Por Eduardo Frota *
Cachorros sempre foram usados em diversas atividades humanas ao longo da história. De tração para pequenos veículos a farejadores de bandidos, passando por meros animais de companhia. A moda agora é outra: servem para dar lição de vida no cinema. Já está virando rotina. É o caso de Sempre ao seu lado, produção que traz Richard Gere em mais um papel pífio.
No ano anterior, o chororô ficou por conta de Marley e eu – que levou até mesmo jornalistas às lágrimas durante a cabine de imprensa. Apesar do argumento semelhante (humanos aprendem a ser mais humanos através do comportamento dos cães), Sempre ao seu lado tem diferenças fundamentais no que diz respeito ao conteúdo, mesmo que também proponha, no fim das contas, colocar as glândulas lacrimais dos espectadores para trabalhar. (mais…)

Merece um unfollow
Por Eduardo Frota *
Ashton Kutcher tem fama, carisma e milhares de seguidores no Twitter. Talvez isso seja o suficiente para fazer com que Jogando com prazer faça algum dinheiro nas bilheterias. Porém, o filme deixa claro que o astro precisa escolher melhor os seus personagens se não quiser uma avalanche de unfollows.
O maior problema nem está no fraco rendimento de Kutcher. O roteiro é o grande vilão: fraco, monótono e mal desenvolvido. Conta a história de Nikki, um jovem sedutor que usa o seu charme como meio de sustento, caçando solteironas ricaças dispostas a lhe dar guarida. Até o dia em que conhece uma misteriosa garçonete e passa a questionar o seu estilo de vida.
A primeira metade do filme se concentra em constantes e picantes cenas de sexo, ainda que durem apenas três segundos. Peitos e bundas são mostrados em posições que simulam o coito, mas sem assumir um tom erótico de fato. A segunda parte quebra completamente a concepção de drama erótico e assume uma história de desilusão amorosa das mais previsíveis. Toda a adrenalina e a tensão sexual propostas no início do filme dão lugar a uma série de desencontros, transformando o filme em um enfadonho conto vespertino – com direito a lição de vida.
O que vale a pena mesmo é a bizarra e insólita cena dos créditos finais. Por isso, quem tiver paciência para aguentar os mais de 90 minutos de projeção vai conferir uma cena bem diferente, impregnada com a ousadia que ficou de fora do filme.
Coco-tação: 3 bostinhas (máximo de 5 bostinhas, para os piores)
* Eduardo Frota, autor do Cinéfilo, Eu?, é nosso crítico de filmes merdas.


Presente de grego
Por Eduardo Frota *
Quando um novo filme de Nia Vardalos entra em cartaz, é certeza de uma comédia romântica cheia de lições tortas sobre o amor em meio aos contrastes contemporâneos das tradições gregas. Em Falando grego, literalmente, a atriz foi longe demais. Pegou um avião para a Grécia e obteve autorização do governo para filmar nas ruínas dos sítios arqueológicos. Por isso mesmo, o título da película em inglês é My life in ruins (“Minha vida em ruínas”, em bom português). E, mais uma vez, Nia Vardalos arruinou um filme.
A moça interpreta Georgia, uma professora de história que resolve tentar a vida na Grécia. Após um corte no orçamento da universidade em que dá aula, ela acaba ficando desempregada e vai trabalhar como guia em uma agência de turismo. Perde, então, o “kefi”: palavra grega equivalente à paixão, tesão etc. Desanimada, sofre com constantes reclamações sobre o desempenho, uma vez que seus passeios são comparados a uma aula de história sobre os antigos gregos – matéria na qual é especialista. Um dia, recebe um grupo de turistas estereotipados: os estadunidenses bobocas atrás de compras; as espanholas divorciadas atrás de sexo; os australianos bêbados atrás de álcool; e até uma velha cleptomaníaca. Para piorar, Nico, seu colega de trabalho, faz de tudo para que ela seja demitida.
O título em português, Falando grego, até que cai bem, uma vez que não dá para entender aonde se quer chegar com o argumento. Em um primeiro momento, Georgia precisa suportar as constantes piadas e deboches com suas programações históricas, em um sinal de desrespeito aos seus antepassados. Entretanto, passa a ter lições de vida com os conflitos e entra em perfeita sintonia com o grupo, ainda que precise abrir mão de seus ideais para se curvar diante de uma prática de turismo predatório, a qual critica asperamente durante o filme todo. A tal conscientização proposta no roteiro, portanto, perde legitimidade.
E cadê o romance? A vida amorosa de Georgia é apenas uma subtrama mal ajambrada. Seu pequeno flerte é mal desenvolvido e praticamente descosturado da trama, se encaixando no roteiro apenas para que haja um beijo lá no terço final da projeção, ainda que bem sem graça. O texto é realmente muito fraco. Os únicos momentos de humor, de gosto duvidoso, são os protagonizados pelo experiente Richard Dreyfuss, que praticamente apresenta um pout-pourri de piadas de salão. A outra subtrama, que mostra como Nico tenta sabotar Georgia, e como ela contra-ataca, também é bastante enfadonha. Tão chata, que não dá nem vontade de torcer para o vilão – muito menos pela mocinha!
Definitivamente, falta “kefi” aos filmes de Nia Vardalos.
Cocô-tação: 3 bostinhas (máximo de 5, para os piores)
* Eduardo Frota, do blog Cinéfilo, Eu?, é nosso crítico de M para filmes

