Chama o Raul

Estréia esta sexta, em todo o país, o remake de O dia em que a Terra parou. A nova versão do clássico de ficção científica de Robert Wise, filmado em 1951, traz Keanu Reeves no papel do ET que vem ao planeta para bater um papo com os humanos e acaba complicando todo mundo. Tem muita gente querendo conferir a produção, mas nosso Crítico de M da vez, Ulisses Mattos, não teve uma boa impressão do filme, que também não agradou muito no mercado internacional.

“A escalação do ator principal não bateu bem e o mau uso da mensagem ecológica dá um tom bem esquisito ao filme, que é cheio de sentimentalismo barato”, diz Ulisses em sua resenha:

O dia em que a Terra parou e deu vontade de pedir pra descer

A nova versão de O dia em que a Terra parou não chega a ser um fracasso absoluto. Temos ali bons atores, boas interpretações, bons momentos de tensão (no comecinho da história), boas críticas de situação e bons efeitos especiais, mas também algumas boas merdas. E são daquelas merdas que acabam se ressaltando quando o filme tem produção caprichada e é cercado de expectativas.

Pra começar, um erro grande foi o de escalação de atores. Tá certo que para o personagem principal – Klaatu , o alienígena que chega à Terra e leva um balaço no peito logo de cara, pra ficar mais esperto –, a trama pedia um ator com um rosto não muito expressivo; um cara que, mesmo tentando, não conseguisse passar muita emoção. Mas só há Keanu Reeves com essa característica em toda Hollywood? Fica impossível não pensar em Matrix na cena em que ele se comunica com outros indivíduos através dos fios que estavam conectados a ele, ainda mais com o efeito especial empregado no filme, com a câmera viajando por dentro das fiações. Na mesma hora você pensa “Ih, é o Neo?!! Ele também se conecta à maquina para virar super-herói??”.

É claro que o espectador não vai ficar confuso e achar que está vendo outro filme, mas desconcentra, tira o foco, mesmo que por instantes. Ainda mais depois que o personagem sai triunfante de uma instalação cheia de agentes de segurança caídos no chão. Puro “Matrix revival”. Também pode acontecer de a platéia ver o filho do Will Smith – escalado como o garoto pentelho da história –, se espantar com o cabelo do moleque e pensar em O predador, outro filme com alienígena.

Outra coisa que incomoda e leva a mente para outro lugar é quando a personagem da atriz Jennifer Connely – é incrível como as CDFs com PhDs e MBAs estão cada vez mais lindas no cinema – solta a promessa “We can change”, mais de uma vez, cheia de esperança. Parece que a qualquer momento vai surgir uma foto do Obama, em um cartaz com seus slogans “Yes, we can!” e “Change”.

Mas isso não é tanto o que estraga ao longa. O mau uso da mensagem ecológica dá um tom bem esquisito ao filme. Na primeiro filmagem, de 1951, dirigido por Robert Wise, o alienígena vêm à Terra para avisar que a gente está pegando pesado com as agressões mútuas, com essa coisa de construir bombas atômicas, com Guerra Fria, etc. E que se a gente não parar de briguinha, vai todo mundo dançar. Agora, a mensagem é outra: estamos destruindo a Terra e temos que parar com isso, pois há poucos planetas no universo capazes de sustentar vida complexa. Se não pararmos com nossas cagadas, vamos ser sumariamente eliminados para dar uma nova chance ao planeta. Como aponta o crítico americanos Roger Ebert, é de se admirar que os ETs não saibam que a Terra pode muito bem sobreviver ao que estamos fazendo a ela, depois que formos extintos pelas nossas próprias barbeiradas com o meio ambiente.

Em todo caso, os diálogos se perdem no meio de apelos bobões e sentimentalismo barato, que surgem com repetições de lições de moral, frases feitas e a incrível revelação de que há algo que pode fazer valer a pena salvar a Humanidade (e não estão se referindo à  eleição de Obama). Precisamos de conscientização ecológica? Sim, claro. Mas com um discursinho desses, fica difícil convencer os mais céticos e cínicos. Era melhor terem mandado o Klaatu com o corpo e os slides de PowerPoint do Al Gore.

COCÔ-TAÇÃO: 2 bostinhas (máximo de 5 bostinhas, para os piores)

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  1. Pan disse:

    Com eu dormi em todos os matrix, não terei esse revival.
    Mas eu desde o começo achei a contratação do Reeves boa, justamente por isso. Ele definitivamente não é humano, o que explica a boa merda de ator que é.

    De qualquer forma, vou ver pra falar mal depois.