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Mulheres nuas...

setembro 3, 2009
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burka Temos vagas

Por Odisseu Kapyn *

Deve haver algum erro nas estatísticas que dizem que a taxa de desemprego vem aumentando. Pelo menos entre o sexo feminino, nunca houve tantas ofertas de trabalho. Uma rápida olhada numa banca de jornal contabiliza nada menos que 11 revistas de mulher pelada. Isso mesmo. Mais do que os dedos da mão podem contar, se não estiver ocupada. Se em décadas anteriores tínhamos apenas a Playboy, a Ele & Ela, a Status (aquela do marcianinho) e mais uma ou duas revistas de nu feminino, hoje contamos com uma infinidade de delas. São as Playboys genéricas. É um mercado que se abre cada vez mais para as mulheres, e vice-versa. E o mais impressionante é que estamos em plena era do fácil acesso à internet e seus infinitos sites eróticos ou pornográficos. Nem seria preciso comprar uma revista para se matar a constante saudade de uma bela genitália. Bastaria se conectar à WWW – Women Wide Web, a grande teia de aranhas. Ainda assim proliferam os títulos que devassam o corpo das mocinhas de nosso país, oferecendo um incrível sem-número de vaga para seios, vaga para vaginas e vaga-bundas. E não venham dizer que é preciso ter grandes qualificações para se candidatar a essas vagas. Há oportunidade para os mais diferentes tipos de currículo, sem trocadilhos (ou com, tanto faz). Os anúncios que essas revistas devem publicar para recrutar profissionais devem ser mais ou menos assim:

LIBIDO:
Revista de nome óbvio procura moças com objetivos também óbvios para trabalho sem penetração. Vantagens: temos poucos leitores, o que diminui a chance de você ser reconhecida pelos seus parentes lá do interior.

MAN:
Revista com título inglês que poderia ser confundido com nome de publicação para gays oferece vaga para mulheres. Aceitamos também travestis para posterior eliminação de detalhe em photoshop.

SEX WORLD:
Revista com nome enganoso, que sugere e não mostra sexo explícito, aceita mulheres para ousados ensaios. Oferecemos extras caso haja interesse de levar o título a sério com membros da diretoria.

CHIC:
Revista recruta profissionais para fotos sem moralismo. Favor não confundir o significado do título da publicação, ou seja, não comparecer em dias de menstruação.

BUTTMAN:
Publicação de famoso empresário americano está investindo em profissionais da região. Fazemos grandes operações com fundos. Damos oportunidades para crescimento na área, com participação no mercado de vídeos.

PRIVATE:
Revista com décadas no mercado abre vagas para moças desinibidas. Escolhemos o seu nome fictício e bolamos seus depoimentos picantes para o texto que acompanha as fotos, para poupar seus neurônios.

BRAZIL:
Publicação de forte sentimento nacionalista oferece vagas para você que quer mostrar ao mundo a beleza da mulher brasileira. Não temos equipe de maquiagem. Comparecer já com manchas roxas e chupões disfarçados.

HUNTER:
Revista caçadora de talentos recebe currículos com fotos. Valorize sua carreira. Mostre suas fotos na revista aos clientes nos termas e cobre mais por seu trabalho.

ELE & ELA:
Revista que já foi a grande alternativa para mulheres sem cacife para posar para a Playboy procura mulheres dispostas a ganhar cachê mediano. Contate-nos agora. Aumente seu valor junto às agências de prostituição de luxo.

SEXY / SEXY ESPECIAL:
Atenção, celebridade ignorada pela Playboy ou que pediu demais para a revista do coelhinho e ficou na mão. Aqui está sua chance de comprar um apartamento ou um carro zero. Não deixe a fama passar. Procure-nos já e aproveite ao máximo a chance de lucrar com sua popularidade.

TRIP:
Você, modelo que quer estourar de vez no mercado. Temos um lugar pra você. Fazemos seu ensaio sem mostrar genitália. Damos preferência a mulheres que tenham alguma profissão que sirva de fetiche para nossos leitores moderninhos e de classe alta. Também podemos contratá-la para alguma vaga na revista no fim do ano, só para que possa posar no ensaio das funcionárias da empresa.

PLAYBOY:
Publicação multinacional procura mulheres famosas para nus artísticos. Não é preciso estar no auge da forma. Temos alta tecnologia e técnicas de retoque. Aceitamos também ensaios sem genitália ou mesmo pêlos pubianos. Temos convênios com vários programas de televisão, garantindo sua presença na mídia por meses. Também aceitamos moças de beleza superior ainda não-famosas, que queiram valorizar seu passe junto a grandes empresários e fazendeiros. Aceitamos simulações de descuido em aparições públicas, para elaboração de fotos que mostram parte dos seios e calcinhas.

Publicado em junho de 2003, no site Cocadaboa.com

* Odisseu Kapyn atendo no Twitter como @ulissesmattos.

Cartilha...

agosto 20, 2009
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pikashu

Guia de respostas para a Geração Pikachu

Por Odisseu Kapyn

Quantas vezes você se pega pensando em quanto sofrimento poderia ter evitado se soubesse o que fazer na hora certa? Desde seu nascimento, as coisas poderiam ter sido muito melhores se você já soubesse como agir nos momentos de dúvida. Quando você saiu da barriga da sua mãe, poderia ter evitado ir para aquela palmada do médico se fizesse um sinal de que estava tudo bem, fazendo um sinal de O.K. com seu polegar. Quando bebê, poderia ter evitado aquele constrangimento de ficar com a fralda toda suja se tivessem te falado que era só tirar a roupa e engatinhar até o jornal do cachorro e se aliviar ali mesmo, já que você não alcançava ainda o vaso sanitário. Quando estava entrando na adolescência, poderia ter evitado a sensação de impotência diante da gargalhada de um colega seu que conseguiu a resposta que tanto queria ao lhe perguntar se você conhecia o Sunda. E não foi só o Sunda. Na semana seguinte, teve o Locha. E um mês depois, quando você já se achava esperto, teve o Mário, aquele que te carcou num lugar que você nem sabia que era possível ser usado para sacanagem. Se você, leitor menor de idade, ainda está nessa terrível fase em que pode ser vítima de perguntinhas idiotas, não se aflija. Preparamos para você um manual básico para se safar das brincadeiras dos amiguinhos metidos a engraçados. De agora em diante, sua vida vai mudar para melhor. Ninguém mais vai te fazer de otário e todos vão te achar um ser sábio e cheio de potencial. É só seguir as instruções diante das perguntas abaixo e garantir um futuro cheio de glórias:

O que a baleia faz no teu cu?
Essa é uma das mais velhas brincadeiras e já está caindo em desuso. Mas tem sempre alguém disposto a usá-la. O primeiro impulso é responder “Nada!”. É isso que seu colega quer que você diga. Com essa resposta você estará dizendo que é homossexual, pois tem um grande ânus o­nde até uma baleia pode nadar. O melhor a ser dito é “Fica de fora”. Aproveite que seu colega ficou surpreso com sua malandragem e pergunte a ele “Aliás, você tem pentelho no cu?”. Se ele disser que tem, diga a ele “Fui eu que plantei”. Se ele disser que não, diga “Fui eu que tirei”. Você já não será mais visto como o mais idiota da turma.

Que time é teu?
O adversário quer que você diga o nome de um time. Quando você responder “Flamengo” (ou qualquer time inferior), ele vai rir e dizer para todo mundo que o time inteiro do Flamengo “te meteu”. Conseguiu entender a relação entre “time é teu” e “te meteu”? Sim, a pronúncia deixa tudo muito confuso. Mas há uma saída. Basta você responder “Bateu na trave entrou no teu”. Normalmente, os outros colegas que estão por perto e ouvem isso chegam a urrar para saudar a inteligência da resposta. Agora você terá direito de bater no garoto mais bobo do grupo.

Você está num navio com seu cachorrinho chamado Nabunda. O barco afunda. Você leva Nabunda ou deixa Nabunda?
Aqui, seu colega acha que te encurralou bonito. Não há escapatória! Você vai acabar dizendo que leva ou deixa na bunda. No momento de angústia, você pode até dizer que “leva Nabunda” pensando que levar é melhor que deixar, já que quem deixa está gostando. Mas calma, aí! Há um jeito de sair por cima! A resposta certa é “Nabunda nada”. Diga essa frase com calma, explicando que o cachorro é inteligente e sabe nadar. O resto da turma vai ter certeza de que você é o cara mais esperto entre eles e você terá, automaticamente, autorização para pegar a irmã de qualquer um deles.

E qual é o aumentativo de dacueba?
Se liga, rapaz! A palavra “dacueba” não existe em dicionário nenhum. Trata-se apenas de um jeito sórdido de tentar você falar “dacuebão”, que soaria como “dar cu é bom”. Assim que você falar isso, todas as outras resposta inteligentes que você deu antes irão por água abaixo. Mas, calma. Tudo vai dar certo. O primeiro método de evitar o golpe é dizer “dacuebaço”. Mas existe ainda um contra-golpe. Ao ouvir o desafio, faça uma cara confusa e murmure algo propositalmente incompreensível, e num tom de voz abaixo do audível. Algo como “toviassu”. Quando seu oponente perguntar “o quê?”, diga em alto e bom tom: “Todo viado é surdo!”. Será a glória. Seu prestígio entre a galera está cada vez mais sólido. Seus amigos sempre vão te escolher entre os primeiros na hora de formar um time para jogar uma pelada. Jamais vai ser barrado no primeiro jogo, para fazer a de fora. E mesmo quando você jogar mal, ninguém vai te dar esporro.
Obs.: Esse processo serve também para o caso do “pirueba” e suas variações.

Meu pai está pensando em fazer um churrasco. Com 30 quilos de carne dá pra 20 comer?
Cuidado! Esta é perigosa ao extremo. O malandro à sua frente quer que você pense “Se cada pessoa come menos de um quilo de carne, 30 quilos são o bastante para 20 comerem”. Aí você responde “sim” e vira um otário. Na verdade, ele está perguntando “Com 30 quilos de carne dá para vim te comer?” Sim, há um erro gramatical nessa frase, pois o certo seria “vir te comer”. Mas ninguém vai ligar para isso quando você disser “dá, sim!”. Então jamais diga isso, nem acene a cabeça que sim. Diga “Acho que não. Mas também não sou bom de contas. Como você, certo?” O cara vai ficar confuso e vai acabar dizendo “certo”. Nesse caso, foi você que o fez de trouxa. Perceba que sua última frase pode ser interpretada como “Eu como você, certo?”. Se seus colegas não perceberem, chame a atenção para o fato. Você é quem manda agora. Quando aquela gordinha que todos seus vizinhos pegaram aparecer grávida, todos vão livrar sua cara. Mesmo que pelos cálculos você seja o mais suspeito de ser o pai da criança, seus amigos vão dizer que o filho pode ser de qualquer um deles, menos seu.

Você chegou há pouco de fora?
Outra pegadinha fonética. Não se engane ao ouvir isso assim que tiver chegado a uma festa. O inimigo não quer saber se você acabou de chegar da rua. Ele está perguntando mesmo é se “você chegou a pôr o cu de fora?”. Também temos um jeito para te livrar desta. Primeiro responda “Não”, de um jeito bem surpreso, como se fosse impossível essa hipótese. Depois pergunte “Você está louco hoje?”. Se você, não percebeu, você está perguntando se ele “estalou o cu hoje”. Ele vai ser pego desprevenido e vai pensar por instantes em como responder a esse truque. Na verdade, não há como ele se enrolar, pois ele jamais responderia “estalei”. Mas a coisa é tão simples que ele vai suspeitar que a resposta mais óbvia seja um jeito de ser sacaneado. Aproveite os breves segundos de indecisão e diga algo como “não lembra mais, né?”. É bobo, mas nesse ponto o cara já está fragilizado por você não ter caído na gracinha dele e o resto da galera vai aproveitar e sacaneá-lo também. Afinal, você já se tornou o cara mais maneiro do grupo. Você já não paga nenhuma cerveja que bebe com os amigos, pois ninguém acha justo te cobrar a dívida.