Marido por acaso
Por Eduardo Frota *
Uma Thurman deu vida a uma bela e interessante noiva em Kill Bill. Empunhando uma espada afiada, foi atrás de vingança e machucou muita gente. Em seu mais novo filme, Marido por acaso, a atriz encarna a Dra. Emma Lloyd, uma especialista em relacionamentos amorosos prestes a se vestir de branco e contrair matrimônio. Âncora de um famoso programa de rádio, que funciona como consultório sentimental, ela acaba incentivando uma jovem ouvinte a desistir do casamento. Quem parte em busca de vingança, então, é o noivo abandonado – um bombeiro que vai atrapalhar o casório aparentemente perfeito de Emma. Aparentemente… (mais…)

Bar Heineken, Araraquara/SP
Por Márcio Eiras *
Fui recentemente à inauguração do bar Heineken, em Araraquara. O local era uma padaria falida e foi preparado para ser o novo “point” da cidade. Durante as semanas que antecederam a inauguração, cheguei a acreditar que seria realizado algum trabalho mágico naquele local pelas equipes de merchandising dos fornecedores. Cheguei a presenciar três pessoas trabalhando junto para colocar na parede um display em acrílico, de cigarros (da Souza Cruz). Começaram a reforma pela seqüência inversa que normalmente um grande lançamento exige e isso me causou dúvida sobre a seriedade dos trabalhos. (mais…)
Há uns três meses, falamos aqui sobre o Shit Box e prometemos pedir uma das privadas portáteis para testar. Pois a M… Corporation pediu e a The Brown Corporation topou.
Recebemos o produto e convocamos o comediante Nigel Goodman, conhecido por fazer o Repórter Bêbado (ele enche a cara e comenta notícias em um podcast) e participar de dois grupos de stand-up comedy (Ponto Cômicos e Louco é Pouco). Levamos o sujeito para uma floresta e o gravamos usando a caixa.
Além da sólida crítica de Nigel Goodman, temos Ronald Rios (da Badalhoca) colhendo a opinião de populares sobre a utilidade da Shit Box. Confira:
TRÊS REIS NA WARNER
Por Roberto Cunha*
Era dia de assistir a Três reis no canal Warner. Como a Sky resolveu cortar os canais Telecine que eu tinha sem avisar - e eu também não vou ligar para perguntar o porquê -, restaram alguns outros que passam filmes de vez em quando. De vez em quando. Porque o que mais se vê nos canais por assinatura ultimamente são anúncios. E chatos. Os breaks comerciais são deploráveis. O pessoal que programa os intervalos (os mídias) parecem desprovidos de criatividade. Ou então deve ser uma máquina fazendo o trabalho, tamanha é a insensatez.

Existem chamadas da programação que se repetem há meses. A Warner é campeã. Você já reparou ? Tem peça que fica no ar meses seguidos. Com relação aos comerciais, a Warner parece se preocupar somente com sua saúde financeira e deve ter feito um negociação que foi uma tremenda bocada. Só isso explicaria a quantidade de comerciais de pasta de dente, escova de dente e enxaguatório bucal. É um tal de dentista recomendando para lá, outro recomendado para cá. E, de novo, se repetem há meses no ar.
E eu, inocente, não sabia que para assistir a Três reis teria que aturar 300 comerciais. (mais…)
O filme X-Men Origens: Wolverine estreou na semana passada e arrebentou nas bilheterias de todo o mundo. Mas milhares de brasileiros deixaram para ver a produção nos próximos dias e muitos irão já neste fim de semana, ainda mais depois que o próprio Hugh Jackman, no papel-título do longa, veio ao Brasil promover a atração.
Por isso vale a pena falar um pouco do filme com a crítica do jornalista Ulisses Mattos, um dos editores desta M… aqui. Tem gente adorando a produção, mas Ulisses fez seu texto com olhos de quem é fã dos personagem dos quadrinhos e leu todas as histórias mais importantes de Wolverine nos gibis. Daí a explicação para o longa estar aqui na seção que trata apenas de filmes de merda. Confiram:
Hoje chega ao circuito comercial uma nova comédia de Nia Vardalos, aquela moça do filme Casamento grego. Para se garantir nessa volta às telas, Nia escalou o mesmo ator com quem contracenou no tal filme.
Mas o truque não foi o bastante para convencer Eduardo Frota, do blog Cinéfilo, Eu?. Nosso crítico de M… solta os bichos contra Eu odeio o Dia dos Namorados:
O fotógrafo e artista plástico Beto Roma, grande fã de filmes de terror, aceitou fazer mais uma crítica de M para nós. Enviamos o sujeito para a sessão de imprensa de Evocando espíritos.
Como o filme consta nesta seção aqui da M… Online, não adianta fazer surpresa sobre a opinião de Beto. Vejam o porquê se sua desaprovação em um texto recheado de referências a cineastas de terror que conquistaram os entusiastas no gênero: