Crítica de M…: “Sempre ao seu lado”

Mundo cãozinho

Por Eduardo Frota *

Cachorros sempre foram usados em diversas atividades humanas ao longo da história. De tração para pequenos veículos a farejadores de bandidos, passando por meros animais de companhia. A moda agora é outra: servem para dar lição de vida no cinema. Já está virando rotina.  É o caso de Sempre ao seu lado, produção que traz Richard Gere em mais um papel pífio.

No ano anterior, o chororô ficou por conta de Marley e eu – que levou até mesmo jornalistas às lágrimas durante a cabine de imprensa. Apesar do argumento semelhante (humanos aprendem a ser mais humanos através do comportamento dos cães), Sempre ao seu lado tem diferenças fundamentais no que diz respeito ao conteúdo, mesmo que também proponha, no fim das contas, colocar as glândulas lacrimais dos espectadores para trabalhar.

Em primeiro lugar, a origem do roteiro. Enquanto o filme do labrador era uma adaptação de um best seller estadunidense, Sempre ao seu lado trata de um famoso episódio que aconteceu nos idos de 1910, no Japão. Um cão da raça akita, que tinha por costume aguardar o dono na estação de trem após o expediente, sempre no mesmo lugar, continuou fazendo o mesmo, dia após dia, mesmo depois de um enfarte fulminante ter levado seu fiel amigo para o além. A história acabou virando uma lenda, que demostra uma certa capacidade de lealdade que falta nas relações humanas. Hachiko, o tal cão, ficou tão famoso, que ganhou até uma estátua de bronze no mesmo local onde se prostrava todos os dias.

Outra diferença fundamental está no comportamento da raça. O cão deste aqui é igualmente fofinho, mas muito menos brincalhão. O próprio roteiro deixa claro que ele não gosta de brincadeiras bobocas e nem de agradar ao dono com demonstrações circenses. Ou seja, é quase uma antítese do que é conveniente, em termos caninos, a uma família estadunidense, que seria um cão babão, boboca, destruidor de móveis, que faz xixi no tapete da sala e baba a casa inteira. Portanto, Hachiko não faz brincadeiras engraçadas, nem provoca riso.

O tom de estranheza impera durante a projeção de Sempre ao seu lado. Hachiko não é o tipo de cão que arranca lágrimas e gargalhadas ao mesmo tempo, como aguarda ansiosamente a plateia-alvo do gênero. Acontece que todo o miolo do filme, como atores, fotografia, montagem, trilha sonora e cenografia, funcionam de acordo com as intenções da indústria cinematográfica estadunidense. Obviamente, não tinha como dar certo. É uma história que pede o tempo do cinema oriental, mas com ingredientes típicos dos blockbusters ocidentais de Natal.

A dica: há  uma produção japonesa sobre o mesmo caso. Talvez seja melhor.

Coco-tação: 3 bostinhas (máximo de 5 bostinhas, para os piores)

* Eduardo Frota, autor do Cinéfilo, Eu?, é nosso crítico de filmes merdas.

2 Responses So Far... Leave a Reply:

  1. Sizenando Silveira Alves disse:

    Eu tive a oportunidade de assistir a produção japonesa, quando tentei aprender o idioma, e digo que é um excelente filme. Vale 5 bostinhas fácil, fácil.

  2. João Domingos disse:

    O filme é maravilhoso.Acho que o crítico merece 5 bostonas, pois não entendeu nada.Não deve ter amigos, é um coitado.Dá pena de vc Eduardo,Aliás, Frota é um bom sobrenome pra vc, pois lembra seu alter ego o ator ponô alexandre.Vc merece pena por não ter entendido nada.