Qual o nome do carro do Speed Racer?
Este pode ser um teste de fogo. Speed Racer é um desenho japonês antigo, que fez muito sucesso e foi recentemente reprisado na TV aberta em algum horário obscuro. Se alguém lhe fez esta pergunta, é porque sabe que você é ligado em televisão e em suas navegadas pela intenet ou assistindo a programas de tarde na TV já ficou sabendo o nome do carro. A tentação de provar seu conhecimento vai ser enorme, mas jamais, jamais mesmo, responda “Mach 5″. O nome do carro de Speed Racer é a senha para o seu rival dizer “Mete cinco? Então toma!” e enfiar cinco dedos entre suas nádegas. Além da desagradável sensação (ainda mais se você estiver usando calça de moleton), você voltará a ser o mais mané da turma, pois todo seu currículo não resistirá a um tropeço duplo. Você terá sido agredido no plano das palavras e no plano físico. Há uma forma de tentar sair por cima dessa. É uma manobra difícil e vai depender de seu talento performático. Diga “Não sei. Era Trovão Azul?”. Estamos supondo que como o cara sabe o nome do carro do Speed Racer, também é um aficionado pelo gênero. Dizer que não sabe o nome do veículo do ás do volante e ainda confundir com o nome do helicóptero de outro seriado de TV vai tirar o sujeito do sério. Ele vai abrir a guarda e exclamar: “Não! Mach 5!”. Nesse momento diga “O quê? Meter cinco? É pra já!” e rapidamente insira seus dedos na direção do orifício anal do rapaz. A humilhação será dantesca e ele nunca mais se atreverá a tentar lhe passar a perna. Não é necessário dizer que você é agora o maior herói de todos seus amigos. Você não precisa mais fazer faculdade. Deixe que todos seus colegas estudem, tirem diploma, montem seus escritórios ou suas próprias empresas. Eles com certeza vão te chamar para ser seu “homem de confiança”, o “seu braço direito”. Vão achar que um homem como você não precisa de estudos e que aliás você era muito inteligente para se sujeitar ao esquema retrógrado que rege as faculdades. E aí seus velhos amigos vão brigar para te ter como assessor. Escolha o camarada que lhe oferecer o melhor salário e a secretária mais gostosa.

Texto publicado em setembro de 2001, no Cocadaboa.com

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Pavê ou pra ler?...

agosto 20, 2009
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paveTrocadalhos

Por Odisseu Kapyn

Eu costumava dizer que não existe trocadilho ruim, assim como não existe pizza ruim. Mas começo a mudar de opinião. Não quanto às pizzas, mas quanto aos trocadilhos. Na verdade, o problema não reside exatamente nos trocadilhos, mas sim no uso que as pessoas fazem de alguns deles. É algo meio “diga-me de que trocadilho abusas e te direi quem és”. Cheguei a essa conclusão depois começar a me dedicar à suprema arte do Aikidô. No início, procurei me preparar para os trocadilhos infames. Depois resolvi relaxar, pois pensei que o povo brasileiro já estava pronto para ouvir essa palavra sem falar gracinhas, afinal já atingimos a maturidade para conseguir, por exemplo, derrubar um presidente de forma democrática ou nos revoltarmos contra o Canadá no episódio das vacas loucas. Pensei que os primeiros comentários de alguém que soubesse que estou aprendendo Aikidô fosse “Ah, é aquela luta do Steven Seagal, né?”. Ledo engano, caros leitores.

Logo as pessoas vieram com os dois trocadilhos mais bestas que poderiam fazer. O primeiro tem conteúdo sexual, que é relacionar Aikidô com a expressão “Ai-que-eu-dou”, fazendo uma insinuação de que essa luta na verdade é uma forma de confessar sua homossexualidade. Há, há, há. De novo. Há, há, há. Deveria eu dizer “vou rir para não perder o amigo” ou ainda mostrar minha mão direita ao colega e pedir que ele escolha um dedo para que eu use para roçá-lo em minha axila esquerda de modo que eu ria. Ou mesmo fingir que tenho uma manivela do lado do meu tórax e rodá-la, imaginariamente acionando meu mecanismo de risos? Pelo amor de Deus! Que tipo de trocadilho é esse? E o pior é que minha mãe outro dia me telefonou aos risos para dizer que viu naquele horroroso programa humorístico Zorra Total, naquele quadro do pai que tem um filho gay, que o personagem boiola dizia que gostava de praticar, Tae-kwon-dô, Judô, Aikidô, ou qualquer outra coisa que tenha “dô”. É para isso que estão pagando os roteiristas da Globo?

O outro trocadilho que fizeram era mais deprimente, pois nem sacanagem tem. É comparar a palavra Aikidô com a expressão “Ai-que-dor”, como se o praticante da modalidade vivesse com dores pelo corpo. Que patético. Foi duro ver gente que eu achava inteligente lançando mão desses trocadilhos que, tenho certeza, serão os primeiros feitos pelos chimpanzés quando eles aprenderem a falar. Será que ninguém vê que essas associações vocabulares são tão bobas quanto aquela que fazem com a palavra “pavê”. Os cientistas já comprovaram que existe uma forma mais rápida de se fazer um teste de Q.I. do que aqueles cheios de figuras geométricas e seqüências numéricas. Basta oferecer um pavê para alguém. Se ele perguntar “é pá ver ou pá comer?”, pode classificá-lo como um ser abaixo da média intelectual. O mesmo quase acontece com a palavra peru, que tem sutilezas em seus variados usos. É aceitável a utilização de trocadilhos quando estamos nos referindo ao país. Para comprovar isso, tivemos o recente emprego do trocadilho no Casseta & Planeta, Urgente!, numa piada sobre o empate da Seleção com o time do Peru. Foi algo como “o Peru enfiou no Brasil, e o pior é que foi de cabeça”. Não chega a ser brilhante, mas funciona. No entanto, usar o trocadilho para a ave em ceias de Natal ou Ano Novo lotadas de parentes demonstra fraca capacidade humorística. Quem ainda ri daquelas brincadeiras do tipo “vamos comer o peru de quem?” ou “ué, cadê a cabeça do peru?” ou ainda “gente, o peru do Fulano é tão duro” ? Sim, existem muitas famílias pelo Brasil adentro que solta essas frases como se tivessem sido criadas naquele instante.

