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Midnight Movies #6...

outubro 5, 2009
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bigrivermanBig River Man

Por Eduardo Frota *

Bons documentários costumam ter personagens bastante interessantes. Um sujeito que é ex-viciado em jogo, professor de violão flamenco, enólogo nas horas vagas, figurante em filmes de ação, garoto-propaganda e jurado de concurso de beleza já reúne predicados dignos de um filme. Melhor ainda se for um nadador nato, recordista mundial de grandes travessias. O esloveno Martin Strel é tudo isso, além de já não ser tão jovem, estar acima do peso e não abrir mão de uma cerveja gelada. Em Big River Man, acompanhamos a sua tentativa de nadar toda a extensão do Rio Amazonas.

Antes de mergulhar na aventura de Strel, as câmeras tentam enquadrar quem realmente ele é. Um esloveno famoso em sua cidade natal e que goza de certo prestígio entre chefes de estado e políticos influentes. Quase sempre calado e com um largo sorriso no rosto, o nadador é saudado por onde quer que passe. Não é multado quando estaciona em local proibido e nem é importunado pela polícia quando dirige embriagado. Tem contratos vitalícios para frequentar um moderno parque aquático e dirigir um carro importado. (mais…)

Midnight Movies #5...

outubro 5, 2009
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princeAmerican Boy: O retrato de Steven Prince

Por Eduardo Frota *

Em 1978, Martin Scorsese decidiu filmar American Boy: o retrato de Steven Prince, uma conversa franca com o ator e amigo, que dois anos antes interpretou o negociador de armas Easy Andy em Taxi Driver. Durante mais de 12 estafantes horas de gravação, Prince contou com riqueza de detalhes uma série de histórias. Algumas engraçadas, outras bizarras. Na época, o filme não teve ampla distribuição e acabou caindo no esquecimento, tornando-se uma raridade apreciada e conhecida por poucos cineastas e cinéfilos. 

Prince era viciado em heroína e levava uma vida cheia de excessos. Porém, era também um exímio contador de histórias. (mais…)

Midnight Movies #4...

setembro 30, 2009
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yesmen The Yes Men fix the world

Por Eduardo Frota *
É difícil tentar rotular o trabalho dos Yes Men. Trata-se de um grupo de ativistas que, ao mesmo tempo, é também um coletivo de artistas. Preocupados com questões sociais e ambientais, usam todo o talento para pregar peças contra as grandes corporações. Fazendo-se passar por assessores e porta-vozes, dão declarações falsas que colocam a ética do mercado em cheque. Por isso, não medem esforços para surpreender o mundo com intervenções que ora debocham, ora chocam, ora ridicularizam.

Em The Yes Men fix the world, segundo longa do grupo, a farsa já começa nos créditos. A dupla de protagonistas impostores, que atendem pelo nome de Andy Bichlbaum e Mike Bonanno, na verdade é formada por Jacques Servin e Igor Vamos. O filme conta com um punhado de pegadinhas hilárias e muito bem boladas, que deixaram empresários, investidores e até mesmo a imprensa de cabelos em pé. Como, por exemplo, quando Andy se faz passar por um porta-voz de uma companhia química responsável por um acidente tóxico de grandes proporções na Índia, há 20 anos. Ao vivo, na BBC, declara para milhares de espectadores que a companhia vai fazer uma doação milionária para acudir as vítimas.

Um dos diretores do filme, Kurt Engfehr, é produtor de Michael Moore. Sendo assim, muita gente vai de cara compará-los. Porém, a dupla se diferencia justamente no tipo de abordagem que faz. Enquanto Moore procura brechas no sistema para deixar às claras as contradições, os Yes Men armam uma encenação para deixar claro o porquê das grandes corporações não tomarem as atitudes corretas, com medo das diretrizes do mesmo sistema e protegendo-se de uma redução nos lucros.

Um dos grandes atrativos do filme é a performance da dupla Andy e Mike, que são excelentes atores. Apesar de ser um documentário, The Yes Men fix the world tem inserções cômicas que transformam a narrativa em uma deliciosa comédia. Testar os limites do contraditório comportamento humano não é tarefa simples. Trabalha-se, inevitavelmente, com a imprevisibilidade – e é dela que surgem momentos de extremo sarcasmo e escárnio. É divertido ver gente que se acha esperta caindo em contradição ou comprando idéias estapafúrdias.

