Eco-lógica
Por Ulisses Mattos
Não duvido que qualquer dia desses estarei sentado tranquilamente em frente a meu computador no trabalho e, de repente, um bando de malucos vai parar do meu lado e começar a gritar que sou um assassino, um predador da natureza. Aturdido, vou voltar meu semblante confuso em direção a um dos manifestantes e perguntar, debaixo da saraivada de olhares recriminatórios, o que fiz de errado. Ele vai me responder que cometi atrocidades ecológicas. Questionarei se por acaso, sem querer, atropelei uma foca, pisei no rabo de um mico-leão, ou empatei a cópula de um urso panda. Ele dirá que fiz algo tão grave quanto. “Você está usando um cinto de couro! Uma pobre vaca morreu para que você pudesse saciar sua necessidade de ter uma peça feita com a pele de outro ser vivo! Seu verme!”.
Exagero meu? Talvez. É claro que os ecologistas têm lá seus motivos para protestar contra pessoas que usam casacos de pele. Realmente não é justo você dar um tiro num animal indefeso só para escalpelá-lo e vender sua pele. Mas por que não podemos fazer isso com a foca e podemos com a vaca? Por que não com um urso? Por que sim com porco? Por que não uma chinchila? Por que sim uma cabra? Queria saber qual é a lógica dos ecológicos. Vou tentar entender os motivos dos defensores dos animais e propor algumas mudanças revolucionárias que vão fazer com que ecologistas e a indústria zoocida façam as pazes.
Minha primeira suspeita para o fato de alguns animais causarem mais escândalo quando sacrificados seria o “fator utilidade da morte”. Alguns podem argumentar que quando uma peça de couro é manufaturada, o animal que cedeu a pele foi morto na verdade para alimentar pessoas. Como o couro estava lá jogado mesmo, resolveram dar um fim útil praquilo. Daí os sapatos, as bolsas, as carteiras, os cintos etc. Se for por aí, há uma boa solução para as ricaças saírem comprando casacos de pele. Basta que passemos a comer carne de foca, raposa e outros bichinhos que não costumamos incluir no nosso cardápio. Temos muitos esfomeados no mundo. Um arminho é capaz de matar a fome de uma criança que um dia pode se tornar o presidente da República. Então por que não abater uns desses belos animais e salvar algumas pobres almas humanas? Com as sobras dos espécimes, poderíamos fazer uns casaquinhos bem-transados para as férias na Europa.Tudo sem um pingo de sentimento de culpa.
Minha segunda suspeita seria o “fator risco de extinção”. Realmente há poucas chinchilas e linces na natureza, enquanto temos vacas a balde. Podemos matar muitas galinhas e porcos porque temos muitos deles. Isso porque fazemos criações desse animais. Então, para podermos matar guaxinins e martas à vontade, basta criarmos fazendas especiais para esses animais. Na verdade, já até existe isso. Mas os ecologistas ainda reclamam que eles são confinados em espaços pequenos e mortos de forma cruel. A solução é aumentar o espaço para os bichinhos. Ou então cercar as jaulas com espelhos, para dar a impressão de um ambiente mais espaçoso. Deu certo na casa da minha tia (a sala dela parece bem maior com os espelhos na parede). Na hora da matança, é só usar métodos naturais. Não vejo problemas em soltar cobras venenosas nas jaulas, para que os bichinhos morram como manda a natureza.
Minha terceira suspeita seria o “fator crueldade”. Temos que admitir que partir com um porrete para cima de uma foca que se arrasta pelo chão não é nada digno para a humanidade. No caso de animais indefesos, poderíamos contratar crianças embriagadas com deficiências físicas para tentar abater os bichos. Também amarraríamos umas navalhas nas patinhas dos animais, dando igualdade de condições no confronto. Acho que uma foca armada pode muito bem encarar uma criança bêbada aleijada. Acabou a covardia. No caso de animais perigosos, como ursos, jaguares, jacarés, linces e onças, não estaríamos sendo tão cruéis. Essas espécies são capazes de nos rasgar com suas garras, nos perfurar com seus caninos e ainda, só pra humilhar, dar uns tapas na nossa cara. E ninguém move um músculo para fazer organizar um grande protesto contra ursos politicamente incorretos que atacaram acampamentos, lobos não-politizados que invadiram aldeias, cobras opressoras que entraram em casas de campo.
Sempre vão existir mortes entre nossas espécies. Os micróbios parecem entender melhor essa questão. Nunca se viu por aí discussões entre vírus e bactérias sobre a matança de humanos. Eles não devem ter uma associação que tenta defender os direitos dos pobres hospedeiros que morrem todos os dias para que pneumococos, HIVs, tripanossomas e ebolas tenham onde armar favelas e organizar orgias.
Minha quarta suspeita para a organização de ecologistas em grandes protestos pelos direitos dos animais seria “a falta do que fazer”. Mas descartei essa hipótese. Afinal, há muita coisa que eles poderiam estar fazendo. Temos bandos de esfomeados, exércitos de menores abandonados, multidões de doentes sem assistência e turbas de cérebros sem acesso à educação. Todos humanos. Todos sendo injustiçados. Todos sofrendo. Essas causas poderiam ocupar um bom tempo dos defensores dos animais. Portanto, não é falta do que fazer. É pura questão de sensibilidade. Ou falta de.
Texto publicado originalmente no www.cocadaboa.com, em 2003.
Guia de Respostas pra Geração Pikachu 3
Por Ulisses Mattos, o Odisseu Kapyn
O Guia de Respostas Para a Geração Pikachu começou como uma brincadeira. Mas sua publicação acarretou uma enxurrada de mensagens de leitores do Cocadaboa agradecendo a melhora de vida que o texto lhes trouxe. Adolescentes ingênuos não só deixaram de sofrer zombarias por colegas mais vividos, como também aprenderam a aplicar perguntas que lhes deram a impressão de serem espertos. Esses mesmos leitores pediram um segundo guia, perguntando como poderiam escapar de outras situações que não haviam sido exploradas anteriormente. Depois do Guia de Resposta Para a Geração Pikachu – Volume 2, outra torrente de mensagens chegou a mim, com emocionadas declarações de gratidão. No entanto, nossa missão não tinha sido cumprida. Ainda havia uma parcela da população imberbe que continuava sofrendo com algumas perguntas não tão geniais, mas que ainda tinham um efeito humilhante em suas vítimas. Este terceiro volume do Guia vem para tentar acabar com esse problema, que ameaça a sanidade emocional de nossos jovens.
Neste calor, como sua a bunda, né?
Calma, rapaz. Sua cueca pode até encharcar no verão, mas não concorde com seu colega. Na verdade, ele está dizendo “como a sua bunda”. É um truque fonético muito primário, mas eficaz. Dizer simplesmente “não”, já lhe evita um constrangimento diante da sua turminha, mas há um jeito de soar mais esperto que seu oponente. Disfarce e diga: “com um calor assim, você deve preferir ficar num lugar aberto, com pouca roupa, uma chuvinha em cima…” Quando seu amiguinho concordar, você já inverteu o jogo. Perceba que na última oração, você também usou um subterfúgio fonético para dizer “um macho vinha em cima”, insinuando que um homem viria por cima dele, situação com a qual ele concordou. Pronto, você acaba de deixar de ser o mais idiota da galera. As pessoas vão pensar duas vezes antes de botar o pé na frente quando você passar.