Mas este é mesmo um país de contrastes. Ao mesmo tempo em que nossa população comete esses trocadilhos, temos uma parcela do povo que é capaz de criar trocadilhos de frases, que são mais complexos do que os trocadilhos de palavras. Alguns são feitos só para determinado momento da sociedade e não serão passados para a frente, sendo poupados do desgaste. Foi o caso da época em que o Sting resolveu aparecer mundialmente, vindo para o Brasil lutar ao lado do cacique Raoni pelas florestas e os índios. Lembro que então ouvi a piada “sabe o que os índios estão dizendo? Se a gente não se raoni a gente se sting”. Muito interessante as associações reunir-raoni e extingue-sting. Simples e eficaz.

Existiu outra também que contou com a ajuda do destino. Talvez alguns de vocês se lembrem que ex-presidente doido varrido Jânio Quadros, uma vez perguntado por que bebia, declarou com seu português refinado e cheio de mesóclises: “bebo porque é líquido, se fosse sólido comê-la-ia’’. Calma, isso não é o trocadilho ainda. Precisamos de outro ingrediente. Talvez vocês também se lembrem que uma prima em 17º grau de Jânio resolveu posar pelada pra Playboy, que usou como propaganda o parentesco com o político. Para apresentarmos finalmente o trocadilho que ocorreu na época, é bom lembrar que a esposa de Jânio se chamava Dona Eloá. O trocadilho é o seguinte:

Perguntaram (de mentirinha, é claro) ao Jânio o que ele achava de sua prima posando nua. A resposta (de mentirinha, também): “Se eu fosse jovem, comê-la-ia. Como sou velho, como Eloá”. Sensacional! Foi Deus que fez Jânio se casar com uma mulher chamada Eloá e fez com que ele fosse um cachaceiro e que botou na cabeça dele essa mania de falar um português arcaico. Tudo para que um dia um gaiato qualquer bolasse esse trocadilho único. É isso que me faz livrar a cara de Deus e acreditar que ele não deve ser injusto. Afinal, alguém que mexe as pecinhas do mundo para que um trocadilho assim aconteça deve ser um cara legal no final das contas.

Mas Deus nem sempre ajuda. Já tentei criar dois trocadilhos que não foram para frente. O primeiro foi na época em que Roberta Close, já operada e livre de seu pênis, teve um livro biográfico publicado. A edição tinha fotos de diversas fases de sua vida. Então andei dizendo que “o livro de Roberta Close tem fotos picantes e depois”. Não foi todo mundo que percebeu a sugestão de que “fotos picantes” significava “fotos com pica antes”, ou seja, “pica antes da operação”. E quem entendeu não achou engraçado. Não faz mal, não é tão boa assim mesmo.

Recentemente tentei fazer outro aproveitando essa o­nda de chamar alguém de gay dizendo “esse cavalo é égua” ou “essa Coca-cola é Fanta”. Lancei o “esse Júnior é Sandy”. Algumas pessoas gostaram, mas ainda não vi ninguém usando. Tenho a impressão de que não vai pegar. Tudo bem. Tenho como consolo aqueles conhecedores de vinho, que sabem dizer a marca e a safra de uma bebida só tomando um gole e não sabem fazer nem um vinho do tipo Sangue de Boi.

Texto publicado em maio de 2001, no site Cocadaboa.com.

Para o alto e avante...

julho 30, 2009
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tothtaweretSupermito

Por Ulisses Mattos, o Odisseu Kapyn

Em 2500 A.C., ou seja, há cerca de 4500 anos, havia povos que acreditavam em seres meio esquisitos, sendo que muitos deles eram até cultuados como deuses. Uns eram uma mistura de lobo com gente, outros tinham cabeça de touro e corpo de marombeiro, alguns tinham cabelos com cobras e transformavam todos em pedra e daí por diante. Eles acreditavam também que algumas criaturas eram as responsáveis pelos trovões, pela caça, pelo fogo, pela beleza etc.

Tá certo que hoje em dia, o pessoal de hoje acredita em santos, pastores exorcistas, duendes, gnomos e feng-shui. Mas ainda dá para a gente se sentir superior intelectualmente àquelas civilizações que levavam fé em Medusa, Zeus, Hermes, Loki, Ciclope, Apolo, Ísis, Fausto, Minotauro, Macário, Anúbis, Palas Atenas, Afrodite, etc. Mas não dá pra saber se daqui a 5 mil anos, os habitantes da Terra vão nos achar muito diferentes daquela galera que tinha medo da ira de Odin, Zeus, Rá ou Júpiter. Não sabemos em que condições nossos restos culturais e literários vão chegar ao futuro.

Sabe-se lá se a crença dos antigos gregos, egípcios, romanos e nórdicos em divindades e semideuses era pra valer? Não podia ser apenas obra de ficção ou conversa pra fazer criança dormir? Não duvido que no ano de 7000 depois de Cristo, após algumas guerras e governos totalitaristas que apagarem alguns registros históricos – como no livro 1984, de George Orwell – , nossos descendentes possam pegar revistas em quadrinhos e fazer uma análise ridícula do povo que inventou os computadores:

“Nos séculos 20 e 21, o povo acreditava em seres míticos, com superpoderes. A fé do povo que criou os primeiros aparelhos eletro-eletrônicos comportava criaturas com força sobre-humana, garras de metais indestrutíveis, visão de raio-X, invulnerabilidade, intangibilidade, teletransporte, telepatia, supervelocidade, telecinésia, invisibilidade, pirotecnia, metamorfismo e rajadas óticas, entre outras capacidades físicas ou intelectuais que as colocavam acima dos sonhos da humanidade.

Havia grande culto a esses seres. O maior veículo para a disseminação da fé nessas criaturas eram pequenas bíblias publicadas periodicamente narrando os feitos e mudanças nas vidas dessas divindades. Eram uma espécie de revista feita em papel colorido, com diálogos escritos em balões, que supostamente davam o poder de fala às criaturas. Os crentes eram obrigados a pagar valores estipulados nas próprias capas da publicação, que eram coletados e enviados aos sacerdotes responsáveis por manufaturar os salmos.

Algumas divindades mais populares, com maior número de devotos, apareciam em produções animadas. Algumas em desenho, que eram apresentadas nos modelos rudimentares de comunicação, que eram chamados de televisão. Assim as doutrinas pregadas pelas criaturas chegavam diretamente ao lares do público. Outros desses seres chegavam ao requinte de terem obras exibidas em grandes telas de projeção em duas dimensões, em templos que recebiam centenas de fiéis que lotavam o estabelecimento, o­nde entravam em uma espécie de catarse, gritando, gargalhando e até chorando com o que era mostrado. Para gravar as imagens em película ou em sistemas eletromagnéticos e digitais, eram usados médiuns que incorporavam as divindades. Há registros de pessoas que não suportaram o peso de “receber os santos”, como diziam na época, e foram punidos por ganharem fama e dinheiro com sua missão de representar as divindades. Um deles foi o médium Christopher Reeves, que ficou paraplégico ao cair de um animal quadrúpede que existia na época.

Reeves era conhecido por encarnar um dos deuses mais poderosos da época, o Super-Humano, que teria sido trazido dos céus para viver escondido entre os humanos. O Super-Humano tinha superforça, voava, não era perfurado por projéteis metálicos, conseguia ver através de objetos sólidos e tinha supervelocidade. Seus fiéis acreditavam que ele era capaz de fazer o tempo voltar ao voar em sentindo contrário da rotação da Terra. Como outras divindades, o Super-Humano sofria com dramas pessoais. Ele sofria por amar uma humana, que era jornalista _ profissional que divulgava fatos ao público, antes do advento da popularização da rede mundial de computadores, que acabou com o monopólio da notícias pelas empresas de comunicação. Ainda no início do século 21, o Super-Humano era chamado de Super-Homem, mas seu nome foi mudado por pedidos da emergente classe homossexual, que considerava a antiga denominação homofóbica, opressiva e preconceituosa.

Outra das divindades populares na época era o Humano-Roedor-Voador, que apesar de não ter superpoderes era protegido por um deus-animal chamado morcego, espécie hematófoga hoje extinta. As mulheres, mesmo as mais céticas e desconfiadas, eram devotas da Fêmea-Maravilha, uma deusa que distribuía a verdade através de um laço mágico. Tanto a Fêmea-Maravilha quanto o Humano-Roedor-Voador e o Super-Humano eram de uma ordem religiosa conhecida como DC. Outra corrente de fiéis se autodenominava Marvel, muito embora houvesse um sincretismo religioso, com seguidores de ambos os templos louvando seres do outro movimento. Os marvelistas acreditavam em seres como o Aracnídeo-Humano, que tinha os poderes concedidos por uma aranha sagrada, e o Carcaju, um ser bestial com garras metálicas que era cultuado por humanos de baixa estatura e enfermos, que acreditavam em seu poder de cura.

Psicólogos e teólogos até hoje estudam como a civilização que nos deu a eletrônica, a informática, a ciência atômica, a indústria do entretenimento e o telemarketing era ingênua a ponto de acreditar na existência dessas criaturas. Os estudiosos também buscam incessantemente a causa da decadência da crença nos superseres, que sucumbiu diante da ascensão do culto às celebridades. Principalmente depois que os salmos de Caras, Quem e Contigo passaram a narrar os feitos da Sábia Xuxa; Sasha, a messias; Sandy, a Mãe-Virgem; Szafir, o santo inseminador, pai dos sete escolhidos; e outros vultos da religião do século 21″.

Publicado originalmente em outubro de 2002, no site Cocadaboa.com.

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Cinta-liga da justiça...

julho 30, 2009
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super-heroisOs Problemas Sexuais dos Super-Heróis

Por Ulisses Mattos, o Odisseu Kapyn

Por serem muito lidas por crianças e jovens que ainda estão se iniciando na vida sexual, as revistas em quadrinhos nunca foram muito fundo ao mostrar a vida íntima dos super-heróis. Mas é sabido que a maioria das pessoas tem algum problema nessa área. Pode ser ejaculação precoce, impotência, frigidez, membro diminuto, pouca lubrificação e até taras esquisitas envolvendo animais, anões e excrementos. Engana-se quem acha que os super-heróis nunca enfrentaram problemas sexuais. Pelo contrário. Eles têm superproblemas sexuais. Como não conseguem ter uma vida erótica satisfatória, procuram se realizar fora da cama, caçando e combatendo exaustivamente os vilões e ameaças da humanidade. Veja alguns casos de disfunções sexuais de nossos protetores:

Super-Homem – Pobre Kal-El. Único ser de sua poderosa raça. Super-homem é praticamente um homem virgem. Na adolescência, quando seus poderes ainda tinham menor intensidade, foi a um prostíbulo de uma cidade perto de Smallville. O jovem Clark Kent não conseguiu terminar o serviço, pois seu vigor deixou a prostituta em coma. Seus pais adotivos até tiveram que subornar a polícia para não prender o jovem alienígena, pois todos acharam que ele tinha estuprado a meretriz diante do estrago feito. Desde aquele dia, Super-Homem teve que se contentar com uma vida dedicada ao o­nanismo. Seu casamento com Lois Lane não envolve sexo. Super-Homem tenta satisfazê-la apenas direcionando seus quentes raios óticos no clitóris da esposa.

