Cinemerda

Três filmes que merecem a atenção da M… chegam ao circuito nesta sexta-feira. Sentindo cheiro de merda, escalamos três críticos de M diferentes para fazer as resenhas desses longas. Um dos textos, sobre The Spirit – O filme, escrito pelo jornalista especializado em cinema André Gordirro, chega só semana que vem. Mas hoje, antes de irem ao cinema e serem surpreendidos por merdas na tela, vocês já podem ler, no post abaixo, a crítica de Pagando bem, que mal tem?, por Ulisses Mattos, e do terror Alma perdida, neste post.

Para Alma perdida, contamos com a primeira resenha do fotógrafo e artista plástico Beto Roma, fã do gênero. Beto já tinha sido chamado para dar uma assistência ao crítico Eduardo Frota no remake de Sexta-Feira 13 e Dia dos namorados macabro 3D. Como Frota se recusou a ver este filme, por motivos não revelados, Beto topou fazer seu próprio relato, aproveitando sua bagagem para dar pitacos sobre mais uma produção feita para dar sustos na platéia:

ALMA PERDIDA… TEMPO PERDIDO

Fui chamado, mais uma vez, para participar de uma sessão de cinema de terror. Fanático que sou, topei na hora! Só que desta vez em vôo solo, pois há os que temem a crise, os que temem o Lula e os que temem os fantasmas. Alma perdida, longa dirigido por David Goyer (diretor assassino da cine-série Blade), passa 90 minutos chupando referências óbvias e nada originais de clássicos como O exorcista, A profecia e outros.

A trama tem início com uma menina, traumatizada pela morte da  mãe, que começa a ver vultos e a ter alucinações, fenômenos que a levam a descobrir um passado de maldições, experimentos nazistas e familiares há muito esquecidos.

Buscando saídas fáceis de estilo e filmagem, o diretor bota logo de cara um cão com cara de malvado para dar um clima de suspense. Ora bolas. Cachorros, velhos e criancinhas só funcionam, hoje em dia, em publicidade. Já vi muito disso! “Oh, Damien! Cadê você? 666!”

Furos de roteiro? Nenhuma novidade, mas aqui eles abusam da boa vontade com criancinhas demônios chamadas de Jumby! Rompi em risos no meio da sessão quando ouvi o nome, que me lembrou imediatamente aquele personagem de massinha, o Gumby – recordam?

Lentes de contato azuis e cinzas, à moda David Bowie, dão até um visual interessante ao filme, mas fica só nisso. Um desperdício, pois o que poderia salvar o longa é pouquíssimo explorado. Joseph Mengele e os experimentos nazistas ficam em segundo plano, dando mais espaço a cenas em câmera lenta e trilha sonora típicas dos filmes de Michael Bay, que produz esta bomba, deixando um final bem manjado para uma possível seqüência.

Porém, nem tudo está perdido. O filme vale pelo pitéu Odette Yustman - que infelizmente só protagoniza cenas de calcinha e sutiã, nunca nua - e pela presença (discreta, diga-se de passagem) de Gary-Sid-Vicious-Comissário-Gordon-Oldman, excelente ator que consegue se destacar e dar vida a personagens únicos até mesmo em filmecos pretensiosos como este. Tem também o James Remar, já coroa, que não mostra mais o vigor e a sede de personagens clássicos como Ajax (Selvagens da noite) e Albert Ganz (48 horas). Por sinal, onde ele estava durante quase todo o filme que nem viu o que aconteceu com a sua filha?

Espelhos falam, tremem e mostram fantasmas. Putz, só faltava o Candyman! Ataque de riso 2: lá para o final, há uma cena de possessão que é digna de filmes trash de zumbi. Em resumo, Alma perdida conta uma história de filme B das mais fracas com roupagem hollywoodiana. Minha nota? Diarréia!

Cocô-tação: 5 bostinhas (máximo de 5 bostinhas, para os piores)

(Beto Roma)