sexta-feira, 5 de março de 2010
Pense e Dance
Por Odisseu Kapyn*
Chega uma época em nossas vidas em que o corpo começa a demonstrar que vai ficar realmente uma porcaria dentro de poucos anos. Você tenta pular um muro e fica com dores onde nem sabia que havia músculos. Vai jogar uma pelada e vê o céu ficar preto depois da segunda corrida atrás da bola. Tenta subir uma escadaria de dois em dois degraus e chega ofegando ao andar de cima. Consegue emplacar uma segunda vez consecutiva na cama com a mulher e fica todo bobo, como se tivesse dado um duplo twist carpado. São por essas e outras que muitos de nós vão aos poucos perdendo a vontade de dançar nas noitadas. Uma mesa sobrecarregada de cervejas parece cada vez mais atraente do que uma pista de dança lotada. Mas não é só a falta de vigor físico que faz sedentários com mais de 30 anos, como eu, soltarmos uma cara feia quando nos chamam pra levantar e dar uma dançadinha em festinhas de aniversário ou casamento. A babaquice que impera nas pistas se torna um crescente desafio ao bom senso.
O problema é que todo DJ de aluguel se sente na obrigação de tocar certas seqüências de músicas. E como num pacto de mediocridade, os convidados sempre reagem da mesma forma às músicas executadas pelo rapaz da picape. Leia mais »
Postado por Nós da M... às 11:15 am
Tags: Ulisses Mattos
Comente |
Permalink
quinta-feira, 26 de novembro de 2009
Empréstimo e ciganas
Os novos rivais das ciganas
Por Odisseu Kapyn
De vez em quando aparece pelas ruas um grupo de ciganas, daquelas tradicionais, com vestidos típicos e jeito misterioso. Sua atividade principal é andar displicentemente pelas calçadas, olhando atentamente para a cara dos cidadãos que vão passando. Como um lince, ficam à espreita de alguém que elas achem que vão parar quando for abordado. É quando elas vão para cima, muitas vezes já partindo para o contato físico, segurando até o braço da pessoa. Dizem algo como “me deixa ler sua mão”, ou suas variáveis utilizando a palavra “sorte” ou a enigmática “linha da vida”. Se você acredita nos poderes premonitórios das ciganas, não custa parar e ouvir o que essas tradicionais nômades têm a lhe dizer. Ou melhor, custa. Pouco, mas custa. Convém dar a elas, depois da rápida consulta, algum trocado. Se o pagamento não vier, o sujeito fica à mercê da famosa praga de cigana, cujos terríveis efeitos ficam por conta da imaginação do freguês (há quem acredite que a maldição pode fazer um ser humano se curvar todo e ficar olhando eternamente para a ponta dos próprios pés).
Mas quem acha que praga de cigano nada mais é do que uma canção irritante dos Gipsy Kings (Djobi, djoba! Cada día que te quiero más!), não tem medo de superstições e nem acredita em leitura de mãos pode dizer que essas mulheres só fazem perturbar os transeuntes. É curioso e tal, mas enche um pouco o saco ter que ficar se desvencilhando das ciganas pelas ruas. Me desculpem as ciganas, mas é chato mesmo. E acho que muita gente pensa igual, pois o número dessas tradicionais nômades que circulam pelo Centro está diminuindo. Talvez seja porque cada vez menos gente pare para falar com elas e lhes pagar para saber seu futuro. Mas acho que as ciganas na verdade foram expulsas por um outro grupo, que usa as mesmas táticas dessas profissionais da abordagem: os jovens anunciantes de empréstimos pessoais.
Reparem bem nesses rapazes e moças que andam uniformizados pelas ruas à procura de clientes. Eles fazem exatamente como as ciganas. Ficam de tocaia até passar alguém que eles achem que ouvirá o seu papo furado. Aí vão atrás do alvo, andam junto das vítimas e vão soltando o verbo para tentar empurrar uma verba. É ou não é uma abordagem cigana? Só falta pegar pelo braço e pedir para ler a sua mão. A sua testa, eles já leram e estava escrito “devedor”. É, pois eles só vão em cima de quem eles acham que têm cara de duro, de que está sem grana. Se você passa incólume por um desses profissionais de firmas de empréstimos pessoais, sem ser amolado, é porque está com cara de quem está bem de vida, de que não está devendo na praça.
Aí alguém vai me dizer “ah, mas essas firmas são ótimas, quebram o maior galho de quem está precisando de dinheiro rápido”. Ok, ok. As empresas podem ser boas, honestas, sinceras e limpinhas, mas cometem o terrível erro de usar esses ciganos modernos para captar clientes. Sempre que vejo a loja de uma dessas instituições financeiras na mesma hora me lembro desses chatinhos que ficam atrás de você querendo lhe emprestar dinheiro. Por que não apenas anunciam seus serviços na mídia? Antigamente, no século 20, era muito mais simples e confortável saber dos préstimos de alguma empresa: bastava ler um jornal, ver televisão, ouvir o rádio ou olhar o outdoor. Mas agora temos que fugir dos anúncios, pois eles se apossaram do corpo de jovens desempregados e andam atrás de você pelas ruas. Só tenho medo que um dia os anúncios se apossem dos corpos dos ciganos. Já pensou ser perseguido por uma cigana dizendo que sua mão está devedora e que sua linha da vida está precisando de uma linha de crédito? Quem é que praga pra ver?
Texto publicado no Cocadaboa.com em janeiro de 2007. Siga Odisseu Kapyn no Twitter: http://twitter.com/ulissesmattos
Postado por Nós da M... às 10:17 pm
Tags: ciganas, Ulisses Mattos
Comente |
Permalink
sexta-feira, 6 de novembro de 2009
Homens comprometidos
Truques Masculinos
Por Odisseu Kapyn
Não adianta você ser um namorado, noivo ou marido fiel, honesto, sensível e trabalhador. Sua namorada, noiva ou esposa vai sempre querer que você seja também um cara que não repare em nenhuma outra mulher. Ela não vai entender que mesmo que você esteja disposto a não pegar mais nenhuma garota que não ela, ainda está programado biologicamente para querer cruzar com outras milhares de mulheres. Não importa a ela que seu corpo reaja involuntariamente ao cheiro e à visão de outra fêmea, nem que você continue produzindo espermatozóides suficientes para inseminar toda a população feminina do planeta. Sua mulher vai achar que você não pode nem olhar para outra, mesmo que em revistas masculinas (e se bobear, nem a capa da Marie Claire você pode olhar por mais de cinco segundos). Para preservar sua relação com essa moça a quem você, num grande ato de renúncia aos instintos, resolveu prometer ser fiel, é preciso aprender alguns truques e continuar em paz com sua mente masculina.
Quando você estiver caminhando com ela pela rua e passar uma daquelas mulheres que são impossíveis de ignorar e você perceber que não vai resistir e acabará virando o pescoço para contemplar aquelas formas, não tema. Chegue para sua companhia e diga: “Amor, veja que roupa legal que aquela moça está usando! Você gostaria de uma igual?”. Com isso, ela vai olhar para a tal fêmea e nem vai se tocar para o fato de você estar descaradamente varrendo seu corpo com os olhos. E sua namorada ainda vai achar você tem planos de comprar-lhe uma roupa nova. Se for o caso, até compre.
Se um dia você for flagrado com uma Playboy na mochila ou dando bobeira na gaveta, fale imediatamente que está lendo a entrevista ou alguma reportagem especial da edição. Esse truque é usado há anos e passado de pais para filhos geração após geração. E para manter a revista contigo, jamais se refira a ela como “a Playboy da Juliana Paes” e sim como “Aquela Playboy que tem a matéria com os 100 melhores discos de rock”. No caso de você comprar uma revista antiga, como a Playboy da Andrea Veiga ou da Kátia Maranhão, por exemplo, vá logo mostrando a revista rindo bastante e dizendo que foi pelo saudosismo da época e a convide, inclusive, para ver junto contigo. Depois você poderá ver várias vezes sozinho, que é como deve ser apreciada uma revista desse tipo.
No caso dos sites pornográficos o melhor é apagar todos as pegadas sujas que você deixou no computador. Para isso, vá em “ferramentas/opções da internet/geral” e clique em “excluir arquivos” e “limpar histórico”, além de apagar os últimos registros em “temporary internet files”. Mas se você cometer um descuido nessa tarefa ou for flagrado navegando alegremente por sites com conteúdo impróprio e sua mulher perguntar o que você estava fazendo em “sites de sacanagem”, repreenda-a com vigor: “Sites de sacanagem, não! São sites de pessoas fazendo amor!”. Isso pode deixá-la aturdida de início, pois ela nunca pensou sobre esses sites com essa perspectiva. Em seguida, seja rápido e fale algo como “Eu estava tentando aprender novas posições para nós. Para lhe dar mais prazer”. Se ela não for do tipo sensível e romântico, diga que estava fiscalizando esses sites para ver se nenhum deles apresentava fotos de pedofilia, pois você está disposto a fazer denúncias depois que viu uma enojante reportagem sobre o assunto. Pode colar.
Outra boa medida é não se lembrar do nome de suas colegas de trabalho, muito menos de de estagiárias. Se você estiver na faculdade, não lembre o nome de calouras. Assim, quando for contar alguma coisa que aconteceu no seu dia, não use o nome dessas meninas, pois sua namorada pode achar estranho você não guardar os nomes das tias dela mas saber nome e sobrenome de mocinhas que acabaram de chegar ao seu trabalho ou à universidade. E quando for a vez de sua mulher contar algum caso envolvendo uma amiga dela, jamais pergunte algo como “A Jussara é aquela morena de seios médios e firmes, com lábios carnudos?”. Tente se lembrar de algum comentário negativo que ela já tenha feito e reformule cuidadosamente a frase em sua mente: “A Jussara é aquela que reclama de celulite e nunca consegue firmar namoro com ninguém, né?”. É por aí.
Texto publicado originalmente no site Cocadaboa.com, em julho de 2004. Siga Odisseu Kapyn no Twitter: http://twitter.com/ulissesmattos
Postado por Nós da M... às 5:27 pm
Comente |
Permalink
terça-feira, 3 de novembro de 2009
Cartilha #2
Guia de respostas para a Geração Pikachu 2
Por Odisseu Kapyn
Para minha surpresa, o primeiro Guia de Respostas para a Geração Pikachu foi um sucesso. Centenas de adolescentes me escreveram agradecendo a ajuda e, o que é mais preocupante, pedindo saídas para outras humilhações a que vinham sendo submetidos cotidianamente. Por isso, resolvi colocar o humor de lado e voltar a prestar um serviço de utilidade pública, fornecendo novas respostas para o menor de idade que continua sendo ridicularizado ao não saber o que responder diante das mais simples zombarias. Com o Guia de Respostas para a Geração Pikachu 2, o leitor imberbe terá uma nova vida, sendo respeitado pelos colegas e garantindo um futuro de sucesso e prosperidade.
Você pinta como eu pinto?
Essa pergunta é bem velha, do tempo em que chamavam os órgãos sexuais masculinos de pinto. Mas ainda há vítimas para ela. Preste atenção na hora de responder. Na verdade, seu amigo está tentando ludibria-lo, perguntando se você brinca com o pênis dele. O truque está na semelhança fonética com a frase “Você pinta com o meu pinto?”. A resposta é simples: “Não. Não pinto com broxa´´. Desse modo você nega que usa o pênis dele e ainda insinua que ele não tem vigor sexual. Como? Reparem que broxa, além de ser aquele instrumento usado por pintores de parede é também um dos sinônimos para impotente. Pode usar sem problemas. É muito eficaz. Seus amigos vão ficar tão admirados contigo que jamais vão marcar um encontro para um dia que você não puder comparecer.
Jacaré sabe andar em terrenos alagados. Mas, jacaré no seco anda?
Opa! Calma lá, rapaz. Esta é uma brincadeira da velha geração e é bem possível que seu pai já tenha sido vítima dela. Não fale “sim”, pois o adversário está lhe perguntando, disfarçadamente, se um “jacaré no seu cu anda”. Ao confirmar, você dará a impressão de que é um homossexual, daqueles que deixam até um jacaré andar em seu ânus. Seja frio e responda “jacaré não entra”. Rapidamente, pergunte ao seu colega “em buraco de toupeira, tatu caminha dentro?”. O espertinho vai dizer que sim, sem perceber que você perguntou “está tu com a minha dentro”, uma forma maliciosa de questionar se seu pênis está dentro do indivíduo. Depois de inverter o jogo de maneira tão genial, seus amiguinhos vão passar a respeitar mais seu juízo, deixando de zombar de você caso use roupas estranhas que sua tia lhe deu de aniversário.
Quem nasce em Pernambuco é pernambucano. E quem nasce em Tilambuco?
Fique alerta quanto ao perigo dessa cidade imaginária. Sim, ela não existe. Foi criada apenas para que você responda “Tilambucano”, que soaria como “Te lambo o cano” e lhe faria passar por homossexual, pois cano pode ser encarado como “pênis”. A melhor resposta seria dizer “tilambucuano” ou mesmo “tilambucuense”. Um contragolpe a ser analisado é a resposta “tilambucuzão”, que insinuaria que o inimigo está sendo tocado no
ânus. É claro que não seria nada agradável passar a língua no ânus de um
rival do sexo masculino, mas é uma forma de fazer uma referência à
disponibilidade de seu orifício, o que é sempre humilhante.
Na sua casa, qual é a melhor comida? A do seu pai ou da sua mãe?
Antes de pôr tudo a perder exaltando as habilidades culinárias de sua mãe, perceba que o inimigo está querendo fazer com que você diga que sua mãe é “uma boa comida”, ou seja, que você estaria indicando sua mãe para que todos a possuíssem. Ou pior, que seu pai seria uma boa dica para uma “comida”. Respire fundo e com calma diga “Lá em casa sou eu que faço a comida. Mas não sou muito bom. Vou chamar a sua mãe para ver se eu cozinho melhor”. Talvez você não tenha percebido, mas na última frase você disse, num truque fonético, “vou chamar a sua mãe para ver seu cuzinho melhor”. Parabéns, você deu a volta por cima zombando da mãe do canalha. Se quiser dar um golpe de misericórdia, continue dizendo “Quando ela vier, posso lavar a louça. Mas se lavo, não cozinho. Se eu cozinho, não lavo”. Veja que você disse “Seu cuzinho não lavo”, dando a entender que depois do serviço feito, ainda deixaria o ânus da pobre senhora sujo. Depois dessa sensacional tirada, seus amigos sempre vão consulta-lo antes de decidir que filme irão ver em grupo, acabando com aquela fase em que todos iam juntos ver um longa que você já tinha visto.
Você gosta de verdura?
Pobre daquele que disser que sim, achando que está sendo consultado sobre suas preferências gastronômicas. Perceba, pobre tolo, que o inimigo está perguntando se você gosta de “ver dura”, ou seja, se você aprecia vislumbrar um pênis em estado de ereção. Há uma forma de evitar tal zombaria e ainda inverter o jogo a seu favor. Veja bem. O primeiro passo é frear o instinto e não dizer “sim”. Também não diga “não”, pois o inimigo pode dizer “ah! Você gosta então é de ver mole, hein? Pra depois fazer ela ficar dura!”. É uma bobeira, é verdade. Mas as pessoas não se importam muito com isso quando estão dispostas a rir de alguém. Então aproveite esse clima de predisposição para a aceitação de frases idiotas e diga “Só gosto do quiabo cru da sua mãe”. Todos irão se esbaldar ao ouvir algo parecido com “que abro o cu da sua mãe”. É rapaz. As coisas estão cada vez melhores para você. Todo mundo agora acha você uma pessoal que sabe exatamente o que é engraçado ou não. Eles vão até achar hilário quando você usar um bordão de um personagem de novela ou de reality-show.
Você na sua casa tem tomada atrás do sofá?
Não se trata apenas de uma frase mal construída. É também uma frase mal-intencionada. Seu adversário está querendo que você diga que você tem sido penetrado analmente atrás de um estofado de seu lar. Ainda não percebeu como? “Você na sua casa tem tomado atrás do sofá?”. Isso é o que ele quis dizer, garoto. Viu como é fácil ser enganado? Mas não se aflija. Basta dizer, em tom enérgico: “Por quê? Você mexe com força?”. Com isso você terá criado uma frase de duplo sentido, na qual pergunta se ele exerce uma profissão como a de eletricista e também se ele, ao ser possuído sexualmente, agita os quadris com vigor. Se em meio aos risos de seus colegas, o bastardo ainda ensaiar uma reação com um desesperado “E se você fosse eletricista? Mexeria com força?”, espere um momento, deixe o silêncio tomar conta do ambiente e diga “Só em fio grosso”. Suas palavras soarão como “só enfio o grosso”. Pronto. Mais um brilhante episódio de sua ascensão ao posto de líder da turma. Todas as novas bandas de região vão te chamar para integrar o grupo, nem que seja para ajudar na letra ou tocar pandeirola.
É verdade que você não gosta de tomar café expresso?
Cuidado. Se você fosse um idiota sem acesso a nossa orientação, o desfecho do diálogo seria assim:
- “Por quê?”
- “Porque no coador é melhor” (tradução: porque no cu, a dor é melhor)
Temos um jeito para tirá-lo dessa enrascada, supondo que você esteja sentado relaxadamente em algum lugar. Mas é preciso certo talento teatral. Faça cara de dúvida e peça um tempo para pensar. Levante-se e, com a mão no queixo (como se estivesse decidindo se gosta ou não de café expresso), conduza naturalmente seu inimigo para o local onde você estava sentado antes. Ao ver que o oponente sentou ali na vaga que você ocupava, faça uma expressão de espanto e, com um sorriso malicioso no canto da boca, diga: “Mal saí e você sentou na minha levantada!”. Seus colegas vão entender a frase como se significasse que seu inimigo sentou em seu membro ereto (a minha levantada=meu pênis em riste). Em meio aos urros e gargalhadas de seus amiguinhos, perceba que o futuro será bem mais seguro de agora em diante, rapaz. Não precisa se preocupar em estudar nem mesmo em trabalhar de verdade. Diga a todos que você está entrando para o ramo de Relações Públicas, Hostess e afins. Como você é agora uma lenda viva na região, todos os organizadores de festas pagarão para que você divulgue ou diga que irá a seus eventos sociais, nem que seja só para ficar na porta no início de cada festejo. Dinheiro fácil.
Agradecimentos aos leitores Alex, The Bird e Felipe, que mandaram algumas das perguntas. E meus sinceros votos de que não sejam mais vítimas desses espertalhões que andam por aí.
Publicado originalmente em abril de 2002, no site Cocadaboa. Siga Odisseu Kapyn no Twitter: @ulissesmattos
Postado por Nós da M... às 3:50 pm
Tags: Cartilha para jovens, Odisseu Kapyn
Comente |
Permalink
quinta-feira, 17 de setembro de 2009
Moda merda
Porrada de grife
Por Odisseu Kapyn *
Qual é a reação normal de uma pessoa que vê um pitbull vindo em sua direção? Mesmo que o bicho não venha rosnando ou que esteja numa coleira, você passa pelo cachorro bem desconfiado, sabendo que a qualquer hora pode ter sua perna dilacerada. Nada mais natural que você tenha o mesmo comportamento quando fica perto de um sujeito fortinho com uma camisa trazendo o nome de uma academia de jiu-jitsu ao lado de um desenho de um animal violento e uma frase no estilo “o inimigo não pode ficar de pé”.
Há muito se sabe que alguns bandos de jovens deixaram de lado qualquer traço da filosofia oriental pregada nas artes marciais. O que importa é transformar golpes de uma técnica milenar em uma simples ferramenta para se meterem em brigas de turminhas ou darem porrada nos namorados das meninas com quem eles mexem nas boates. A culpa nem é do jiu-jitusu. Poderia ter acontecido com o karatê do Daniel Sam, com o kung-fu do Gafanhoto ou com o aikidô do Steven Seagal.
Mas o escolhido pelos playboyzinhos brigões foi o jiu-jitsu. Por isso é compreensível que alguém espere cenas de grosseria e covardia quando na presença de um cara que faz questão de andar por aí com camisas exaltando a luta em frases carregadas de violência. No entanto, por incrível que pareça, essa desconfiança vem sendo cada vez mais desnecessária. Vou explicar.Uma vez estava no ônibus quando vi um moleque com uma camisa com os dizeres mais ou menos assim: “equipe Porrada, destruindo os fracos”. Já fiquei com um pé atrás com o babaquinha. Mas eis que o garoto cedeu lugar para uma senhora, pediu educadamente ao motorista para que parasse em determinado ponto, agradeceu ao profissional e ainda lhe deu boa-tarde ao saltar do veículo. Como também saltei no mesmo ponto, pude perceber que era um rapaz franzinho, sem o menor jeito de que gosta de briga nem qualquer indício de orelhas inchadas pelo contato com o tatame.
Mais tarde, fiz umas rápidas e superficiais pesquisas e cheguei à conclusão de que boa parte dos garotos que usam essas roupas não têm nem idéia de como se amarra a faixa de um quimono. E se bobear, vão precisar puxar cabelo, morder dedo ou dar chute no saco para conseguir escapar de uma coça. Simplesmente usam roupas que exaltam a agressividade porque estão na moda. Só para não ficarem diferentes do imbecil ao lado. É exatamente como aconteceu com a molecada da década de 80. Na época, só se usava surf wear, ou seja, roupa de surfista.
Você podia ser um suburbano que nunca tocou numa prancha de surfe, mas todo o seu guarda-roupa era composto de marcas como K&K, Pier, Electriclight, OP, Bolt, Atol das Rocas, Rato de Praia, etc. As bermudas eram floridas e as camisas tinham desenhos de gente pegando onda. A garotada não sabia citar o nome de nenhum surfista famoso, mas andava por aí com camisas com frases louvando o surfe, o mar, as ondas e o Havaí. Era até difícil encontrar roupas jovens diferentes disso.
Na verdade, nem sei se isso aconteceu só no Rio de Janeiro. Mas o fato é que aqui era impossível comprar uma simples carteira que não fizesse alguma alusão ao surfe. A não ser que você usasse uma de couro, como só os adultos faziam. Hoje a coisa está bem parecida. Só que no lugar das ondas está a violência. Da mesma forma que a molecada de camisas floridas daquela época não tinha idéia do que é se equilibrar sobre uma prancha, os adolescentes que andam por aí com camisas da marca Bad Boy nem devem saber dar um soco sem machucar o polegar. Apenas compram camisetas com mensagens de violência, com desenhos de buldogues raivosos e academias de jiu-jitsu porque estão na moda.
Só tem um probleminha. Na década de 80, nós não aprendemos a surfar só porque usávamos surf wear. Mas muitos de nós passamos a achar o surfe uma coisa admirável, apesar de todas as piadinhas sobre a falta de articulação de um surfista típico. O que dizer desses jovenzinhos de hoje? Eles vão todos cair na porrada nas boates, mexer com a namorada dos outros, tratar as meninas como se fossem objetos e aprender jiu-jitsu para usar da forma que mataria de vergonha qualquer sábio oriental? Não. Mas vão achar normal quando isso acontecer perto deles? Aposto um soco na cara que vão.
* Odisseu Kapyn é fraco, mas já fez judô (5 anos), karatê (1 mês), taekwondo (5 meses), kung-fu (6 meses) e aikidô (3 meses). Atende no Twitter como @ulissesmattos
Texto publicado no site Cocadaboa, em janeiro de 2003
Postado por Nós da M... às 11:16 am
Tags: grife, Porrada
Comente |
Permalink
quinta-feira, 10 de setembro de 2009
Língua de gato

A lógica do gato sujo
Por Odisseu Kapyn *
Vejo um gato se lambendo todo e logo o considero um animal idiota pelo fato de ele achar que está se limpando. Sinto pena por a natureza ter lhe dado um instinto que o instrui a ficar limpo por fora através do ato de jogar a sujeira para dentro do corpo. Ou será que o tal instinto diz que seu pelo vai ficar limpo se for molhado com uma substância que sai de dentro de seu organismo? Não importa. Nenhuma das duas lógicas felinas faz o menor sentido para nós humanos, que tomamos mil cuidados com nossa higiene ou com nossa saúde. Mas se pensarmos bem, podemos parecer tão ridículos quanto os gatos em nossas preocupações com a limpeza.
Preste atenção a seus hábitos no banheiro. Você entra no WC, senta no vaso, espera os músculos do sistema digestivo colocarem o lixo para fora e até faz uma horinha descascando o plástico da velha tábua do sanitário ou lendo uma revista. Terminado o serviço ou findo o interesse na leitura, você apanha um pedaço de papel higiênico (que na maioria das vezes tem um bebê sorrindo na embalagem, para acharmos que o papel é tão fofo quanto a pele daquela criança ou para pensarmos que ele é carinhoso o suficiente para deixar o neném feliz) e tasca lá na região que foi vandalizada pelos excrementos. Diz o bom senso que você agora deve lavar as mãos, que estão sujas. Você abre a torneira e deixa a água e o sabonete purificarem as palmas e os dedos. Fecha a torneira e está pronto para até pegar alimentos com as mãos e levar diretamente à boca. Isso se você não perceber que sua mão voltou a ficar suja assim que fechou a torneira, que foi infectada quando você a tocou para abri-la. Pela lógica pura, não adiantaria lavar as mãos depois de ir ao banheiro, a não ser que você chamasse alguém com luvas descartáveis para abrir e fechar a torneira. Mas para uma melhor convivência com a sociedade, é melhor seguir uma outra lógica, bem semelhante à do gato sujo.
Um cara que estudou comigo no segundo grau decidiu que não usaria a lógica do gato. Ele ia ao banheiro, soltava lá seu refugo intestinal, usava o papel e saia do recinto sem lavar as mãos. Além da questão da torneira, ele sustentava que sua mão ficava suja, pois só tocava o papel. Sua confissão não o deixou em posição muito invejável entre os colegas, mas ajudou um pouco ele dizer que lavava as mãos depois de urinar, pois tocava a genitália.
Isso me lembra ainda de um filme espanhol, Torrente _ el brazo tonto de la ley, em que o fétido protagonista dizia que lavava as mãos apenas antes de urinar, para conservar seu pênis sempre limpo. Até faz sentido, mas prefiro conviver com gente que siga a lógica do gato sujo.
Preceitos mais básicos da lógica do gato sujo também estão presentes quando temos cuidado com alimentos em casa. Você se preocupa em filtrar a água ou até em comprar garrafas de água mineral para abastecer a geladeira. Aí vai à rua e bebe um suco feito de água da torneira. Vai dizer que as lanchonetes usam Minalba ou Lindóia para fazer seu suquinho? E quando você evita meter a boca no gargalo da garrafa ou na lata de refrigerante e opta pelo canudo? Tá achando mesmo que o canudo é limpinho, mesmo ficando exposto há dias ali no balcão? Esqueceu também que todo mundo mete a mão suja em vários deles quando vai escolher os dois que façam a cor do seu time de futebol? E pra que você vai lavar a mão para pegar nos talheres enquanto o cozinheiro coçou o saco e tirou uma meleca do nariz antes de manipular sua comida?
O cúmulo de nossa adesão à lógica do gato sujo é quando vemos uma formiga caminhando tranquilamente pelo nosso sanduíche ou boiando no leite. Damos um peteleco no sanduba ou resgatamos o cadáver do líquido e já podemos consumir o alimento. Mas e se fosse uma barata? O sanduíche já estaria a caminho da lixeira (para ser degustado no dia seguinte pela rapaziada faminta que vasculha o lixo nas ruas). Mas qual é a diferença entre a formiga e a barata, cacete? As duas são insetos, as duas chafurdam na sujeira, as duas andam no esgoto. Com o agravante de que a formiga ainda come baratas mortas. Quantas vezes uma formiga acabou de comer uma perninha de barata, saiu do formigueiro para dar um rolé e acabou usando seu sanduíche como guardanapo e você nem ligou?
Mas se preocupar com esses detalhes fará de você um paranóico. Uma aberração no estilo Michael Jackson, que usava máscara no rosto para se proteger contra os micróbios que estão no ar (ou era pra não deixar cair o nariz?). O melhor é continuar acreditando que tudo isso nos ajuda a criar anticorpos, dizendo que “o que não mata engorda” e soprando o biscoito que caiu no chão antes de levá-lo à boca. A saída é mesmo seguir a lógica do gato sujo.
* Odisseu Kapyn atende no Twitter pelo nome de @ulissesmattos.
Texto publicado no site Cocadaboa.com, em janeiro de 2003
Postado por Nós da M... às 4:21 pm
Comente |
Permalink
quinta-feira, 3 de setembro de 2009
Mulheres nuas
Temos vagas
Por Odisseu Kapyn *
Deve haver algum erro nas estatísticas que dizem que a taxa de desemprego vem aumentando. Pelo menos entre o sexo feminino, nunca houve tantas ofertas de trabalho. Uma rápida olhada numa banca de jornal contabiliza nada menos que 11 revistas de mulher pelada. Isso mesmo. Mais do que os dedos da mão podem contar, se não estiver ocupada. Se em décadas anteriores tínhamos apenas a Playboy, a Ele & Ela, a Status (aquela do marcianinho) e mais uma ou duas revistas de nu feminino, hoje contamos com uma infinidade de delas. São as Playboys genéricas. É um mercado que se abre cada vez mais para as mulheres, e vice-versa. E o mais impressionante é que estamos em plena era do fácil acesso à internet e seus infinitos sites eróticos ou pornográficos. Nem seria preciso comprar uma revista para se matar a constante saudade de uma bela genitália. Bastaria se conectar à WWW – Women Wide Web, a grande teia de aranhas. Ainda assim proliferam os títulos que devassam o corpo das mocinhas de nosso país, oferecendo um incrível sem-número de vaga para seios, vaga para vaginas e vaga-bundas. E não venham dizer que é preciso ter grandes qualificações para se candidatar a essas vagas. Há oportunidade para os mais diferentes tipos de currículo, sem trocadilhos (ou com, tanto faz). Os anúncios que essas revistas devem publicar para recrutar profissionais devem ser mais ou menos assim:
LIBIDO:
Revista de nome óbvio procura moças com objetivos também óbvios para trabalho sem penetração. Vantagens: temos poucos leitores, o que diminui a chance de você ser reconhecida pelos seus parentes lá do interior.
MAN:
Revista com título inglês que poderia ser confundido com nome de publicação para gays oferece vaga para mulheres. Aceitamos também travestis para posterior eliminação de detalhe em photoshop.
SEX WORLD:
Revista com nome enganoso, que sugere e não mostra sexo explícito, aceita mulheres para ousados ensaios. Oferecemos extras caso haja interesse de levar o título a sério com membros da diretoria.
CHIC:
Revista recruta profissionais para fotos sem moralismo. Favor não confundir o significado do título da publicação, ou seja, não comparecer em dias de menstruação.
BUTTMAN:
Publicação de famoso empresário americano está investindo em profissionais da região. Fazemos grandes operações com fundos. Damos oportunidades para crescimento na área, com participação no mercado de vídeos.
PRIVATE:
Revista com décadas no mercado abre vagas para moças desinibidas. Escolhemos o seu nome fictício e bolamos seus depoimentos picantes para o texto que acompanha as fotos, para poupar seus neurônios.
BRAZIL:
Publicação de forte sentimento nacionalista oferece vagas para você que quer mostrar ao mundo a beleza da mulher brasileira. Não temos equipe de maquiagem. Comparecer já com manchas roxas e chupões disfarçados.
HUNTER:
Revista caçadora de talentos recebe currículos com fotos. Valorize sua carreira. Mostre suas fotos na revista aos clientes nos termas e cobre mais por seu trabalho.
ELE & ELA:
Revista que já foi a grande alternativa para mulheres sem cacife para posar para a Playboy procura mulheres dispostas a ganhar cachê mediano. Contate-nos agora. Aumente seu valor junto às agências de prostituição de luxo.
SEXY / SEXY ESPECIAL:
Atenção, celebridade ignorada pela Playboy ou que pediu demais para a revista do coelhinho e ficou na mão. Aqui está sua chance de comprar um apartamento ou um carro zero. Não deixe a fama passar. Procure-nos já e aproveite ao máximo a chance de lucrar com sua popularidade.
TRIP:
Você, modelo que quer estourar de vez no mercado. Temos um lugar pra você. Fazemos seu ensaio sem mostrar genitália. Damos preferência a mulheres que tenham alguma profissão que sirva de fetiche para nossos leitores moderninhos e de classe alta. Também podemos contratá-la para alguma vaga na revista no fim do ano, só para que possa posar no ensaio das funcionárias da empresa.
PLAYBOY:
Publicação multinacional procura mulheres famosas para nus artísticos. Não é preciso estar no auge da forma. Temos alta tecnologia e técnicas de retoque. Aceitamos também ensaios sem genitália ou mesmo pêlos pubianos. Temos convênios com vários programas de televisão, garantindo sua presença na mídia por meses. Também aceitamos moças de beleza superior ainda não-famosas, que queiram valorizar seu passe junto a grandes empresários e fazendeiros. Aceitamos simulações de descuido em aparições públicas, para elaboração de fotos que mostram parte dos seios e calcinhas.
Publicado em junho de 2003, no site Cocadaboa.com
* Odisseu Kapyn atendo no Twitter como @ulissesmattos.
Postado por Nós da M... às 4:30 pm
Tags: mulheres nuas, Playboy
Comente |
Permalink
quinta-feira, 20 de agosto de 2009
Cartilha

Guia de respostas para a Geração Pikachu
Por Odisseu Kapyn
Quantas vezes você se pega pensando em quanto sofrimento poderia ter evitado se soubesse o que fazer na hora certa? Desde seu nascimento, as coisas poderiam ter sido muito melhores se você já soubesse como agir nos momentos de dúvida. Quando você saiu da barriga da sua mãe, poderia ter evitado ir para aquela palmada do médico se fizesse um sinal de que estava tudo bem, fazendo um sinal de O.K. com seu polegar. Quando bebê, poderia ter evitado aquele constrangimento de ficar com a fralda toda suja se tivessem te falado que era só tirar a roupa e engatinhar até o jornal do cachorro e se aliviar ali mesmo, já que você não alcançava ainda o vaso sanitário. Quando estava entrando na adolescência, poderia ter evitado a sensação de impotência diante da gargalhada de um colega seu que conseguiu a resposta que tanto queria ao lhe perguntar se você conhecia o Sunda. E não foi só o Sunda. Na semana seguinte, teve o Locha. E um mês depois, quando você já se achava esperto, teve o Mário, aquele que te carcou num lugar que você nem sabia que era possível ser usado para sacanagem. Se você, leitor menor de idade, ainda está nessa terrível fase em que pode ser vítima de perguntinhas idiotas, não se aflija. Preparamos para você um manual básico para se safar das brincadeiras dos amiguinhos metidos a engraçados. De agora em diante, sua vida vai mudar para melhor. Ninguém mais vai te fazer de otário e todos vão te achar um ser sábio e cheio de potencial. É só seguir as instruções diante das perguntas abaixo e garantir um futuro cheio de glórias:
O que a baleia faz no teu cu?
Essa é uma das mais velhas brincadeiras e já está caindo em desuso. Mas tem sempre alguém disposto a usá-la. O primeiro impulso é responder “Nada!”. É isso que seu colega quer que você diga. Com essa resposta você estará dizendo que é homossexual, pois tem um grande ânus onde até uma baleia pode nadar. O melhor a ser dito é “Fica de fora”. Aproveite que seu colega ficou surpreso com sua malandragem e pergunte a ele “Aliás, você tem pentelho no cu?”. Se ele disser que tem, diga a ele “Fui eu que plantei”. Se ele disser que não, diga “Fui eu que tirei”. Você já não será mais visto como o mais idiota da turma.
Que time é teu?
O adversário quer que você diga o nome de um time. Quando você responder “Flamengo” (ou qualquer time inferior), ele vai rir e dizer para todo mundo que o time inteiro do Flamengo “te meteu”. Conseguiu entender a relação entre “time é teu” e “te meteu”? Sim, a pronúncia deixa tudo muito confuso. Mas há uma saída. Basta você responder “Bateu na trave entrou no teu”. Normalmente, os outros colegas que estão por perto e ouvem isso chegam a urrar para saudar a inteligência da resposta. Agora você terá direito de bater no garoto mais bobo do grupo.
Você está num navio com seu cachorrinho chamado Nabunda. O barco afunda. Você leva Nabunda ou deixa Nabunda?
Aqui, seu colega acha que te encurralou bonito. Não há escapatória! Você vai acabar dizendo que leva ou deixa na bunda. No momento de angústia, você pode até dizer que “leva Nabunda” pensando que levar é melhor que deixar, já que quem deixa está gostando. Mas calma, aí! Há um jeito de sair por cima! A resposta certa é “Nabunda nada”. Diga essa frase com calma, explicando que o cachorro é inteligente e sabe nadar. O resto da turma vai ter certeza de que você é o cara mais esperto entre eles e você terá, automaticamente, autorização para pegar a irmã de qualquer um deles.
E qual é o aumentativo de dacueba?
Se liga, rapaz! A palavra “dacueba” não existe em dicionário nenhum. Trata-se apenas de um jeito sórdido de tentar você falar “dacuebão”, que soaria como “dar cu é bom”. Assim que você falar isso, todas as outras resposta inteligentes que você deu antes irão por água abaixo. Mas, calma. Tudo vai dar certo. O primeiro método de evitar o golpe é dizer “dacuebaço”. Mas existe ainda um contra-golpe. Ao ouvir o desafio, faça uma cara confusa e murmure algo propositalmente incompreensível, e num tom de voz abaixo do audível. Algo como “toviassu”. Quando seu oponente perguntar “o quê?”, diga em alto e bom tom: “Todo viado é surdo!”. Será a glória. Seu prestígio entre a galera está cada vez mais sólido. Seus amigos sempre vão te escolher entre os primeiros na hora de formar um time para jogar uma pelada. Jamais vai ser barrado no primeiro jogo, para fazer a de fora. E mesmo quando você jogar mal, ninguém vai te dar esporro.
Obs.: Esse processo serve também para o caso do “pirueba” e suas variações.
Meu pai está pensando em fazer um churrasco. Com 30 quilos de carne dá pra 20 comer?
Cuidado! Esta é perigosa ao extremo. O malandro à sua frente quer que você pense “Se cada pessoa come menos de um quilo de carne, 30 quilos são o bastante para 20 comerem”. Aí você responde “sim” e vira um otário. Na verdade, ele está perguntando “Com 30 quilos de carne dá para vim te comer?” Sim, há um erro gramatical nessa frase, pois o certo seria “vir te comer”. Mas ninguém vai ligar para isso quando você disser “dá, sim!”. Então jamais diga isso, nem acene a cabeça que sim. Diga “Acho que não. Mas também não sou bom de contas. Como você, certo?” O cara vai ficar confuso e vai acabar dizendo “certo”. Nesse caso, foi você que o fez de trouxa. Perceba que sua última frase pode ser interpretada como “Eu como você, certo?”. Se seus colegas não perceberem, chame a atenção para o fato. Você é quem manda agora. Quando aquela gordinha que todos seus vizinhos pegaram aparecer grávida, todos vão livrar sua cara. Mesmo que pelos cálculos você seja o mais suspeito de ser o pai da criança, seus amigos vão dizer que o filho pode ser de qualquer um deles, menos seu.
Você chegou há pouco de fora?
Outra pegadinha fonética. Não se engane ao ouvir isso assim que tiver chegado a uma festa. O inimigo não quer saber se você acabou de chegar da rua. Ele está perguntando mesmo é se “você chegou a pôr o cu de fora?”. Também temos um jeito para te livrar desta. Primeiro responda “Não”, de um jeito bem surpreso, como se fosse impossível essa hipótese. Depois pergunte “Você está louco hoje?”. Se você, não percebeu, você está perguntando se ele “estalou o cu hoje”. Ele vai ser pego desprevenido e vai pensar por instantes em como responder a esse truque. Na verdade, não há como ele se enrolar, pois ele jamais responderia “estalei”. Mas a coisa é tão simples que ele vai suspeitar que a resposta mais óbvia seja um jeito de ser sacaneado. Aproveite os breves segundos de indecisão e diga algo como “não lembra mais, né?”. É bobo, mas nesse ponto o cara já está fragilizado por você não ter caído na gracinha dele e o resto da galera vai aproveitar e sacaneá-lo também. Afinal, você já se tornou o cara mais maneiro do grupo. Você já não paga nenhuma cerveja que bebe com os amigos, pois ninguém acha justo te cobrar a dívida.
Qual o nome do carro do Speed Racer?
Este pode ser um teste de fogo. Speed Racer é um desenho japonês antigo, que fez muito sucesso e foi recentemente reprisado na TV aberta em algum horário obscuro. Se alguém lhe fez esta pergunta, é porque sabe que você é ligado em televisão e em suas navegadas pela intenet ou assistindo a programas de tarde na TV já ficou sabendo o nome do carro. A tentação de provar seu conhecimento vai ser enorme, mas jamais, jamais mesmo, responda “Mach 5″. O nome do carro de Speed Racer é a senha para o seu rival dizer “Mete cinco? Então toma!” e enfiar cinco dedos entre suas nádegas. Além da desagradável sensação (ainda mais se você estiver usando calça de moleton), você voltará a ser o mais mané da turma, pois todo seu currículo não resistirá a um tropeço duplo. Você terá sido agredido no plano das palavras e no plano físico. Há uma forma de tentar sair por cima dessa. É uma manobra difícil e vai depender de seu talento performático. Diga “Não sei. Era Trovão Azul?”. Estamos supondo que como o cara sabe o nome do carro do Speed Racer, também é um aficionado pelo gênero. Dizer que não sabe o nome do veículo do ás do volante e ainda confundir com o nome do helicóptero de outro seriado de TV vai tirar o sujeito do sério. Ele vai abrir a guarda e exclamar: “Não! Mach 5!”. Nesse momento diga “O quê? Meter cinco? É pra já!” e rapidamente insira seus dedos na direção do orifício anal do rapaz. A humilhação será dantesca e ele nunca mais se atreverá a tentar lhe passar a perna. Não é necessário dizer que você é agora o maior herói de todos seus amigos. Você não precisa mais fazer faculdade. Deixe que todos seus colegas estudem, tirem diploma, montem seus escritórios ou suas próprias empresas. Eles com certeza vão te chamar para ser seu “homem de confiança”, o “seu braço direito”. Vão achar que um homem como você não precisa de estudos e que aliás você era muito inteligente para se sujeitar ao esquema retrógrado que rege as faculdades. E aí seus velhos amigos vão brigar para te ter como assessor. Escolha o camarada que lhe oferecer o melhor salário e a secretária mais gostosa.
Texto publicado em setembro de 2001, no Cocadaboa.com
Siga Odisseu Kapyn no Twitter: @ulissesmattos
Postado por Nós da M... às 5:30 pm
Tags: Cartilha para jovens, Odisseu Kapyn
Comente |
Permalink
Pavê ou pra ler?
Trocadalhos
Por Odisseu Kapyn
Eu costumava dizer que não existe trocadilho ruim, assim como não existe pizza ruim. Mas começo a mudar de opinião. Não quanto às pizzas, mas quanto aos trocadilhos. Na verdade, o problema não reside exatamente nos trocadilhos, mas sim no uso que as pessoas fazem de alguns deles. É algo meio “diga-me de que trocadilho abusas e te direi quem és”. Cheguei a essa conclusão depois começar a me dedicar à suprema arte do Aikidô. No início, procurei me preparar para os trocadilhos infames. Depois resolvi relaxar, pois pensei que o povo brasileiro já estava pronto para ouvir essa palavra sem falar gracinhas, afinal já atingimos a maturidade para conseguir, por exemplo, derrubar um presidente de forma democrática ou nos revoltarmos contra o Canadá no episódio das vacas loucas. Pensei que os primeiros comentários de alguém que soubesse que estou aprendendo Aikidô fosse “Ah, é aquela luta do Steven Seagal, né?”. Ledo engano, caros leitores.
Logo as pessoas vieram com os dois trocadilhos mais bestas que poderiam fazer. O primeiro tem conteúdo sexual, que é relacionar Aikidô com a expressão “Ai-que-eu-dou”, fazendo uma insinuação de que essa luta na verdade é uma forma de confessar sua homossexualidade. Há, há, há. De novo. Há, há, há. Deveria eu dizer “vou rir para não perder o amigo” ou ainda mostrar minha mão direita ao colega e pedir que ele escolha um dedo para que eu use para roçá-lo em minha axila esquerda de modo que eu ria. Ou mesmo fingir que tenho uma manivela do lado do meu tórax e rodá-la, imaginariamente acionando meu mecanismo de risos? Pelo amor de Deus! Que tipo de trocadilho é esse? E o pior é que minha mãe outro dia me telefonou aos risos para dizer que viu naquele horroroso programa humorístico Zorra Total, naquele quadro do pai que tem um filho gay, que o personagem boiola dizia que gostava de praticar, Tae-kwon-dô, Judô, Aikidô, ou qualquer outra coisa que tenha “dô”. É para isso que estão pagando os roteiristas da Globo?
O outro trocadilho que fizeram era mais deprimente, pois nem sacanagem tem. É comparar a palavra Aikidô com a expressão “Ai-que-dor”, como se o praticante da modalidade vivesse com dores pelo corpo. Que patético. Foi duro ver gente que eu achava inteligente lançando mão desses trocadilhos que, tenho certeza, serão os primeiros feitos pelos chimpanzés quando eles aprenderem a falar. Será que ninguém vê que essas associações vocabulares são tão bobas quanto aquela que fazem com a palavra “pavê”. Os cientistas já comprovaram que existe uma forma mais rápida de se fazer um teste de Q.I. do que aqueles cheios de figuras geométricas e seqüências numéricas. Basta oferecer um pavê para alguém. Se ele perguntar “é pá ver ou pá comer?”, pode classificá-lo como um ser abaixo da média intelectual. O mesmo quase acontece com a palavra peru, que tem sutilezas em seus variados usos. É aceitável a utilização de trocadilhos quando estamos nos referindo ao país. Para comprovar isso, tivemos o recente emprego do trocadilho no Casseta & Planeta, Urgente!, numa piada sobre o empate da Seleção com o time do Peru. Foi algo como “o Peru enfiou no Brasil, e o pior é que foi de cabeça”. Não chega a ser brilhante, mas funciona. No entanto, usar o trocadilho para a ave em ceias de Natal ou Ano Novo lotadas de parentes demonstra fraca capacidade humorística. Quem ainda ri daquelas brincadeiras do tipo “vamos comer o peru de quem?” ou “ué, cadê a cabeça do peru?” ou ainda “gente, o peru do Fulano é tão duro” ? Sim, existem muitas famílias pelo Brasil adentro que solta essas frases como se tivessem sido criadas naquele instante.
Mas este é mesmo um país de contrastes. Ao mesmo tempo em que nossa população comete esses trocadilhos, temos uma parcela do povo que é capaz de criar trocadilhos de frases, que são mais complexos do que os trocadilhos de palavras. Alguns são feitos só para determinado momento da sociedade e não serão passados para a frente, sendo poupados do desgaste. Foi o caso da época em que o Sting resolveu aparecer mundialmente, vindo para o Brasil lutar ao lado do cacique Raoni pelas florestas e os índios. Lembro que então ouvi a piada “sabe o que os índios estão dizendo? Se a gente não se raoni a gente se sting”. Muito interessante as associações reunir-raoni e extingue-sting. Simples e eficaz.
Existiu outra também que contou com a ajuda do destino. Talvez alguns de vocês se lembrem que ex-presidente doido varrido Jânio Quadros, uma vez perguntado por que bebia, declarou com seu português refinado e cheio de mesóclises: “bebo porque é líquido, se fosse sólido comê-la-ia’’. Calma, isso não é o trocadilho ainda. Precisamos de outro ingrediente. Talvez vocês também se lembrem que uma prima em 17º grau de Jânio resolveu posar pelada pra Playboy, que usou como propaganda o parentesco com o político. Para apresentarmos finalmente o trocadilho que ocorreu na época, é bom lembrar que a esposa de Jânio se chamava Dona Eloá. O trocadilho é o seguinte:
Perguntaram (de mentirinha, é claro) ao Jânio o que ele achava de sua prima posando nua. A resposta (de mentirinha, também): “Se eu fosse jovem, comê-la-ia. Como sou velho, como Eloá”. Sensacional! Foi Deus que fez Jânio se casar com uma mulher chamada Eloá e fez com que ele fosse um cachaceiro e que botou na cabeça dele essa mania de falar um português arcaico. Tudo para que um dia um gaiato qualquer bolasse esse trocadilho único. É isso que me faz livrar a cara de Deus e acreditar que ele não deve ser injusto. Afinal, alguém que mexe as pecinhas do mundo para que um trocadilho assim aconteça deve ser um cara legal no final das contas.
Mas Deus nem sempre ajuda. Já tentei criar dois trocadilhos que não foram para frente. O primeiro foi na época em que Roberta Close, já operada e livre de seu pênis, teve um livro biográfico publicado. A edição tinha fotos de diversas fases de sua vida. Então andei dizendo que “o livro de Roberta Close tem fotos picantes e depois”. Não foi todo mundo que percebeu a sugestão de que “fotos picantes” significava “fotos com pica antes”, ou seja, “pica antes da operação”. E quem entendeu não achou engraçado. Não faz mal, não é tão boa assim mesmo.
Recentemente tentei fazer outro aproveitando essa onda de chamar alguém de gay dizendo “esse cavalo é égua” ou “essa Coca-cola é Fanta”. Lancei o “esse Júnior é Sandy”. Algumas pessoas gostaram, mas ainda não vi ninguém usando. Tenho a impressão de que não vai pegar. Tudo bem. Tenho como consolo aqueles conhecedores de vinho, que sabem dizer a marca e a safra de uma bebida só tomando um gole e não sabem fazer nem um vinho do tipo Sangue de Boi.
Texto publicado em maio de 2001, no site Cocadaboa.com.
Postado por Nós da M... às 12:24 pm
Tags: trocadilhos
Comente |
Permalink
quinta-feira, 30 de julho de 2009
Para o alto e avante
Supermito
Por Odisseu Kapyn
Em 2500 A.C., ou seja, há cerca de 4500 anos, havia povos que acreditavam em seres meio esquisitos, sendo que muitos deles eram até cultuados como deuses. Uns eram uma mistura de lobo com gente, outros tinham cabeça de touro e corpo de marombeiro, alguns tinham cabelos com cobras e transformavam todos em pedra e daí por diante. Eles acreditavam também que algumas criaturas eram as responsáveis pelos trovões, pela caça, pelo fogo, pela beleza etc.
Tá certo que hoje em dia, o pessoal de hoje acredita em santos, pastores exorcistas, duendes, gnomos e feng-shui. Mas ainda dá para a gente se sentir superior intelectualmente àquelas civilizações que levavam fé em Medusa, Zeus, Hermes, Loki, Ciclope, Apolo, Ísis, Fausto, Minotauro, Macário, Anúbis, Palas Atenas, Afrodite, etc. Mas não dá pra saber se daqui a 5 mil anos, os habitantes da Terra vão nos achar muito diferentes daquela galera que tinha medo da ira de Odin, Zeus, Rá ou Júpiter. Não sabemos em que condições nossos restos culturais e literários vão chegar ao futuro.
Sabe-se lá se a crença dos antigos gregos, egípcios, romanos e nórdicos em divindades e semideuses era pra valer? Não podia ser apenas obra de ficção ou conversa pra fazer criança dormir? Não duvido que no ano de 7000 depois de Cristo, após algumas guerras e governos totalitaristas que apagarem alguns registros históricos – como no livro 1984, de George Orwell – , nossos descendentes possam pegar revistas em quadrinhos e fazer uma análise ridícula do povo que inventou os computadores:
“Nos séculos 20 e 21, o povo acreditava em seres míticos, com superpoderes. A fé do povo que criou os primeiros aparelhos eletro-eletrônicos comportava criaturas com força sobre-humana, garras de metais indestrutíveis, visão de raio-X, invulnerabilidade, intangibilidade, teletransporte, telepatia, supervelocidade, telecinésia, invisibilidade, pirotecnia, metamorfismo e rajadas óticas, entre outras capacidades físicas ou intelectuais que as colocavam acima dos sonhos da humanidade.
Havia grande culto a esses seres. O maior veículo para a disseminação da fé nessas criaturas eram pequenas bíblias publicadas periodicamente narrando os feitos e mudanças nas vidas dessas divindades. Eram uma espécie de revista feita em papel colorido, com diálogos escritos em balões, que supostamente davam o poder de fala às criaturas. Os crentes eram obrigados a pagar valores estipulados nas próprias capas da publicação, que eram coletados e enviados aos sacerdotes responsáveis por manufaturar os salmos.
Algumas divindades mais populares, com maior número de devotos, apareciam em produções animadas. Algumas em desenho, que eram apresentadas nos modelos rudimentares de comunicação, que eram chamados de televisão. Assim as doutrinas pregadas pelas criaturas chegavam diretamente ao lares do público. Outros desses seres chegavam ao requinte de terem obras exibidas em grandes telas de projeção em duas dimensões, em templos que recebiam centenas de fiéis que lotavam o estabelecimento, onde entravam em uma espécie de catarse, gritando, gargalhando e até chorando com o que era mostrado. Para gravar as imagens em película ou em sistemas eletromagnéticos e digitais, eram usados médiuns que incorporavam as divindades. Há registros de pessoas que não suportaram o peso de “receber os santos”, como diziam na época, e foram punidos por ganharem fama e dinheiro com sua missão de representar as divindades. Um deles foi o médium Christopher Reeves, que ficou paraplégico ao cair de um animal quadrúpede que existia na época.
Reeves era conhecido por encarnar um dos deuses mais poderosos da época, o Super-Humano, que teria sido trazido dos céus para viver escondido entre os humanos. O Super-Humano tinha superforça, voava, não era perfurado por projéteis metálicos, conseguia ver através de objetos sólidos e tinha supervelocidade. Seus fiéis acreditavam que ele era capaz de fazer o tempo voltar ao voar em sentindo contrário da rotação da Terra. Como outras divindades, o Super-Humano sofria com dramas pessoais. Ele sofria por amar uma humana, que era jornalista _ profissional que divulgava fatos ao público, antes do advento da popularização da rede mundial de computadores, que acabou com o monopólio da notícias pelas empresas de comunicação. Ainda no início do século 21, o Super-Humano era chamado de Super-Homem, mas seu nome foi mudado por pedidos da emergente classe homossexual, que considerava a antiga denominação homofóbica, opressiva e preconceituosa.
Outra das divindades populares na época era o Humano-Roedor-Voador, que apesar de não ter superpoderes era protegido por um deus-animal chamado morcego, espécie hematófoga hoje extinta. As mulheres, mesmo as mais céticas e desconfiadas, eram devotas da Fêmea-Maravilha, uma deusa que distribuía a verdade através de um laço mágico. Tanto a Fêmea-Maravilha quanto o Humano-Roedor-Voador e o Super-Humano eram de uma ordem religiosa conhecida como DC. Outra corrente de fiéis se autodenominava Marvel, muito embora houvesse um sincretismo religioso, com seguidores de ambos os templos louvando seres do outro movimento. Os marvelistas acreditavam em seres como o Aracnídeo-Humano, que tinha os poderes concedidos por uma aranha sagrada, e o Carcaju, um ser bestial com garras metálicas que era cultuado por humanos de baixa estatura e enfermos, que acreditavam em seu poder de cura.
Psicólogos e teólogos até hoje estudam como a civilização que nos deu a eletrônica, a informática, a ciência atômica, a indústria do entretenimento e o telemarketing era ingênua a ponto de acreditar na existência dessas criaturas. Os estudiosos também buscam incessantemente a causa da decadência da crença nos superseres, que sucumbiu diante da ascensão do culto às celebridades. Principalmente depois que os salmos de Caras, Quem e Contigo passaram a narrar os feitos da Sábia Xuxa; Sasha, a messias; Sandy, a Mãe-Virgem; Szafir, o santo inseminador, pai dos sete escolhidos; e outros vultos da religião do século 21″.
Publicado originalmente em outubro de 2002, no site Cocadaboa.com.