Wolverine – O poder de se recuperar instantaneamente de qualquer lesão física é ao mesmo tempo uma benção e uma maldição para o mutante canadense. Um corte em Wolverine cicatriza em questão de segundos. Por essa razão, Wolverine nunca conseguiu ver sua própria glande, que está sempre coberta por uma densa pele. Nenhuma cirurgia de fimose deu jeito, já que assim que o bisturi cortava o prepúcio, ele se auto-reconstituía. Wolverine tem ereção e consegue penetrar orifícios, mas não tem nenhum prazer. Por isso é tão nervoso.

Senhor Fantástico – Reed Richards, líder do Quarteto Fantástico tem um problema evidente com seu corpo elástico. Pode-se perceber que quando seu braço estica, fica sem consistência. O mesmo ocorre com seu pênis, que quando aumenta quando excitado, perde toda a rigidez. Pode-se dizer que o Dr. Richards é fantasticamente impotente. O mesmo mal assola o Homem Elástico, aquele do suspeito colant vermelho.

Batman - Este sombrio herói é obcecado por morcegos. Adora se vestir como morcego, morar como morcego (em caverna) e agir como morcego. O problema é que os morcegos são grandes sugadores. E é assim que o perturbado bem-feitor procura prazer: apenas sugando ou lambendo. Adepto apenas do sexo oral, Batman dispensa penetrações. No começo de suas relações, suas namoradas até ficam felizes com a habilidade oral de Batman, mas logo se aborrecem quando percebem que o sujeito é incapaz de consumar o ato e entrar em cavernas mais apertadas. Ele até consegue sacar alguns brinquedinhos de seu bat-cinto, mas falta calor humano no sexo com o herói. Daí os boatos sobre seu caso com Robin.

Mulher Maravilha – A princesa Diana, antes de vir para o mundo conhecido pela humanidade, vivia numa ilha habitada apenas por mulheres. E é só lá que se sente feliz. Não precisa dizer que Mulher Maravilha é lésbica. Mas isso, como sabemos, não é um problema sexual. Sua dor-de-cabeça é outra. Diana realmente tem dificuldades em encontrar uma companhia estável por causa de seus fetiches. Ela adora amarrar suas parceiras com seu laço e esbofeteá-las como faz com os inimigos. Só que a Mulher Maravilha tem força sobre-humana, o que acaba com seus relacionamentos.

Hulk - As pessoas às vezes se perguntam por que quando o Dr. Banner se transforma em Hulk, todas suas roupas se rasgam, exceto pela parte de cima da calça. A resposta é óbvia. Aquela região não aumenta de tamanho. Para que Hulk fique forte, seu metabolismo concentra toda a dilatação de músculos e circulação de sangue para o tórax, braços e pernas. A virilha, por conseqüência fica atrofiada. O gigante verde é uma piada sem as calças.

Homem Aranha - Peter Parker tinha tudo para deixar as mulheres loucas. Com sua flexibilidade, poderia partir para as posições mais mirabolantes com elas. E com sua habilidade de escalar paredes, poderia até pular com a parceira para o espelho do teto do motel. Seria ótimo por um probleminha. O pênis do Homem Aranha também tem poder de aderência, que fica sem controle quando ele está excitado. No clímax do coito, o herói não consegue mais executar os movimentos de ida e volta, ficando com o membro grudado nas paredes vaginais da parceira. Nas poucas vezes em que conseguiu ejacular, suas companheiras também reclamaram que seu esperma é extremamente pegajoso e não é fácil de ser limpado.

Aquaman - Nosso amigo das profundezas cresceu sem contato com o sexo oposto. As únicas fêmeas que conhecia eram sereias, seres que só são mulheres da cintura para cima e que por isso não têm vagina. Aquaman nunca soube direito o que fazer com seu pênis. Sem conhecer o maior dos prazeres carnais que um homem pode ter, Aquaman acabou sendo atraído para o outro lado da vida. Mas em vez de buscar parceiros humanos  (o machão Namor não ia querer papo com ele), pintou os cabelos de louro e passou a usar seu poder telepático para obrigar que enguias e serpentes marinhas lhe proporcionassem as formas mais ignóbeis de satisfação sexual. Grotesco.

The Flash – Nao precisa explicar muito. Ejaculação precoce.

Meninas Super-Poderosas – Seus problemas sexuais ainda não se manifestaram, já que a garotinhas ainda não tiveram sua sexualidade despertada. Mas todos os sexólogos aconselham as mulheres a conhecerem bem seu próprio corpo antes de partirem para o sexo, descobrindo suas zonas erógenas para mais tarde saberem o que pedir aos parceiros. Em outras palavras, a masturbação é importante para uma vida sexual saudável. Infelizmente, Docinho, Lindinha e Florzinha não têm dedos e jamais vão saber o­nde devem ser tocadas. A não ser que apelem para a prática do fist-fucking, o que deve ser doloroso no início da adolescência.

Texto originalmente publicado em novembro de 2001, no site Cocadaboa.com.

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Eu recomendo...

julho 23, 2009
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garotopropaganda

Garotos-propaganda

Por Odisseu Kapyn

Quem foi o gênio publicitário que escolheu a Xuxa para ser a garota-propaganda do novo Merthiolate? Tá certo que a Rainha dos Intelectos Baixinhos é famosa e tem um séquito de bajuladores que compram qualquer besteira que ela anunciar. Mas peraí! A moça acabou de declarar para todo mundo que acredita em duendes! Como é que eu posso crer que o novo Merthiolate funciona mais do que o antigo – que foi tirado de circulação por ser inócuo -  se quem está me garantindo isso acredita em seres elementais?

Com a escalação de Xuxa, la se foram milhares de saudosistas que estavam dispostos a dar uma segunda chance ao popular remédio. Um erro crasso de estratégia, já que a geração que mais usava o Merthiolate não é a mesma que curte a Xuxa. A não ser que os marqueteiros tenham feito pesquisas que averiguaram que os antigos usuários já estavam mesmo perdidos e que o jeito era pegar uma nova parcela da população. De preferência de mente obtusa. Ninguém se encaixaria melhor nesse perfil do que um fã de Xuxa.

