Todo fim de ano temos os “filmes de Natal”. São longas-metragens que chegam aos cinemas no feriado religioso, cheios de emoções e lágrimas fáceis, feitos para toda a família chorar. Este ano, Hollywood escalou para a tarefa Marley e eu, baseado em um livro que muitos colocariam na seção de “auto-ajuda” de uma livraria. Vai ser um sucesso, pois tem cachorrinho (o melhor amigo do homem) e Jennifer Aniston (a melhor amiga de Friends). Todos vão querer assistir ao filme e humoristas de internet vão fazer piadinhas do tipo ”Bob Marley e eu”, com montagem do cachorro fumando maconha.
Mas isso não quer dizer que a produção tenha passado incólume por um de nossos críticos de M. O jornalista Eduardo Frota, do blog Cinéfilo eu?, foi à exibição exclusiva para a Imprensa e nos traz seu relato. O filme estréia dia 25 de dezembro, mas a gente publica logo hoje, já que amanhã tem meio-expediente.
De chorar
Marley e eu é o livro preferido de muita gente. A quantidade de leitores que se debulharam em lágrimas enquanto folheavam a história de um labrador desobediente é proporcional ao tempo em que a publicação figurou entre as mais vendidas. Agora, tem tudo para virar o filme preferido de toda essa gente. Na adaptação à tela grande feita pelo diretor David Frankel, a mais aguardada estréia da temporada de Natal, todo o melodrama está lá. É tempo para mensagens, lições de vida e chororô. E chora Owen Wilson, chora Jennifer Aniston, choram seus filhos bonitinhos, chora o operador do projetor e choram até os jornalistas na cabine! É uma choradeira sem fim.
Muito espertamente, para comover o espectador, Frankel se utiliza de uma fórmula que é velha conhecida dos blockbusters natalinos: a catarse familiar. Nos Estados Unidos, a idéia de família ideal não está completa sem um animal de estimação. Nem o presidente escapa à regra (Obama já prometeu aos pimpolhos um bichano assim que se mudarem para a Casa Branca). Marley, um cão fofinho - e tem que ser fofinho, senão não funciona -, se mete em uma série de encrencas para que uma família inteira seja capaz de refletir sobre seus próprios defeitos. Para sublinhar o tom emotivo, atores bonitos, em locações bonitas, declamando textos bonitos. Nada que você já não tenha visto na Sessão da tarde. A única diferença é que neste, o cão não fala e nem consegue se comunicar com outros animais.
Tecnicamente, não há nada a destacar. Fotografia, montagem, edição, trilha sonora, interpretações – tudo normal. O filme funciona mesmo porque quem já teve ou tem um cachorro acaba se identificando com muito do que acontece a Marley. Porém, uma das mensagens finais, ao som de um piano tristonho, de que o cão proporciona um amor verdadeiro e livre de interesses materiais, é digna de Luisa Mell. Uma espécie de constrangimento que passa pelo crivo de quem não se importa em ter o rosto lambido, a casa defecada e os móveis destruídos pelo bicho de estimação.
Era para ser uma comédia, mas um dos poucos momentos engraçados é uma ponta de Kathleen Turner (já deformada pela idade), na qual a experiente atriz interpreta uma adestradora de cães. Obviamente, malogra na tentativa de fazer com que Marley obedeça a suas instruções. De resto, pode preparar o pacote de lenços de papel.
Vai ter muito cachorro novo chamado Marley passeando pelos calçadões cariocas neste verão…
COCÔ-TAÇÃO: 3 bostinhas (máximo de 5 bostinhas, para os piores)
(Eduardo Frota)
Eu quero criticar assim quando crescer, já disse.
Agora, achei o livro um saco, Não posso esperar menos do filme.
[...] que o filme sobre o cão labrador trapalhão é o único, entre os mais vistos, que não é nem uma seqüência nem uma refilmagem. Portanto, a [...]
É lindo esse filme, eu vi, chorei e já quero ver de novo. Vou ate dar uma olhada na programação da HBO e ver se eles vão passar