So Far... Leave a Reply:

  1. Osni disse:

    Vale aquela ide de cinema no dia de semana pra preencher o tempo? To achando que nem vou…. Apesar que tenho uma mulher sentimentalista e grávida em casa, será que vale a distração?
    Abraço

  2. Barbara disse:

    Fiz o que o amigo acima pensou em fazer: dia de semana, chuva, início de tarde, encarei o filme e…senti vergonha alheia. Uma pena ver pelo menos 3 atores manjados pagando um mico estrondoso, um filme sem pé nem cabeça, roteiro pífio com encheção de linguiça. Alguém faz a Nia Vardalos parar porfavor?

  3. valbio disse:

    Olha discordo com vc, alem de linda ela faz uma boa atuação sim