Só pode ser isso. Por trás de cada idiotice da propaganda deve haver um golpe inteligente demais para que seja percebido pelos não-publicitários. Todos aqueles profissionais tão criativos e descolados, que ganham fortunas para arrumar um jeito de fazer merda cheirar a perfume, não podem ser tão bestas. Outra campanha que deve ter algum truque escondido é a do Viagra. O garoto-propaganda escolhido pelos marqueteiros foi um ex-atleta que nega até a morte que tenha impotência. Para tentar evitar ser considerado broxa em escala mundial, Pelé até diz no finzinho do comercial “Fale com seu médico. Eu falaria”.

Por que não escolheram um cara menos orgulhoso de sua vitalidade, um homem já mais velho, que admitisse na boa que tinha voltado ao provar os prazeres do sexo graças ao Viagra? A grana que convenceu o milionário Rei do Futebol a topar posar como impotente enrustido daria para pagar um ator da terceira idade que quisesse manter a aura de símbolo sexual. Um Marlon Brando, por exemplo. Um Tarcísio Meira, talvez. Ou quem sabe o palhaço Carequinha. Mas preferiram dar a campanha pra alguém que não quer dizer que usa o Viagra.

Mas tem que haver algo muito inteligente por trás das escolhas dos garotos-propaganda. Algo realmente brilhante que justifique a decisão de manter a Feiticeira como representante daquele equipamento de malhação eletrificada, mesmo depois de tantos comentários sobre a “deformação” do corpo da modelo. Ou que explique por que escolheram galãs da Globo para anunciar a Kaiser, quando o maior público-alvo da cerveja são os homens que não se encantam pelos atributos dos atores. E por que a Coca-Cola escolheu Romário para sua campanha da Copa se as chances de ele ir ao evento eram reduzidíssimas? Por que o garoto-propaganda das botas ortopédicas Ortopé era um menino com problemas de crescimento, o Ferrugem? Por que a garota-propaganda da C&A é Gisele Bundchen, uma modelo de padrão internacional que jamais usaria uma roupinha comprada nessa loja. Por que o garoto-propaganda da Pepsi era Michael Jackson, um cara que fazia de tudo para se livrar da cor do refrigerante, além de ser cheio de frescuras para respirar, comer ou beber qualquer coisa?

“Eles são famosos e capazes de influenciar os consumidores” não é resposta. E também não aceito um “as campanhas deram certo, pois os produtores tiveram boas vendas”. Qualquer pessoa de qualquer nível de fama, desde um ex-participante de reality-show até um superastro da música, é capaz de exercer influência na população de mentes simples. Eu só queria saber por que escolhem justamente as celebridades que menos se relacionam com os produtos. Acho que vou ter que usar óculos de aros coloridos, roupas moderninhas, gravatas engraçadinhas e cursar um MBA para ver se compreendo.

Texto publicado em janeiro de 2003, no site Cocadaboa.com.

O fim da Maria Chuteira?...

julho 15, 2009
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mchuteiraAmeaça ao ecossistema das celebridades

Por Odisseu Kapyn

É fato que no mundo das celebridades de hoje, os jogadores de futebol são figuras importantíssimas. Há alguns anos, eles não eram tão famosos. Quer dizer, quem se ligava em futebol sabia quem era aquele sujeito se desse de cara com ele ou citassem seu nome. Mas era difícil um cidadão de classe média passar por um jogador na rua, já que os craques muitas vezes moravam mal, em comunidades afastadas. Ganhavam pouco. Mas o tempo foi passando, o futebol virou uma máquina milionária e os caras começaram a faturar mais alto.

Ao mesmo tempo que o esporte bretão se profissionalizou e enriqueceu, o culto às celebridades foi ganhando corpo. Aí, é claro, não tinha como os dois universos se cruzarem, fazendo de alguns jogadores verdadeiros pop stars. Nada contra. Afinal, os jogadores têm muito mais talento do que o sujeito que simplesmente ficou alguns meses falando besteira dentro de uma casa trancada e aparelhada com câmeras escondidas.

Mas hoje os jogadores de futebol estão criando um problema sério de desequilíbrio no ecossistema das celebridades. (mais…)

SACaneie...

julho 9, 2009
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sac

Trabalhar em um Serviço de Atendimento ao Cliente (SAC) passivo de algumas empresas deve ser um dos empregos mais fáceis do mundo. Basta dar uma olhada nas perguntas que chegam uma vez a cada semana e mandar uma resposta padrão, falando das qualidades de seus produtos.  Bem, isso era assim até o dia em que  coloquei esse pessoal para trabalhar de verdade. Enviei a alguns desses departamentos perguntas que certamente fogem do estilo com o qual os funcionários estão acostumados a lidar. Foram mandadas 17 perguntas. Em uma semana, oito mandaram respostas, sendo que um ou outro deram um jeito de escapar da situação para a qual não foram treinados.  O nome usado como autor das mensagens idiotas foi mudado para não alertar os SACs de outras companhias. Também abreviei algumas das respostas muito longas, que só queriam falar bem de seus produtos.

GOODYEAR
PERGUNTA: Um amigo meu disse que os pneus Goodyear só são seguros por um ano e que foi por isso que lhe deram esse nome (Goodyear = Bom ano). Há algum fundamento nesse raciocínio?

Bom dia! Com certeza, quem falou isso estava querendo brincar. O nome Goodyear vem de Charles Goodyear, o descobridor do processo de Vulcanização da borracha, que deu origem ao pneu de borracha. A Goodyear e uma empresa com 104 anos, e esta aqui no Brasil ha 73 anos. Será que se os seus pneus durassem so um ano, ela teria sobrevivido tanto tempo?
Os pneus tem 5 anos de garantia contra defeitos de fabricação (…)
Espero que a sua duvida tenha sido esclarecida.

Atenciosamente,
Renata M. Badin
SAC-Goodyear

KODAK
PERGUNTA: Quero tirar algumas fotos íntimas com minha namorada, mas temo que quando elas forem reveladas algum funcionário do laboratório possa copiá-las. Existe alguma forma de evitar isso? Tenho também outra dúvida. Existe algum truque para que certas partes do corpo pareçam maiores quando fotografadas?