Você sabe fazer vitamina?
Não queira se gabar de seus dotes. No momento em que você responder que sim, seu adversário irá dizer “Então bate uma pra mim com mamão”. Você talvez não entenderia quando todos os seus amigos começassem a rir da sua cara. Veja, bem. O espertinho acabou de lhe dar uma rasteira fonética, aproveitando a semelhança desta frase ingênua com outra bem maliciosa: “Então bate uma pra mim com uma mão”, que seria o mesmo que “Masturbe-me usando uma de suas mãos”. Horrível, não? Então quando o canalha lhe perguntar isso, responda “Não, mas posso te preparar uma banana. Pica pra você?”. Pego de surpresa, ele ficará com medo de dizer que quer uma banana inteira (que poderia ter utilidades anais) e preferirá a fruta picada. Com isso, ele terá aceito uma pica, que é sinônimo de pênis no linguajar chulo. Assim, você ganhou muito respeito entre a garotada. Eles nem vão mais implicar com o fato de você ser viciado em RPG.
Você tem dado em casa?
Como jogador de RPG, ainda periga você dizer que tem dado de quatro, se referindo ao número de faces da peça. Se fizer isso, é melhor mudar de cidade. Na verdade, o bastardo está perguntando se você tem sido sodomizado em seu próprio lar, já que o verbo “dar”, no imaginário popular, geralmente é usado para o ato de oferecer o ânus ou a vagina. Pois é, você teria confessado algo que nunca fez. Vamos tentar colocar seu adversário na posição de vítima. Diga assim: “Não. Mas posso passar de bicicleta rapidinho na sua casa para ver se tem lá. O problema é que tenho que encher o pneu. Não vi posto nenhum na frente de sua casa. Por acaso tem posto atrás?”. Se ele disser “sim” ou mesmo um “mais ou menos”, você está feito. Como? Ele acabou de dizer que tem “posto atrás”, ou seja, que tem “introduzido algo em seu orifício anal”. Você acabou de derrotá-lo. Seus amigos já não vão mais rir tanto quando você declarar que gostou do refrão da música das meninas do Rouge.
A que horas que o sol caminha melhor?
Como você é uma criatura ingênua e cooperativa, deve querer passar por cima da aparente falta de sentido da frase que seu colega lhe formulou. Com toda sua boa vontade, vai achar que ele simplesmente perguntou, de forma errônea, a que horas é mais apropriado caminhar sob o sol. Tolo. Na verdade, seu inimigo está usando mais um truque fonético para perguntar “A que horas soco a minha melhor?”. Levando em consideração que o verbo “socar” tem conotação sexual, no sentido de “penetrar com força em estocadas regulares”, qualquer resposta sua com informação sobre horários será interpretada como uma dica para o momento em que seu adversário pode sodomizá-lo com mais facilidade. Para mudar drasticamente esse quadro humilhante, aproveite a situação. Olhe para seu relógio, finja que vai lhe dar um horário e, subitamente, diga: “Sabe de uma coisa? Quero vender meu relógio. Sessenta no meu, rola?”. Mesmo se não estiver interessando em comprar, a tendência é que o canalha diga “sim”, só para dar prosseguimento à tentativa dele de zombar de você. Mas na hora em que ele concordou com a oferta, o sujeito já estará sendo alvo de risos. Não entendeu? É que você perguntou a ele “Se senta no meu?”, ou seja, “você repousaria as nádegas em meu pênis?”. Agora suas opiniões já são plenamente respeitadas pelo grupo. Você não será mais reprimido quando mencionar algum defeito naquela menina que todo mundo acha sensacional.
Bonita sua camisa! Linho fio grosso?
Que bom! Alguém finalmente reparou em sua camisa de linho grosso, não? Acorde, bobão. O pulha está mesmo lhe perguntando “Lhe enfio o grosso?”, que significaria “Introduzo meu membro de grande calibre em seu ânus?”. Não fique assustado. Há como dar continuidade à construção de sua nova imagem. Você pode dizer algo como “Acho que não, mas se eu usar força rasgo a sua” ou partir para algo mais complexo. Diga: “Por falar em moda, reparei que seu pé é grande. Bota em você não aperta, não?”. Achando que ter pé grande significa ser dotado de avantajadas proporções penianas, seu adversário concordará. Você não deve ter percebido, mas passou a perna no coitado, perguntando “Botar em você não aperta?”, ou seja, “Introduzir um membro sexual em você dá a sensação de aperto no agente ativo da relação?”. É, companheiro. Chega de ser ridicularizado quando sua mãe lhe obrigar a sair com um guarda-chuva em tempo nublado. Seus amiguinhos vão lhe achar um rapaz precavido, em vez de um idiota obediente.
Há um índio sentado na floresta e outro sentado no asfalto. Qual deles tem terra na bunda?
Não se trata de um simples teste de lógica. A pergunta de seu colega tem fins obscenos. Ela significa “Qual deles te enterra na bunda”, uma forma marota de perguntar “Qual deles introduz o pênis profundamente entre suas nádegas?”. Chato cair nessa, não? O primeiro passo é dizer “nenhum deles”. Feito isso, aproveita o tema “bunda” e diga “Por falar nisso, qual é a bunda mais virgem do mundo?”. Quando ele disser que não sabe, puxe a onda de risos coletivos dizendo “Ah! Então você não garante que é a sua, hein?”. É bobinha, mas funciona. Ainda mais com o prestígio que você tem agora, deixando de ser sacaneado por ser o único virgem da turma (seus amigos agora dizem que sua virgindade é decorrente de seu elevado grau de exigência).
Fala com meu pau na goela!
Não há nenhuma zombaria escondida na frase. Ela está mesmo escancarada. Seu inimigo lhe pôs numa situação imaginária na qual qualquer coisa que você disser dará a entender que você realmente estaria pronunciando algo com o pênis dele lhe tocando a garganta por dentro. É sim uma idiotice, mas a brincadeira é muito difundida em certas partes do país. Também não adianta ficar quieto, pois seu adversário diria “Engasgou, né?”. A melhor saída é inverter o jogo com uma rima simples, que dá a impressão de agilidade mental. Diga apenas “Sua mãe chegou, passo pra ela!”. Seus colegas não vão ligar para a possibilidade de você ter falado com o pênis do indivíduo na boca, e sim com o fato de, nesse bizarro universo hipotético, a mãe dele ter ficado com o membro entre os lábios. Essa jogada é mais um item em seu glorioso currículo. Ninguém mais se lembra das vezes em que você apanhou de coleguinhas que estavam uma série abaixo da sua na escola.
Quer ir a uma festa? Mas é a Festa do Cu e do Pau. Qual você leva?
É uma pergunta difícil. Se você disser que leva “o pau”, numa ingênua tentativa de afirmar sua masculinidade, seu oponente irá bradar “Ah! Você leva pau, né?”, sugerindo que você costuma receber pênis em suas entranhas. Se você disser que leva “o cu”, ele o chamará de homossexual, insinuando que você quer usá-lo de forma passiva na tal festa. Uma boa forma de tirar o corpo fora e ainda abater seu inimigo é dizer: “Vou levar seu cu, para lhe fazer companhia”. Mais risos gerais para laurear sua incrível ascensão social. Lembre-se que você é praticamente um mito e não precisa mais esconder que não sabe dançar nem dirigir.
Se eu vendesse antenas, por apenas R$ 100 você levaria uma montada?
Opa, opa, opa! Muito cuidado. Não aceite essa oferta. O biltre está querendo ludibriá-lo. A verdadeira intenção da frase é perguntar se você aceitaria, por apenas R$ 100, ser penetrado. Sim, pois repare que “levar uma montada” é a forma como algumas pessoas se referem ao ato de se submeter à posição passiva numa cópula. Vamos tirá-lo dessa enrascada. Diga assim: “Não, mas poderíamos ser sócios nesse negócio. Para juntarmos dois mil, é só ter mil meu com mil teu, certo?”. Ele dirá “sim” e você terá enganado o trouxa com uma complexa ilusão fonética. Repare que a expressão “com mil teu” equivale acusticamente à “comi o teu”, que por sua vez será compreendida por todos como uma declaração confirmada de que você “introduziu o pênis (comeu) no reto do paspalho”. Não tem mais volta. Você é definitivamente o rapaz mais comentado da região, por sua esperteza e bom-humor. É hora de converter essa fama a seu favor, seja para ganhar dinheiro, vendendo conselhos e dicas à molecada, seja para benefícios sexuais ou sentimentais, com as mocinhas que o esnobavam antigamente.
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Texto publicado originalmente em novembro de 2002, no Cocadaboa.com.
Agradecimentos aos leitores André Vieira, Rodrigo Boos, Tiboco Fumo e Henrique Veloso, que mandaram sugestões de pegadinhas, e a Ed+, que mandou também a saída para uma delas (“Fala com meu pau na goela”).
Por Odisseu Kapyn (@ulissesmattos)
É difícil alguém lhe dizer verdades cruéis. Há coisas ruins sobre você que nem seu melhor amigo, nem um inimigo lhe contam por razões distintas. O amigo quer poupá-lo de uma situação constrangedora, enquanto o inimigo prefere que você continue sendo ridicularizado. É muito raro alguém chegar para você e lhe dar um toque sincero. Coisa do tipo “Cara, me desculpa, mas você tem mau hálito”. Ou “Rapaz, você precisa cuidar da sua caspa”. Ou então “Meu irmão, você tem um cecê horrível”. Ou ainda “Sabia que você fica ridícula com essa roupa?”. Ou “Querida, você dança mal à beça e todo mundo repara”. São coisas pessoais demais e que necessitam de um certo convívio para serem notadas por alguém. Mas há coisas ruins sobre você que ninguém precisa conhecê-lo muito para diagnosticar. Você pode descobrir agora mesmo, por exemplo, se você é um babaca. Basta ver se você usa algumas frases e brincadeirinhas mais do que batidas em algumas situações recorrentes de nosso cotidiano. É fácil. Faça o teste:
- Alguém deixa cair alguma coisa no chão e causou um enorme ruído. Se você é o primeiro a gritar “caiu um lenço”, você é um babaca. É, sim. Vai por mim. Ninguém acha mais graça disso. Ninguém vai pensar “Caiu um lenço? Mas lenço não faz barulho ao atingir o solo! Peraí! Isso é uma ironia! Que engraçado. Esse cara tem um grande senso de humor e uma incrível capacidade de improviso”. É triste, mas ninguém mesmo pensa isso quando você grita “caiu um lenço”. E quem ri, só o faz para não deixá-lo sem graça.
- 29 de outubro de 2001. Alguém lhe pergunta “Hoje é 28?” e você responde “Não. Hoje são 29″. Amigo, muita gente sabe que na norma culta do português o correto é dizer “Hoje são 29″ ou “Hoje é dia 29″. Mas essas mesmas pessoas quando falam “Hoje é 29″ consideram que a palavra “dia” está implícita na frase. Quando você tenta corrigir alguém, não está mostrando sua cultura, apenas revela que você é babaca.
- Almoço em grupo. Mesa retangular. Um de seus colegas, o Reginaldo, se senta numa das pontas da mesa. A primeira coisa que você diz é “O Reginaldo vai pagar a conta!”. Você é babaca. Deve ser difícil para você acreditar, mas ninguém pensa “Esse cara é demais! De onde ele tirou essa? Será que o Reginaldo vai achar mesmo que vai ter que pagar a conta? Será que o Reginaldo vai querer mudar de lugar para não pagar a conta? Há, há, há! Só quero ver”. Pois é, parceiro. Ninguém acha isso. Talvez tenha funcionado na primeira vez que alguém falou. Mas já está na hora de deixar essa brincadeira para o passado e deixar de ser babaca.
- Início da madrugada. 1h16 A.M. Alguém lhe diz. “Cara, amanhã vou acordar às 7h”. Você se apressa em dizer “Amanhã não. Hoje!” Meu caro, seu amigo não vai pensar “Caramba! Como esse cara tem um raciocínio rápido. Seu cérebro já processou várias informações colhidas e chegou à conclusão de que na verdade eu estou me referindo a um dia que já chegou, pois é mais de meia-noite! Ainda bem que ele me corrigiu, senão eu ia acordar às 7h do dia errado!”. Nada disso. Seu amigo vai mesmo é pensar “Gosto dele, mas é um babaca às vezes”.
- Seu colega chegou mais tarde no trabalho e resolveu almoça em casa ou num lugar que serve uma refeição melhor do que a porcaria do bandejão do seu emprego. Quando ele chega ao local de trabalho, você o convida para almoçar e ele lhe esclarece que já almoçou.
É quando você, ágil como um sapo apanhando uma mosca varejeira, solta a frase “então você já veio comido?”. Babaca, babaca, babaca. Esta frase não é tão desgastada como as outras, mas seu uso indiscriminado já a tornou banal e sem eficácia nenhuma. Seu colega não vai pensar “E agora? O que respondo? Será que se eu disser sim ele vai achar que fui possuído por outro ser do sexo masculino? E se eu disser que não, terei que almoçar de novo? Ah, ele deve só estar brincando. É um brincalhão”. Ilusão, pura ilusão. Ele vai até dar um risinho, para não constrangê-lo, mas vai mesmo é achar que você é um babaca.
Outros indícios de que você está começando a se tornar um babaca:
- Quando as pessoas estão cantando parabéns, você tenta embolar a cantoria, gritando os versos do início da música, enquanto todos já estão no meio da canção.
- Você faz uma observação sobre uma possível futura emissão de gases para alguém que está comendo repolho e ovos.
- Você tenta sacanear todo mundo no dia 1º de abril.
- Você fica rindo quando um homem diz que tem 24 anos, aludindo ao número do veado no jogo do bicho.
- Você faz alguma piada quando alguém diz que é do signo de virgem.
- Uma mulher diz que está “de saco cheio” e você diz que isso não é possível porque ela não tem saco.
Esses são sintomas mais brandos. Mas fique atento. A qualquer hora você pode se transformar num babaquinha.