Postado por Nós da M... às 4:45 pm
Tags: Odisseu Kapyn, Super-heróis
Comente |
Permalink
Cinta-liga da justiça
Os Problemas Sexuais dos Super-Heróis
Por Odisseu Kapyn
Por serem muito lidas por crianças e jovens que ainda estão se iniciando na vida sexual, as revistas em quadrinhos nunca foram muito fundo ao mostrar a vida íntima dos super-heróis. Mas é sabido que a maioria das pessoas tem algum problema nessa área. Pode ser ejaculação precoce, impotência, frigidez, membro diminuto, pouca lubrificação e até taras esquisitas envolvendo animais, anões e excrementos. Engana-se quem acha que os super-heróis nunca enfrentaram problemas sexuais. Pelo contrário. Eles têm superproblemas sexuais. Como não conseguem ter uma vida erótica satisfatória, procuram se realizar fora da cama, caçando e combatendo exaustivamente os vilões e ameaças da humanidade. Veja alguns casos de disfunções sexuais de nossos protetores:
Super-Homem – Pobre Kal-El. Único ser de sua poderosa raça. Super-homem é praticamente um homem virgem. Na adolescência, quando seus poderes ainda tinham menor intensidade, foi a um prostíbulo de uma cidade perto de Smallville. O jovem Clark Kent não conseguiu terminar o serviço, pois seu vigor deixou a prostituta em coma. Seus pais adotivos até tiveram que subornar a polícia para não prender o jovem alienígena, pois todos acharam que ele tinha estuprado a meretriz diante do estrago feito. Desde aquele dia, Super-Homem teve que se contentar com uma vida dedicada ao onanismo. Seu casamento com Lois Lane não envolve sexo. Super-Homem tenta satisfazê-la apenas direcionando seus quentes raios óticos no clitóris da esposa.
Wolverine – O poder de se recuperar instantaneamente de qualquer lesão física é ao mesmo tempo uma benção e uma maldição para o mutante canadense. Um corte em Wolverine cicatriza em questão de segundos. Por essa razão, Wolverine nunca conseguiu ver sua própria glande, que está sempre coberta por uma densa pele. Nenhuma cirurgia de fimose deu jeito, já que assim que o bisturi cortava o prepúcio, ele se auto-reconstituía. Wolverine tem ereção e consegue penetrar orifícios, mas não tem nenhum prazer. Por isso é tão nervoso.
Senhor Fantástico – Reed Richards, líder do Quarteto Fantástico tem um problema evidente com seu corpo elástico. Pode-se perceber que quando seu braço estica, fica sem consistência. O mesmo ocorre com seu pênis, que quando aumenta quando excitado, perde toda a rigidez. Pode-se dizer que o Dr. Richards é fantasticamente impotente. O mesmo mal assola o Homem Elástico, aquele do suspeito colant vermelho.
Batman - Este sombrio herói é obcecado por morcegos. Adora se vestir como morcego, morar como morcego (em caverna) e agir como morcego. O problema é que os morcegos são grandes sugadores. E é assim que o perturbado bem-feitor procura prazer: apenas sugando ou lambendo. Adepto apenas do sexo oral, Batman dispensa penetrações. No começo de suas relações, suas namoradas até ficam felizes com a habilidade oral de Batman, mas logo se aborrecem quando percebem que o sujeito é incapaz de consumar o ato e entrar em cavernas mais apertadas. Ele até consegue sacar alguns brinquedinhos de seu bat-cinto, mas falta calor humano no sexo com o herói. Daí os boatos sobre seu caso com Robin.
Mulher Maravilha – A princesa Diana, antes de vir para o mundo conhecido pela humanidade, vivia numa ilha habitada apenas por mulheres. E é só lá que se sente feliz. Não precisa dizer que Mulher Maravilha é lésbica. Mas isso, como sabemos, não é um problema sexual. Sua dor-de-cabeça é outra. Diana realmente tem dificuldades em encontrar uma companhia estável por causa de seus fetiches. Ela adora amarrar suas parceiras com seu laço e esbofeteá-las como faz com os inimigos. Só que a Mulher Maravilha tem força sobre-humana, o que acaba com seus relacionamentos.
Hulk - As pessoas às vezes se perguntam por que quando o Dr. Banner se transforma em Hulk, todas suas roupas se rasgam, exceto pela parte de cima da calça. A resposta é óbvia. Aquela região não aumenta de tamanho. Para que Hulk fique forte, seu metabolismo concentra toda a dilatação de músculos e circulação de sangue para o tórax, braços e pernas. A virilha, por conseqüência fica atrofiada. O gigante verde é uma piada sem as calças.
Homem Aranha - Peter Parker tinha tudo para deixar as mulheres loucas. Com sua flexibilidade, poderia partir para as posições mais mirabolantes com elas. E com sua habilidade de escalar paredes, poderia até pular com a parceira para o espelho do teto do motel. Seria ótimo por um probleminha. O pênis do Homem Aranha também tem poder de aderência, que fica sem controle quando ele está excitado. No clímax do coito, o herói não consegue mais executar os movimentos de ida e volta, ficando com o membro grudado nas paredes vaginais da parceira. Nas poucas vezes em que conseguiu ejacular, suas companheiras também reclamaram que seu esperma é extremamente pegajoso e não é fácil de ser limpado.
Aquaman - Nosso amigo das profundezas cresceu sem contato com o sexo oposto. As únicas fêmeas que conhecia eram sereias, seres que só são mulheres da cintura para cima e que por isso não têm vagina. Aquaman nunca soube direito o que fazer com seu pênis. Sem conhecer o maior dos prazeres carnais que um homem pode ter, Aquaman acabou sendo atraído para o outro lado da vida. Mas em vez de buscar parceiros humanos (o machão Namor não ia querer papo com ele), pintou os cabelos de louro e passou a usar seu poder telepático para obrigar que enguias e serpentes marinhas lhe proporcionassem as formas mais ignóbeis de satisfação sexual. Grotesco.
The Flash – Nao precisa explicar muito. Ejaculação precoce.
Meninas Super-Poderosas – Seus problemas sexuais ainda não se manifestaram, já que a garotinhas ainda não tiveram sua sexualidade despertada. Mas todos os sexólogos aconselham as mulheres a conhecerem bem seu próprio corpo antes de partirem para o sexo, descobrindo suas zonas erógenas para mais tarde saberem o que pedir aos parceiros. Em outras palavras, a masturbação é importante para uma vida sexual saudável. Infelizmente, Docinho, Lindinha e Florzinha não têm dedos e jamais vão saber onde devem ser tocadas. A não ser que apelem para a prática do fist-fucking, o que deve ser doloroso no início da adolescência.
Texto originalmente publicado em novembro de 2001, no site Cocadaboa.com.
Postado por Nós da M... às 2:50 pm
Comente |
Permalink
quinta-feira, 23 de julho de 2009
Eu recomendo

Garotos-propaganda
Por Odisseu Kapyn
Quem foi o gênio publicitário que escolheu a Xuxa para ser a garota-propaganda do novo Merthiolate? Tá certo que a Rainha dos Intelectos Baixinhos é famosa e tem um séquito de bajuladores que compram qualquer besteira que ela anunciar. Mas peraí! A moça acabou de declarar para todo mundo que acredita em duendes! Como é que eu posso crer que o novo Merthiolate funciona mais do que o antigo – que foi tirado de circulação por ser inócuo - se quem está me garantindo isso acredita em seres elementais?
Com a escalação de Xuxa, la se foram milhares de saudosistas que estavam dispostos a dar uma segunda chance ao popular remédio. Um erro crasso de estratégia, já que a geração que mais usava o Merthiolate não é a mesma que curte a Xuxa. A não ser que os marqueteiros tenham feito pesquisas que averiguaram que os antigos usuários já estavam mesmo perdidos e que o jeito era pegar uma nova parcela da população. De preferência de mente obtusa. Ninguém se encaixaria melhor nesse perfil do que um fã de Xuxa.
Só pode ser isso. Por trás de cada idiotice da propaganda deve haver um golpe inteligente demais para que seja percebido pelos não-publicitários. Todos aqueles profissionais tão criativos e descolados, que ganham fortunas para arrumar um jeito de fazer merda cheirar a perfume, não podem ser tão bestas. Outra campanha que deve ter algum truque escondido é a do Viagra. O garoto-propaganda escolhido pelos marqueteiros foi um ex-atleta que nega até a morte que tenha impotência. Para tentar evitar ser considerado broxa em escala mundial, Pelé até diz no finzinho do comercial “Fale com seu médico. Eu falaria”.
Por que não escolheram um cara menos orgulhoso de sua vitalidade, um homem já mais velho, que admitisse na boa que tinha voltado ao provar os prazeres do sexo graças ao Viagra? A grana que convenceu o milionário Rei do Futebol a topar posar como impotente enrustido daria para pagar um ator da terceira idade que quisesse manter a aura de símbolo sexual. Um Marlon Brando, por exemplo. Um Tarcísio Meira, talvez. Ou quem sabe o palhaço Carequinha. Mas preferiram dar a campanha pra alguém que não quer dizer que usa o Viagra.
Mas tem que haver algo muito inteligente por trás das escolhas dos garotos-propaganda. Algo realmente brilhante que justifique a decisão de manter a Feiticeira como representante daquele equipamento de malhação eletrificada, mesmo depois de tantos comentários sobre a “deformação” do corpo da modelo. Ou que explique por que escolheram galãs da Globo para anunciar a Kaiser, quando o maior público-alvo da cerveja são os homens que não se encantam pelos atributos dos atores. E por que a Coca-Cola escolheu Romário para sua campanha da Copa se as chances de ele ir ao evento eram reduzidíssimas? Por que o garoto-propaganda das botas ortopédicas Ortopé era um menino com problemas de crescimento, o Ferrugem? Por que a garota-propaganda da C&A é Gisele Bundchen, uma modelo de padrão internacional que jamais usaria uma roupinha comprada nessa loja. Por que o garoto-propaganda da Pepsi era Michael Jackson, um cara que fazia de tudo para se livrar da cor do refrigerante, além de ser cheio de frescuras para respirar, comer ou beber qualquer coisa?
“Eles são famosos e capazes de influenciar os consumidores” não é resposta. E também não aceito um “as campanhas deram certo, pois os produtores tiveram boas vendas”. Qualquer pessoa de qualquer nível de fama, desde um ex-participante de reality-show até um superastro da música, é capaz de exercer influência na população de mentes simples. Eu só queria saber por que escolhem justamente as celebridades que menos se relacionam com os produtos. Acho que vou ter que usar óculos de aros coloridos, roupas moderninhas, gravatas engraçadinhas e cursar um MBA para ver se compreendo.