Prezado Sr. Odisseu,
Agradecemos o contato mantido conosco e o interesse demonstrado pelos produtos e serviços Kodak. Sugerimos procurar um laboratório de menos movimento e pedir para acompanhar o processo de revelação. Para que algumas partes do corpo possam parecer maiores quando fotografadas é necessário usar objetiva grande angular e fotografar debaixo para cima.
Atenciosamente,
Amanda Pereira
Centro de Informações ao Consumidor Kodak Brasileira Com. Ind. Ltda

CHOCOLATES GAROTO
PERGUNTA: Estou com 14 anos e estou com muitas espinhas. Como chocolate todo o dia, mas meus amigos me zoam dizendo que estou assim por causa de masturbação. Há como provar que as espinhas são efeito do chocolate? Vocês podem me mandar um email dizendo isso, para eu mostrar para eles?

Odisseu,
A fase da adolescência é realmente bem complicada, não é verdade? E é justamente nessa fase que as espinhas resolvem aparecer, na maioria das vezes, por problemas hormonais. O chocolate não causa espinhas, mas um de seus ingredientes, a manteiga de cacau, é uma substância com alto teor de gordura que pode agravar casos como o seu. Como você está com muitas espinhas o melhor a fazer é procurar uma dieta equilibrada, com baixos teores de gordura e muitas fibras. É importante também que você consulte um médico que dará todas as informações que precisa.
E não leve a sério os comentários do pessoal, porque as espinhas são normais nessa fase que você está vivendo. Com a ajuda de um médico temos certeza de que logo logo seu problema estará resolvido!
Um grande abraço,
Martha
Casa do Chocolate Garoto

QUAKER
PERGUNTA: Há como vocês fazerem uma embalagem da aveia Quaker mais jovial? Gosto muito do produto de vocês, mas às vez hesito em comprar, pois sou jovem (estou com 46 anos) e não me identifico com aquele senhor (ou senhora) que aparece na embalagem.

Prezado Odisseu,
Agradecemos o seu contato e a preferência pelos nossos produtos e serviços. Encaminharemos sua sugestão ao Departamento de Marketing. A sua opinião é sempre muito importante, por isso contamos com a sua ajuda.O Serviço de Atendimento ao Consumidor Quaker está a sua disposição por meio do telefone (11) 40229868, de 2a a 6a feira, das 8 as 17h.
Atenciosamente,
Fernanda Santos
Serviço de Atendimento ao Consumidor Quaker

DAVENE
PERGUNTA: Minha mãe está preocupada porque sempre admirou a Tonia Carrero, que anunciava os produtos da Davene. Mas a atriz apareceu recentemente numa entrevista e pudemos ver como ela está muito diferente. A pele dela não está nada bem e minha mãe está com medo de isso ter sido efeito dos produtos Davene. O que posso fazer para convencê-la de que está errada. Aliás, ela está errada, não?

Os produtos Davene passam por longo processo de análise de desenvolvimento, o­nde a qualidade é o fator fundamental, por isso a empresa investe em tecnologia, mão de obra especializada e muita pesquisa.
A atriz Tonia Carrero trabalhou em vários comerciais para a Davene divulgando o Leite de Aveia, um dos produtos mais tradicionais da empresa, que possui uma história de sucesso e sua aceitação pelos consumidores é incondicional.
Assim como o Leite de Aveia, todos os nossos hidratantes têm como função fornecer hidratação e emoliência (maciez) à pele. Possuem propriedades umectantes, impedindo a perda da água da pele para o ambiente, evitando a desidratação da pele. (…)
Portanto, sua mãe pode ficar despreocupada, pois nossos produtos são desenvolvidos com muito carinho para suprir as necessidades dos nossos consumidores, sem prejudicá-los.

Atenciosamente,
Luciana Ribeiro Corrêa
Centro de Informação ao Consumidor

NORTESHOPPING
PERGUNTA: Eu e meus amigos não aceitamos o modelo de vida homossexual. Somos grandes clientes do Norte Shopping, mas nos sentimos constrangidos de ir ao teatro de vocês, já que ele leva o nome de um certo ator e diretor. Os senhores têm planos de mudar o nome do teatro?

Prezado Cliente,

Informamos que o nome do Teatro foi escolhido após realização de grande pesquisa com os clientes do NorteShopping.
O nome do artista foi indicado pelos entrevistados, por
ter como característica a representação de um profissional multimídia, de
grande talento, entre outros como ator, diretor, e escritor de espetáculos teatrais inúmeras vezes solicitados pelos frequentadores do shopping para que aqui fossem apresentados.
Sendo assim, não há qualquer previsão para que se altere o nome do Teatro.
Agradecemos a sua participação.

Atenciosamente.
Administração

DORIANA
PERGUNTA: Outro dia vi um filme chamado “O último tango em Paris”. Há uma cena o­nde Marlon Brando usa manteiga como lubrificante para um ato de sexo anal com sua parceira. Gostaria de saber se há algum problema em se usar margarina no lugar de manteiga. Há alguma substância na margarina que não seja indicada para isso?

Olá, Odisseu!

Recomendamos a utilização das margarinas Doriana apenas em aplicações
culinárias.

Cristina Tosta
Relações com o Consumidor
Doriana

PERDIGÃO
PERGUNTA: Gostaria de saber se é verdade que os perus da Perdigão são os melhores porque eles vêm do Peru. Um colega meu disse que os melhores perus vêm da Turquia, pois em inglês peru é “turkey”, o mesmo nome que batiza o país e a ave. Há algum sentido nessa história?

Prezado Odisseu:

Pedimos a gentileza de nos informar seu telefone para contato, para podermos esclarecer sua dúvida.
Ficamos no aguardo.

CENTRO DE SERVIÇOS AO CONSUMIDOR PERDIGÃO

Por Odisseu Kapyn, publicado originalmente no site Cocadaboa.com, em julho de 2002

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