Odisseu Kapyn / Ulisses Mattos
Texto publicado originalmente no site Cocadaboa.com, em outubro de 2001.
Por @UlissesMattos
Depois da exibição do último episódio de Lost, muitos fãs se decepcionaram com a explicação “espiritual” para a realidade paralela, que não seguia o caminho científico sugerido pelas viagens no tempo e outros fenômenos apresentados na série. Isso sem contar aqueles que protestaram pela falta de respostas claras para tantos mistérios surgidos ao longo de seis temporadas. Mas toda a confusão foi inútil. Nada foi realmente definido com o episódio que vimos. É o que nos conta uma pessoa que sabe tudo sobre a história narrada em Lost. Ele, que é o único com consciência total sobre os caminhos sugeridos e percorridos pela trama, nos traz a impressionante verdade. Com vocês, a entrevista mais chocante dos últimos tempos:
Por que o senhor demorou tanto tempo para se pronunciar?
Estava esperando a poeira baixar, brotha. Estava todo mundo muito exaltado, muita gente nervosa por pouca coisa e pelos motivos errados.
Motivos errados? O senhor defende o episódio final de Lost?
Não é que eu defenda. É que aquilo que os telespectadores viram não foi exatamente o final.
Como assim, senhor Desmond?
Brotha, você e todos os que acompanharam nossa história já devem saber que eu tenho conhecimento de diferentes realidades, não só no continuum espaço-tempo que vocês estão vivendo. Pelo que entendi, o encerramento de nossa história foi mostrado a vocês como se estivéssemos todos mortos, como se tudo que nós vivemos depois de matar o Homem de Preto não tivesse importância, já que depois de alguns séculos todos estariam mesmo falecidos.
Sim, foi exatamente isso que nós vimos. Não é assim que a história acaba?
Não, brotha. Aquele final é o da cabeça de Carlton Cuse e Damon Lindelof! Você acha mesmo que, quando eu voltei para a ilha e fui exposto a campos eletromagnéticos, eu entrava em contato com o além? Eu não sou médium!
Então, como você soube desse tal encontro dos seus amigos em uma vida após a morte?
Simples. Em uma das realidades que surgiram depois que a bomba de hidrogênio foi detonada, nossa história seria apenas uma série de televisão. Naquela realidade, os roteiristas que escreviam o programa decidiram fechar a trama daquele jeito. Aliás, essa foi uma das realidades paralelas mais tolas que existiram, devo admitir. Na verdade, nossas vidas se tornaram muito maiores do que a mente de roteiristas poderia conceber ou ser capaz de narrar.
Um momento! Você está dizendo que quando a bomba foi detonada, realmente foi gerada uma nova realidade? Ou melhor, várias delas?
Não é impressionante? Foi isso mesmo. Ou talvez elas já existissem sempre e a detonação da bomba me fez ter acesso a todas, sei lá. Acho que nem o Faraday sabe explicar direito. Ele tentou nos esclarecer com uma tal de “Teoria das Cordas”, mas o Locke ficou meio traumatizado com essa coisa de enforcamento com corda e não quis que ele falasse mais nada.
Mas Locke e Faraday estão vivos?
Pode-se dizer que sim. Na maior parte das realidades criadas eles sobreviveram com o advento da explosão da bomba. Olha, é tudo confuso demais. Só posso dizer que levamos muito tempo para fazer com que tudo voltasse a existir em uma só linha temporal.
Como foi isso? Foi através da água mágica, que fez Jacob, Jack e Hugo serem imortais?
Não! Foi através da roda que movia a ilha de lugar. Foi uma gambiarra que fizemos lá depois. Não vou explicar agora, mas envolve ursos polares. Por isso a roda era congelada. Mas realmente não tem nada de mágica, brotha! Da forma como tudo foi contado, a impressão que vocês tiveram foi errada. Não houve nada sobrenatural, tem tudo a ver com fenômenos gerados pela energia da ilha. Aqueles simbolismos todos foram coisas criadas pela “mãe” do Jacob e perpetuada por ele depois. Tudo liturgia dos antigos, amigo. Com o tempo, Hurley e Ben foram entendendo tudo.
Poxa, que alívio. Essa coisa de magia tinha acabado com a magia de Lost.
Hahaha! Eu também não gostava dessas coisas, brotha! Me incomodou achar que estávamos vivendo uma história de vodu, poções mágicas e coisas assim. O problema é que Jacob era um sujeito muito místico e foi influenciado por algumas pessoas que foram chegando à ilha, construindo estátuas aleijadas e outras doideiras. Problema de criação, com certeza.
Mas ainda há muitas coisas que não entendemos, Desmond.
Já ouvi uma frase sábia sobre essa série. “Lost é igual mulher. Se tentar entender muito, perde a graça!”. Hahaha.
Besteira. Não é hora de piadas. Lost é algo sério! Mexeu com a vida de muita gente!
Pois não deveria! A vida de ninguém pode ser tão importante assim para os outros. Aliás, me incomodava saber que tinha tanta gente assim nos vendo. Parecia que estávamos na Ilha de Caras.
Mas precisamos de algumas respostas…
Sei, sei. Tipo “como o casal de coreanos não comeu o cachorro assim que chegou à ilha com fome”, né?
É sério, Desmond! Existem mistérios a serem resolvidos…
Brotha, eu também fiquei sem saber se a Charlotte era ruiva natural. Quem dera tentar descobrir, mas sempre fui fiel à Penny.
Desmond, é importante sua presença aqui para revelar coisas essenciais! Que história é essa da Eloise saber tanto sobre o tempo, quem era a romana que cuidou do Jacob e do irmão, como aqueles números são relacionados a tantas coisas, por que o bebê da Claire tinha que ser doado, por que Sayid ficou meio zumbi…
Sim, sim… E por que Locke foi curado da paralisia nas pernas, mas não da calvície? Brotha, teve muito mais coisas que vocês não viram acontecendo que dever ser mostrado.
Por exemplo?
Como foi a vida de Richard Alpert depois que saiu da ilha e começou a envelhecer? Rapaz, vou te dizer que o delineador de olhos foi só o começo… E a vida bandida que Sawyer e Kate acabaram levando, devido a uma sucessão de mal-entendidos? Olha, nem Bonnie e Clyde ficaram tão famosos. E o drama de Claire com o filho que não quer aceitar uma louca como mãe? E as aventuras de Lapidus como piloto de traficantes de drogas? O que dizer das arrepiantes histórias sobrenaturais vividas pelo detetive do outro mundo, o fabuloso Sr. Miles? E a inspiradora amizade entre Hurley e Ben em uma ilha misteriosa? Não quer saber sobre isso tudo?
Sim! Sim! Sim!
Então aguarde os spin-offs! Comédia, policial, melodrama, aventura, suspense, drama… Tudo isso pode virar vários seriados pra TV, ou filmes para o cinema, livros ou mesmo games. Quem sabe assim todos os mistérios possam ser esclarecidos, hein? Hein? Que tal? E eu posso ser o narrador disso tudo! Gostou da idéia, brotha? Se gostou, por que esperar empresas tocarem isso? Por que as pessoas não passam a escrever essas histórias?
Hummm… Então você está à procura de candidatos!