Texto publicado em janeiro de 2003, no site Cocadaboa.com.
Postado por Nós da M... às 10:54 am
Tags: propaganda, Viagra
Comente |
Permalink
quarta-feira, 15 de julho de 2009
O fim da Maria Chuteira?
Ameaça ao ecossistema das celebridades
Por Odisseu Kapyn
É fato que no mundo das celebridades de hoje, os jogadores de futebol são figuras importantíssimas. Há alguns anos, eles não eram tão famosos. Quer dizer, quem se ligava em futebol sabia quem era aquele sujeito se desse de cara com ele ou citassem seu nome. Mas era difícil um cidadão de classe média passar por um jogador na rua, já que os craques muitas vezes moravam mal, em comunidades afastadas. Ganhavam pouco. Mas o tempo foi passando, o futebol virou uma máquina milionária e os caras começaram a faturar mais alto.
Ao mesmo tempo que o esporte bretão se profissionalizou e enriqueceu, o culto às celebridades foi ganhando corpo. Aí, é claro, não tinha como os dois universos se cruzarem, fazendo de alguns jogadores verdadeiros pop stars. Nada contra. Afinal, os jogadores têm muito mais talento do que o sujeito que simplesmente ficou alguns meses falando besteira dentro de uma casa trancada e aparelhada com câmeras escondidas.
Mas hoje os jogadores de futebol estão criando um problema sério de desequilíbrio no ecossistema das celebridades. Leia mais »
Postado por Nós da M... às 3:11 pm
Tags: Futebol, Odisseu Kapyn
Comente |
Permalink
quinta-feira, 9 de julho de 2009
SACaneie

Trabalhar em um Serviço de Atendimento ao Cliente (SAC) passivo de algumas empresas deve ser um dos empregos mais fáceis do mundo. Basta dar uma olhada nas perguntas que chegam uma vez a cada semana e mandar uma resposta padrão, falando das qualidades de seus produtos. Bem, isso era assim até o dia em que coloquei esse pessoal para trabalhar de verdade. Enviei a alguns desses departamentos perguntas que certamente fogem do estilo com o qual os funcionários estão acostumados a lidar. Foram mandadas 17 perguntas. Em uma semana, oito mandaram respostas, sendo que um ou outro deram um jeito de escapar da situação para a qual não foram treinados. O nome usado como autor das mensagens idiotas foi mudado para não alertar os SACs de outras companhias. Também abreviei algumas das respostas muito longas, que só queriam falar bem de seus produtos.
GOODYEAR
PERGUNTA: Um amigo meu disse que os pneus Goodyear só são seguros por um ano e que foi por isso que lhe deram esse nome (Goodyear = Bom ano). Há algum fundamento nesse raciocínio?
Bom dia! Com certeza, quem falou isso estava querendo brincar. O nome Goodyear vem de Charles Goodyear, o descobridor do processo de Vulcanização da borracha, que deu origem ao pneu de borracha. A Goodyear e uma empresa com 104 anos, e esta aqui no Brasil ha 73 anos. Será que se os seus pneus durassem so um ano, ela teria sobrevivido tanto tempo?
Os pneus tem 5 anos de garantia contra defeitos de fabricação (…)
Espero que a sua duvida tenha sido esclarecida.
Atenciosamente,
Renata M. Badin
SAC-Goodyear
KODAK
PERGUNTA: Quero tirar algumas fotos íntimas com minha namorada, mas temo que quando elas forem reveladas algum funcionário do laboratório possa copiá-las. Existe alguma forma de evitar isso? Tenho também outra dúvida. Existe algum truque para que certas partes do corpo pareçam maiores quando fotografadas?
Prezado Sr. Odisseu,
Agradecemos o contato mantido conosco e o interesse demonstrado pelos produtos e serviços Kodak. Sugerimos procurar um laboratório de menos movimento e pedir para acompanhar o processo de revelação. Para que algumas partes do corpo possam parecer maiores quando fotografadas é necessário usar objetiva grande angular e fotografar debaixo para cima.
Atenciosamente,
Amanda Pereira
Centro de Informações ao Consumidor Kodak Brasileira Com. Ind. Ltda
CHOCOLATES GAROTO
PERGUNTA: Estou com 14 anos e estou com muitas espinhas. Como chocolate todo o dia, mas meus amigos me zoam dizendo que estou assim por causa de masturbação. Há como provar que as espinhas são efeito do chocolate? Vocês podem me mandar um email dizendo isso, para eu mostrar para eles?
Odisseu,
A fase da adolescência é realmente bem complicada, não é verdade? E é justamente nessa fase que as espinhas resolvem aparecer, na maioria das vezes, por problemas hormonais. O chocolate não causa espinhas, mas um de seus ingredientes, a manteiga de cacau, é uma substância com alto teor de gordura que pode agravar casos como o seu. Como você está com muitas espinhas o melhor a fazer é procurar uma dieta equilibrada, com baixos teores de gordura e muitas fibras. É importante também que você consulte um médico que dará todas as informações que precisa.
E não leve a sério os comentários do pessoal, porque as espinhas são normais nessa fase que você está vivendo. Com a ajuda de um médico temos certeza de que logo logo seu problema estará resolvido!
Um grande abraço,
Martha
Casa do Chocolate Garoto
QUAKER
PERGUNTA: Há como vocês fazerem uma embalagem da aveia Quaker mais jovial? Gosto muito do produto de vocês, mas às vez hesito em comprar, pois sou jovem (estou com 46 anos) e não me identifico com aquele senhor (ou senhora) que aparece na embalagem.
Prezado Odisseu,
Agradecemos o seu contato e a preferência pelos nossos produtos e serviços. Encaminharemos sua sugestão ao Departamento de Marketing. A sua opinião é sempre muito importante, por isso contamos com a sua ajuda.O Serviço de Atendimento ao Consumidor Quaker está a sua disposição por meio do telefone (11) 40229868, de 2a a 6a feira, das 8 as 17h.
Atenciosamente,
Fernanda Santos
Serviço de Atendimento ao Consumidor Quaker
DAVENE
PERGUNTA: Minha mãe está preocupada porque sempre admirou a Tonia Carrero, que anunciava os produtos da Davene. Mas a atriz apareceu recentemente numa entrevista e pudemos ver como ela está muito diferente. A pele dela não está nada bem e minha mãe está com medo de isso ter sido efeito dos produtos Davene. O que posso fazer para convencê-la de que está errada. Aliás, ela está errada, não?
Os produtos Davene passam por longo processo de análise de desenvolvimento, onde a qualidade é o fator fundamental, por isso a empresa investe em tecnologia, mão de obra especializada e muita pesquisa.
A atriz Tonia Carrero trabalhou em vários comerciais para a Davene divulgando o Leite de Aveia, um dos produtos mais tradicionais da empresa, que possui uma história de sucesso e sua aceitação pelos consumidores é incondicional.
Assim como o Leite de Aveia, todos os nossos hidratantes têm como função fornecer hidratação e emoliência (maciez) à pele. Possuem propriedades umectantes, impedindo a perda da água da pele para o ambiente, evitando a desidratação da pele. (…)
Portanto, sua mãe pode ficar despreocupada, pois nossos produtos são desenvolvidos com muito carinho para suprir as necessidades dos nossos consumidores, sem prejudicá-los.
Atenciosamente,
Luciana Ribeiro Corrêa
Centro de Informação ao Consumidor
NORTESHOPPING
PERGUNTA: Eu e meus amigos não aceitamos o modelo de vida homossexual. Somos grandes clientes do Norte Shopping, mas nos sentimos constrangidos de ir ao teatro de vocês, já que ele leva o nome de um certo ator e diretor. Os senhores têm planos de mudar o nome do teatro?
Prezado Cliente,
Informamos que o nome do Teatro foi escolhido após realização de grande pesquisa com os clientes do NorteShopping.
O nome do artista foi indicado pelos entrevistados, por
ter como característica a representação de um profissional multimídia, de
grande talento, entre outros como ator, diretor, e escritor de espetáculos teatrais inúmeras vezes solicitados pelos frequentadores do shopping para que aqui fossem apresentados.
Sendo assim, não há qualquer previsão para que se altere o nome do Teatro.
Agradecemos a sua participação.
Atenciosamente.
Administração
DORIANA
PERGUNTA: Outro dia vi um filme chamado “O último tango em Paris”. Há uma cena onde Marlon Brando usa manteiga como lubrificante para um ato de sexo anal com sua parceira. Gostaria de saber se há algum problema em se usar margarina no lugar de manteiga. Há alguma substância na margarina que não seja indicada para isso?
Olá, Odisseu!
Recomendamos a utilização das margarinas Doriana apenas em aplicações
culinárias.
Cristina Tosta
Relações com o Consumidor
Doriana
PERDIGÃO
PERGUNTA: Gostaria de saber se é verdade que os perus da Perdigão são os melhores porque eles vêm do Peru. Um colega meu disse que os melhores perus vêm da Turquia, pois em inglês peru é “turkey”, o mesmo nome que batiza o país e a ave. Há algum sentido nessa história?
Prezado Odisseu:
Pedimos a gentileza de nos informar seu telefone para contato, para podermos esclarecer sua dúvida.
Ficamos no aguardo.
CENTRO DE SERVIÇOS AO CONSUMIDOR PERDIGÃO
Por Odisseu Kapyn, publicado originalmente no site Cocadaboa.com, em julho de 2002
Postado por Nós da M... às 11:40 am
Tags: SAC
Comente |
Permalink