Não viaja, brotha. É só uma idéia. Qualquer um pode fazer. Agora, com licença. Tenho que pegar meu barco e ir embora. Veja aqui a foto dele.
Ei, que nome estranho é esse que você escreveu nele? “Pussycat Boat”?
Ah, sim. É uma piadinha que meus amigos sugeriram. É uma brincadeira com “Not-pennis boat”. Mas é muito complexa para você entender. Pede para o Faraday explicar se ele aparecer aqui. Adeus, brotha!
Chega uma época em nossas vidas em que o corpo começa a demonstrar que vai ficar realmente uma porcaria dentro de poucos anos. Você tenta pular um muro e fica com dores onde nem sabia que havia músculos. Vai jogar uma pelada e vê o céu ficar preto depois da segunda corrida atrás da bola. Tenta subir uma escadaria de dois em dois degraus e chega ofegando ao andar de cima. Consegue emplacar uma segunda vez consecutiva na cama com a mulher e fica todo bobo, como se tivesse dado um duplo twist carpado. São por essas e outras que muitos de nós vão aos poucos perdendo a vontade de dançar nas noitadas. Uma mesa sobrecarregada de cervejas parece cada vez mais atraente do que uma pista de dança lotada. Mas não é só a falta de vigor físico que faz sedentários com mais de 30 anos, como eu, soltarmos uma cara feia quando nos chamam pra levantar e dar uma dançadinha em festinhas de aniversário ou casamento. A babaquice que impera nas pistas se torna um crescente desafio ao bom senso.
O problema é que todo DJ de aluguel se sente na obrigação de tocar certas seqüências de músicas. E como num pacto de mediocridade, os convidados sempre reagem da mesma forma às músicas executadas pelo rapaz da picape. (mais…)
Os novos rivais das ciganas
Por Odisseu Kapyn
De vez em quando aparece pelas ruas um grupo de ciganas, daquelas tradicionais, com vestidos típicos e jeito misterioso. Sua atividade principal é andar displicentemente pelas calçadas, olhando atentamente para a cara dos cidadãos que vão passando. Como um lince, ficam à espreita de alguém que elas achem que vão parar quando for abordado. É quando elas vão para cima, muitas vezes já partindo para o contato físico, segurando até o braço da pessoa. Dizem algo como “me deixa ler sua mão”, ou suas variáveis utilizando a palavra “sorte” ou a enigmática “linha da vida”. Se você acredita nos poderes premonitórios das ciganas, não custa parar e ouvir o que essas tradicionais nômades têm a lhe dizer. Ou melhor, custa. Pouco, mas custa. Convém dar a elas, depois da rápida consulta, algum trocado. Se o pagamento não vier, o sujeito fica à mercê da famosa praga de cigana, cujos terríveis efeitos ficam por conta da imaginação do freguês (há quem acredite que a maldição pode fazer um ser humano se curvar todo e ficar olhando eternamente para a ponta dos próprios pés).
Mas quem acha que praga de cigano nada mais é do que uma canção irritante dos Gipsy Kings (Djobi, djoba! Cada día que te quiero más!), não tem medo de superstições e nem acredita em leitura de mãos pode dizer que essas mulheres só fazem perturbar os transeuntes. É curioso e tal, mas enche um pouco o saco ter que ficar se desvencilhando das ciganas pelas ruas. Me desculpem as ciganas, mas é chato mesmo. E acho que muita gente pensa igual, pois o número dessas tradicionais nômades que circulam pelo Centro está diminuindo. Talvez seja porque cada vez menos gente pare para falar com elas e lhes pagar para saber seu futuro. Mas acho que as ciganas na verdade foram expulsas por um outro grupo, que usa as mesmas táticas dessas profissionais da abordagem: os jovens anunciantes de empréstimos pessoais.
Reparem bem nesses rapazes e moças que andam uniformizados pelas ruas à procura de clientes. Eles fazem exatamente como as ciganas. Ficam de tocaia até passar alguém que eles achem que ouvirá o seu papo furado. Aí vão atrás do alvo, andam junto das vítimas e vão soltando o verbo para tentar empurrar uma verba. É ou não é uma abordagem cigana? Só falta pegar pelo braço e pedir para ler a sua mão. A sua testa, eles já leram e estava escrito “devedor”. É, pois eles só vão em cima de quem eles acham que têm cara de duro, de que está sem grana. Se você passa incólume por um desses profissionais de firmas de empréstimos pessoais, sem ser amolado, é porque está com cara de quem está bem de vida, de que não está devendo na praça.
Aí alguém vai me dizer “ah, mas essas firmas são ótimas, quebram o maior galho de quem está precisando de dinheiro rápido”. Ok, ok. As empresas podem ser boas, honestas, sinceras e limpinhas, mas cometem o terrível erro de usar esses ciganos modernos para captar clientes. Sempre que vejo a loja de uma dessas instituições financeiras na mesma hora me lembro desses chatinhos que ficam atrás de você querendo lhe emprestar dinheiro. Por que não apenas anunciam seus serviços na mídia? Antigamente, no século 20, era muito mais simples e confortável saber dos préstimos de alguma empresa: bastava ler um jornal, ver televisão, ouvir o rádio ou olhar o outdoor. Mas agora temos que fugir dos anúncios, pois eles se apossaram do corpo de jovens desempregados e andam atrás de você pelas ruas. Só tenho medo que um dia os anúncios se apossem dos corpos dos ciganos. Já pensou ser perseguido por uma cigana dizendo que sua mão está devedora e que sua linha da vida está precisando de uma linha de crédito? Quem é que praga pra ver?
Texto publicado no Cocadaboa.com em janeiro de 2007. Siga Odisseu Kapyn no Twitter: http://twitter.com/ulissesmattos
Truques Masculinos
Por Odisseu Kapyn
Não adianta você ser um namorado, noivo ou marido fiel, honesto, sensível e trabalhador. Sua namorada, noiva ou esposa vai sempre querer que você seja também um cara que não repare em nenhuma outra mulher. Ela não vai entender que mesmo que você esteja disposto a não pegar mais nenhuma garota que não ela, ainda está programado biologicamente para querer cruzar com outras milhares de mulheres. Não importa a ela que seu corpo reaja involuntariamente ao cheiro e à visão de outra fêmea, nem que você continue produzindo espermatozóides suficientes para inseminar toda a população feminina do planeta. Sua mulher vai achar que você não pode nem olhar para outra, mesmo que em revistas masculinas (e se bobear, nem a capa da Marie Claire você pode olhar por mais de cinco segundos). Para preservar sua relação com essa moça a quem você, num grande ato de renúncia aos instintos, resolveu prometer ser fiel, é preciso aprender alguns truques e continuar em paz com sua mente masculina.
Quando você estiver caminhando com ela pela rua e passar uma daquelas mulheres que são impossíveis de ignorar e você perceber que não vai resistir e acabará virando o pescoço para contemplar aquelas formas, não tema. Chegue para sua companhia e diga: “Amor, veja que roupa legal que aquela moça está usando! Você gostaria de uma igual?”. Com isso, ela vai olhar para a tal fêmea e nem vai se tocar para o fato de você estar descaradamente varrendo seu corpo com os olhos. E sua namorada ainda vai achar você tem planos de comprar-lhe uma roupa nova. Se for o caso, até compre.
Se um dia você for flagrado com uma Playboy na mochila ou dando bobeira na gaveta, fale imediatamente que está lendo a entrevista ou alguma reportagem especial da edição. Esse truque é usado há anos e passado de pais para filhos geração após geração. E para manter a revista contigo, jamais se refira a ela como “a Playboy da Juliana Paes” e sim como “Aquela Playboy que tem a matéria com os 100 melhores discos de rock”. No caso de você comprar uma revista antiga, como a Playboy da Andrea Veiga ou da Kátia Maranhão, por exemplo, vá logo mostrando a revista rindo bastante e dizendo que foi pelo saudosismo da época e a convide, inclusive, para ver junto contigo. Depois você poderá ver várias vezes sozinho, que é como deve ser apreciada uma revista desse tipo.
No caso dos sites pornográficos o melhor é apagar todos as pegadas sujas que você deixou no computador. Para isso, vá em “ferramentas/opções da internet/geral” e clique em “excluir arquivos” e “limpar histórico”, além de apagar os últimos registros em “temporary internet files”. Mas se você cometer um descuido nessa tarefa ou for flagrado navegando alegremente por sites com conteúdo impróprio e sua mulher perguntar o que você estava fazendo em “sites de sacanagem”, repreenda-a com vigor: “Sites de sacanagem, não! São sites de pessoas fazendo amor!”. Isso pode deixá-la aturdida de início, pois ela nunca pensou sobre esses sites com essa perspectiva. Em seguida, seja rápido e fale algo como “Eu estava tentando aprender novas posições para nós. Para lhe dar mais prazer”. Se ela não for do tipo sensível e romântico, diga que estava fiscalizando esses sites para ver se nenhum deles apresentava fotos de pedofilia, pois você está disposto a fazer denúncias depois que viu uma enojante reportagem sobre o assunto. Pode colar.
Outra boa medida é não se lembrar do nome de suas colegas de trabalho, muito menos de de estagiárias. Se você estiver na faculdade, não lembre o nome de calouras. Assim, quando for contar alguma coisa que aconteceu no seu dia, não use o nome dessas meninas, pois sua namorada pode achar estranho você não guardar os nomes das tias dela mas saber nome e sobrenome de mocinhas que acabaram de chegar ao seu trabalho ou à universidade. E quando for a vez de sua mulher contar algum caso envolvendo uma amiga dela, jamais pergunte algo como “A Jussara é aquela morena de seios médios e firmes, com lábios carnudos?”. Tente se lembrar de algum comentário negativo que ela já tenha feito e reformule cuidadosamente a frase em sua mente: “A Jussara é aquela que reclama de celulite e nunca consegue firmar namoro com ninguém, né?”. É por aí.
Texto publicado originalmente no site Cocadaboa.com, em julho de 2004. Siga Odisseu Kapyn no Twitter: http://twitter.com/ulissesmattos
Guia de respostas para a Geração Pikachu 2
Por Ulisses Mattos, o Odisseu Kapyn
Para minha surpresa, o primeiro Guia de Respostas para a Geração Pikachu foi um sucesso. Centenas de adolescentes me escreveram agradecendo a ajuda e, o que é mais preocupante, pedindo saídas para outras humilhações a que vinham sendo submetidos cotidianamente. Por isso, resolvi colocar o humor de lado e voltar a prestar um serviço de utilidade pública, fornecendo novas respostas para o menor de idade que continua sendo ridicularizado ao não saber o que responder diante das mais simples zombarias. Com o Guia de Respostas para a Geração Pikachu 2, o leitor imberbe terá uma nova vida, sendo respeitado pelos colegas e garantindo um futuro de sucesso e prosperidade.
Você pinta como eu pinto?
Essa pergunta é bem velha, do tempo em que chamavam os órgãos sexuais masculinos de pinto. Mas ainda há vítimas para ela. Preste atenção na hora de responder. Na verdade, seu amigo está tentando ludibria-lo, perguntando se você brinca com o pênis dele. O truque está na semelhança fonética com a frase “Você pinta com o meu pinto?”. A resposta é simples: “Não. Não pinto com broxa´´. Desse modo você nega que usa o pênis dele e ainda insinua que ele não tem vigor sexual. Como? Reparem que broxa, além de ser aquele instrumento usado por pintores de parede é também um dos sinônimos para impotente. Pode usar sem problemas. É muito eficaz. Seus amigos vão ficar tão admirados contigo que jamais vão marcar um encontro para um dia que você não puder comparecer.
Jacaré sabe andar em terrenos alagados. Mas, jacaré no seco anda?
Opa! Calma lá, rapaz. Esta é uma brincadeira da velha geração e é bem possível que seu pai já tenha sido vítima dela. Não fale “sim”, pois o adversário está lhe perguntando, disfarçadamente, se um “jacaré no seu cu anda”. Ao confirmar, você dará a impressão de que é um homossexual, daqueles que deixam até um jacaré andar em seu ânus. Seja frio e responda “jacaré não entra”. Rapidamente, pergunte ao seu colega “em buraco de toupeira, tatu caminha dentro?”. O espertinho vai dizer que sim, sem perceber que você perguntou “está tu com a minha dentro”, uma forma maliciosa de questionar se seu pênis está dentro do indivíduo. Depois de inverter o jogo de maneira tão genial, seus amiguinhos vão passar a respeitar mais seu juízo, deixando de zombar de você caso use roupas estranhas que sua tia lhe deu de aniversário.
Quem nasce em Pernambuco é pernambucano. E quem nasce em Tilambuco?
Fique alerta quanto ao perigo dessa cidade imaginária. Sim, ela não existe. Foi criada apenas para que você responda “Tilambucano”, que soaria como “Te lambo o cano” e lhe faria passar por homossexual, pois cano pode ser encarado como “pênis”. A melhor resposta seria dizer “tilambucuano” ou mesmo “tilambucuense”. Um contragolpe a ser analisado é a resposta “tilambucuzão”, que insinuaria que o inimigo está sendo tocado no
ânus. É claro que não seria nada agradável passar a língua no ânus de um
rival do sexo masculino, mas é uma forma de fazer uma referência à
disponibilidade de seu orifício, o que é sempre humilhante.
Na sua casa, qual é a melhor comida? A do seu pai ou da sua mãe?
Antes de pôr tudo a perder exaltando as habilidades culinárias de sua mãe, perceba que o inimigo está querendo fazer com que você diga que sua mãe é “uma boa comida”, ou seja, que você estaria indicando sua mãe para que todos a possuíssem. Ou pior, que seu pai seria uma boa dica para uma “comida”. Respire fundo e com calma diga “Lá em casa sou eu que faço a comida. Mas não sou muito bom. Vou chamar a sua mãe para ver se eu cozinho melhor”. Talvez você não tenha percebido, mas na última frase você disse, num truque fonético, “vou chamar a sua mãe para ver seu cuzinho melhor”. Parabéns, você deu a volta por cima zombando da mãe do canalha. Se quiser dar um golpe de misericórdia, continue dizendo “Quando ela vier, posso lavar a louça. Mas se lavo, não cozinho. Se eu cozinho, não lavo”. Veja que você disse “Seu cuzinho não lavo”, dando a entender que depois do serviço feito, ainda deixaria o ânus da pobre senhora sujo. Depois dessa sensacional tirada, seus amigos sempre vão consulta-lo antes de decidir que filme irão ver em grupo, acabando com aquela fase em que todos iam juntos ver um longa que você já tinha visto.
Você gosta de verdura?
Pobre daquele que disser que sim, achando que está sendo consultado sobre suas preferências gastronômicas. Perceba, pobre tolo, que o inimigo está perguntando se você gosta de “ver dura”, ou seja, se você aprecia vislumbrar um pênis em estado de ereção. Há uma forma de evitar tal zombaria e ainda inverter o jogo a seu favor. Veja bem. O primeiro passo é frear o instinto e não dizer “sim”. Também não diga “não”, pois o inimigo pode dizer “ah! Você gosta então é de ver mole, hein? Pra depois fazer ela ficar dura!”. É uma bobeira, é verdade. Mas as pessoas não se importam muito com isso quando estão dispostas a rir de alguém. Então aproveite esse clima de predisposição para a aceitação de frases idiotas e diga “Só gosto do quiabo cru da sua mãe”. Todos irão se esbaldar ao ouvir algo parecido com “que abro o cu da sua mãe”. É rapaz. As coisas estão cada vez melhores para você. Todo mundo agora acha você uma pessoal que sabe exatamente o que é engraçado ou não. Eles vão até achar hilário quando você usar um bordão de um personagem de novela ou de reality-show.
Você na sua casa tem tomada atrás do sofá?
Não se trata apenas de uma frase mal construída. É também uma frase mal-intencionada. Seu adversário está querendo que você diga que você tem sido penetrado analmente atrás de um estofado de seu lar. Ainda não percebeu como? “Você na sua casa tem tomado atrás do sofá?”. Isso é o que ele quis dizer, garoto. Viu como é fácil ser enganado? Mas não se aflija. Basta dizer, em tom enérgico: “Por quê? Você mexe com força?”. Com isso você terá criado uma frase de duplo sentido, na qual pergunta se ele exerce uma profissão como a de eletricista e também se ele, ao ser possuído sexualmente, agita os quadris com vigor. Se em meio aos risos de seus colegas, o bastardo ainda ensaiar uma reação com um desesperado “E se você fosse eletricista? Mexeria com força?”, espere um momento, deixe o silêncio tomar conta do ambiente e diga “Só em fio grosso”. Suas palavras soarão como “só enfio o grosso”. Pronto. Mais um brilhante episódio de sua ascensão ao posto de líder da turma. Todas as novas bandas de região vão te chamar para integrar o grupo, nem que seja para ajudar na letra ou tocar pandeirola.
É verdade que você não gosta de tomar café expresso?
Cuidado. Se você fosse um idiota sem acesso a nossa orientação, o desfecho do diálogo seria assim:
- “Por quê?”
- “Porque no coador é melhor” (tradução: porque no cu, a dor é melhor)
Temos um jeito para tirá-lo dessa enrascada, supondo que você esteja sentado relaxadamente em algum lugar. Mas é preciso certo talento teatral. Faça cara de dúvida e peça um tempo para pensar. Levante-se e, com a mão no queixo (como se estivesse decidindo se gosta ou não de café expresso), conduza naturalmente seu inimigo para o local onde você estava sentado antes. Ao ver que o oponente sentou ali na vaga que você ocupava, faça uma expressão de espanto e, com um sorriso malicioso no canto da boca, diga: “Mal saí e você sentou na minha levantada!”. Seus colegas vão entender a frase como se significasse que seu inimigo sentou em seu membro ereto (a minha levantada=meu pênis em riste). Em meio aos urros e gargalhadas de seus amiguinhos, perceba que o futuro será bem mais seguro de agora em diante, rapaz. Não precisa se preocupar em estudar nem mesmo em trabalhar de verdade. Diga a todos que você está entrando para o ramo de Relações Públicas, Hostess e afins. Como você é agora uma lenda viva na região, todos os organizadores de festas pagarão para que você divulgue ou diga que irá a seus eventos sociais, nem que seja só para ficar na porta no início de cada festejo. Dinheiro fácil.
Agradecimentos aos leitores Alex, The Bird e Felipe, que mandaram algumas das perguntas. E meus sinceros votos de que não sejam mais vítimas desses espertalhões que andam por aí.
Publicado originalmente em abril de 2002, no site Cocadaboa. Siga Odisseu Kapyn no Twitter: @ulissesmattos
Porrada de grife
Por Odisseu Kapyn *
Qual é a reação normal de uma pessoa que vê um pitbull vindo em sua direção? Mesmo que o bicho não venha rosnando ou que esteja numa coleira, você passa pelo cachorro bem desconfiado, sabendo que a qualquer hora pode ter sua perna dilacerada. Nada mais natural que você tenha o mesmo comportamento quando fica perto de um sujeito fortinho com uma camisa trazendo o nome de uma academia de jiu-jitsu ao lado de um desenho de um animal violento e uma frase no estilo “o inimigo não pode ficar de pé”.
Há muito se sabe que alguns bandos de jovens deixaram de lado qualquer traço da filosofia oriental pregada nas artes marciais. O que importa é transformar golpes de uma técnica milenar em uma simples ferramenta para se meterem em brigas de turminhas ou darem porrada nos namorados das meninas com quem eles mexem nas boates. A culpa nem é do jiu-jitusu. Poderia ter acontecido com o karatê do Daniel Sam, com o kung-fu do Gafanhoto ou com o aikidô do Steven Seagal.
Mas o escolhido pelos playboyzinhos brigões foi o jiu-jitsu. Por isso é compreensível que alguém espere cenas de grosseria e covardia quando na presença de um cara que faz questão de andar por aí com camisas exaltando a luta em frases carregadas de violência. No entanto, por incrível que pareça, essa desconfiança vem sendo cada vez mais desnecessária. Vou explicar.Uma vez estava no ônibus quando vi um moleque com uma camisa com os dizeres mais ou menos assim: “equipe Porrada, destruindo os fracos”. Já fiquei com um pé atrás com o babaquinha. Mas eis que o garoto cedeu lugar para uma senhora, pediu educadamente ao motorista para que parasse em determinado ponto, agradeceu ao profissional e ainda lhe deu boa-tarde ao saltar do veículo. Como também saltei no mesmo ponto, pude perceber que era um rapaz franzinho, sem o menor jeito de que gosta de briga nem qualquer indício de orelhas inchadas pelo contato com o tatame.
Mais tarde, fiz umas rápidas e superficiais pesquisas e cheguei à conclusão de que boa parte dos garotos que usam essas roupas não têm nem idéia de como se amarra a faixa de um quimono. E se bobear, vão precisar puxar cabelo, morder dedo ou dar chute no saco para conseguir escapar de uma coça. Simplesmente usam roupas que exaltam a agressividade porque estão na moda. Só para não ficarem diferentes do imbecil ao lado. É exatamente como aconteceu com a molecada da década de 80. Na época, só se usava surf wear, ou seja, roupa de surfista.
Você podia ser um suburbano que nunca tocou numa prancha de surfe, mas todo o seu guarda-roupa era composto de marcas como K&K, Pier, Electriclight, OP, Bolt, Atol das Rocas, Rato de Praia, etc. As bermudas eram floridas e as camisas tinham desenhos de gente pegando onda. A garotada não sabia citar o nome de nenhum surfista famoso, mas andava por aí com camisas com frases louvando o surfe, o mar, as ondas e o Havaí. Era até difícil encontrar roupas jovens diferentes disso.
Na verdade, nem sei se isso aconteceu só no Rio de Janeiro. Mas o fato é que aqui era impossível comprar uma simples carteira que não fizesse alguma alusão ao surfe. A não ser que você usasse uma de couro, como só os adultos faziam. Hoje a coisa está bem parecida. Só que no lugar das ondas está a violência. Da mesma forma que a molecada de camisas floridas daquela época não tinha idéia do que é se equilibrar sobre uma prancha, os adolescentes que andam por aí com camisas da marca Bad Boy nem devem saber dar um soco sem machucar o polegar. Apenas compram camisetas com mensagens de violência, com desenhos de buldogues raivosos e academias de jiu-jitsu porque estão na moda.
Só tem um probleminha. Na década de 80, nós não aprendemos a surfar só porque usávamos surf wear. Mas muitos de nós passamos a achar o surfe uma coisa admirável, apesar de todas as piadinhas sobre a falta de articulação de um surfista típico. O que dizer desses jovenzinhos de hoje? Eles vão todos cair na porrada nas boates, mexer com a namorada dos outros, tratar as meninas como se fossem objetos e aprender jiu-jitsu para usar da forma que mataria de vergonha qualquer sábio oriental? Não. Mas vão achar normal quando isso acontecer perto deles? Aposto um soco na cara que vão.
* Odisseu Kapyn é fraco, mas já fez judô (5 anos), karatê (1 mês), taekwondo (5 meses), kung-fu (6 meses) e aikidô (3 meses). Atende no Twitter como @ulissesmattos
Texto publicado no site Cocadaboa, em janeiro de 2003

A lógica do gato sujo
Por Odisseu Kapyn *
Vejo um gato se lambendo todo e logo o considero um animal idiota pelo fato de ele achar que está se limpando. Sinto pena por a natureza ter lhe dado um instinto que o instrui a ficar limpo por fora através do ato de jogar a sujeira para dentro do corpo. Ou será que o tal instinto diz que seu pelo vai ficar limpo se for molhado com uma substância que sai de dentro de seu organismo? Não importa. Nenhuma das duas lógicas felinas faz o menor sentido para nós humanos, que tomamos mil cuidados com nossa higiene ou com nossa saúde. Mas se pensarmos bem, podemos parecer tão ridículos quanto os gatos em nossas preocupações com a limpeza.
Preste atenção a seus hábitos no banheiro. Você entra no WC, senta no vaso, espera os músculos do sistema digestivo colocarem o lixo para fora e até faz uma horinha descascando o plástico da velha tábua do sanitário ou lendo uma revista. Terminado o serviço ou findo o interesse na leitura, você apanha um pedaço de papel higiênico (que na maioria das vezes tem um bebê sorrindo na embalagem, para acharmos que o papel é tão fofo quanto a pele daquela criança ou para pensarmos que ele é carinhoso o suficiente para deixar o neném feliz) e tasca lá na região que foi vandalizada pelos excrementos. Diz o bom senso que você agora deve lavar as mãos, que estão sujas. Você abre a torneira e deixa a água e o sabonete purificarem as palmas e os dedos. Fecha a torneira e está pronto para até pegar alimentos com as mãos e levar diretamente à boca. Isso se você não perceber que sua mão voltou a ficar suja assim que fechou a torneira, que foi infectada quando você a tocou para abri-la. Pela lógica pura, não adiantaria lavar as mãos depois de ir ao banheiro, a não ser que você chamasse alguém com luvas descartáveis para abrir e fechar a torneira. Mas para uma melhor convivência com a sociedade, é melhor seguir uma outra lógica, bem semelhante à do gato sujo.
Um cara que estudou comigo no segundo grau decidiu que não usaria a lógica do gato. Ele ia ao banheiro, soltava lá seu refugo intestinal, usava o papel e saia do recinto sem lavar as mãos. Além da questão da torneira, ele sustentava que sua mão ficava suja, pois só tocava o papel. Sua confissão não o deixou em posição muito invejável entre os colegas, mas ajudou um pouco ele dizer que lavava as mãos depois de urinar, pois tocava a genitália.
Isso me lembra ainda de um filme espanhol, Torrente _ el brazo tonto de la ley, em que o fétido protagonista dizia que lavava as mãos apenas antes de urinar, para conservar seu pênis sempre limpo. Até faz sentido, mas prefiro conviver com gente que siga a lógica do gato sujo.
Preceitos mais básicos da lógica do gato sujo também estão presentes quando temos cuidado com alimentos em casa. Você se preocupa em filtrar a água ou até em comprar garrafas de água mineral para abastecer a geladeira. Aí vai à rua e bebe um suco feito de água da torneira. Vai dizer que as lanchonetes usam Minalba ou Lindóia para fazer seu suquinho? E quando você evita meter a boca no gargalo da garrafa ou na lata de refrigerante e opta pelo canudo? Tá achando mesmo que o canudo é limpinho, mesmo ficando exposto há dias ali no balcão? Esqueceu também que todo mundo mete a mão suja em vários deles quando vai escolher os dois que façam a cor do seu time de futebol? E pra que você vai lavar a mão para pegar nos talheres enquanto o cozinheiro coçou o saco e tirou uma meleca do nariz antes de manipular sua comida?
O cúmulo de nossa adesão à lógica do gato sujo é quando vemos uma formiga caminhando tranquilamente pelo nosso sanduíche ou boiando no leite. Damos um peteleco no sanduba ou resgatamos o cadáver do líquido e já podemos consumir o alimento. Mas e se fosse uma barata? O sanduíche já estaria a caminho da lixeira (para ser degustado no dia seguinte pela rapaziada faminta que vasculha o lixo nas ruas). Mas qual é a diferença entre a formiga e a barata, cacete? As duas são insetos, as duas chafurdam na sujeira, as duas andam no esgoto. Com o agravante de que a formiga ainda come baratas mortas. Quantas vezes uma formiga acabou de comer uma perninha de barata, saiu do formigueiro para dar um rolé e acabou usando seu sanduíche como guardanapo e você nem ligou?
Mas se preocupar com esses detalhes fará de você um paranóico. Uma aberração no estilo Michael Jackson, que usava máscara no rosto para se proteger contra os micróbios que estão no ar (ou era pra não deixar cair o nariz?). O melhor é continuar acreditando que tudo isso nos ajuda a criar anticorpos, dizendo que “o que não mata engorda” e soprando o biscoito que caiu no chão antes de levá-lo à boca. A saída é mesmo seguir a lógica do gato sujo.
* Odisseu Kapyn atende no Twitter pelo nome de @ulissesmattos.
Texto publicado no site Cocadaboa.com, em janeiro de 2003