A última sessão de The Yes Men fix the world no Festival do Rio, infelizmente, já aconteceu. E pelos risos rasgados e gargalhadas descontroladas, o filme agradou bastante ao público. Quem quiser conhecer um pouco mais do trabalho dos Yes Men, pode acessar o site www.theyesmen.org.

* Eduardo Frota é autor do blog Cinéfilo, Eu? e foi credenciado pela M… para cobrir o Midnight Movies

Midnight Movies #3...

setembro 29, 2009
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vampiras-lesbicasMatadores de vampiras lésbicas

Por Eduardo Frota *

Dois amigos se reuniram para pensar no nome mais estapafúrdio, e ainda assim atraente, para um filme B. Após algum tempo discutindo, chegaram a um consenso. Somente depois começaram a escrever o roteiro de Matadores de vampiras lésbicas, que rapidamente ganhou notoriedade no underground europeu – e talvez o título mais absurdo da mostra Midnight Movies.

O interessante, porém, é que a produção tem lá um certo capricho que a impede de ser classificada simplesmente como um trash movie, apesar do argumento beber na fonte de clássicos do sexploitation. Vampirismo e lesbianismo são dois assuntos que sempre chamaram a atenção do público masculino nas telas de cinema. Impossível não citar, por exemplo, o clássico Vampiros lesbos, do diretor espanhol Jesus Franco. Lançado em 1971, o filme conta a história de uma advogada que tem sonhos eróticos com uma misteriosa mulher, que mais tarde descobre ser uma vampira lésbica.

Aliás, Franco era um mestre dos títulos bizarros e atraentes: Macumba sexual, Orgasmo perverso e Sexo canibal são algumas das obras que constam no currículo do controverso realizador. Todas contêm forte dose de erotismo e violência, com roteiros de baixo orçamento que misturam os mitos femininos com os fetiches masculinos.

Por ser uma produção inglesa, Matadores de vampiras lésbicas tem diferenças acentuadas em relação aos filmes baratos que se aventuraram pelo gênero. Em primeiro lugar, a edição e a fotografia são bastante caprichadas. A primeira sequência, que dá conta da maldição vampiresca, ambientada séculos atrás, é impecável. Outra diferença gritante são as belas e desinibidas moçoilas que desfilam sensualmente pela película. Ao invés das turbinadas e siliconadas estadunidenses, somos agraciados por britânicas com manequins na medida certa.

Entretanto, quem for conferir Matadores de vampiras lésbicas esperando cenas picantes pode quebrar a cara. Tem beijinhos e peitinhos entre meninas, mas nada que se caracterize como atentado ao pudor. Quem estiver atrás de sustos também pode se decepcionar. Mas quem for fã do refinado humor britânico e quiser realmente dar boas gargalhadas, inclusive com um desfecho absurdamente debochado, vai simplesmente adorar o filme!

Matadores de vampiras lésbicas é exibido no Midnight Movies, do Festival do Rio, nos dias 1/10, às 17h, no Espaço de Cinema 2; 1/10, às 23h30, no Espaço de Cinema 2; 3/10, às 16h30, no Roxy 3; 3/10, às 21:30, no Roxy 3; 5/10, às 16hh30, no Cinemark Downtown 1; 5/10, às 21h30, no Cinemark Downtown 1.

* Eduardo Frota é autor do blog Cinéfilo, Eu? e foi credenciado pela M… para cobrir o Midnight Movies. 

Midnight Movies #2...

setembro 28, 2009
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Hair India

Por Eduardo Frota *

Como o próprio título sugere, Hair India é um documentário sobre cabelo. Mais ainda, é um filme sobre o que as madeixas representam para pessoas de diferentes partes do mundo, de crenças e condições sociais completamente distintas. Com uma câmera-testemunha, os diretores procuram entender o que se passa na cabeça daqueles que sustentam o bizarro mercado de apliques capilares, produzidos a partir de cabelo humano descartado em cerimônias religiosas. O argumento funciona como uma espécie de denúncia. O espectador observa como uma lógica de mercado perversa consegue transformar a fé de uma cultura milenar em um lucrativo negócio.  (mais…)

Midnight Movies #1...

setembro 26, 2009
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O clone volta para casa

Por Eduardo Frota *

Volta e meia nos deparamos com aquelas notícias bizarras que dão conta de um cientista louco, nos confins do planeta, tentando clonar um ser humano. Imaginamos homens de jaleco branco em salas com máquinas piscantes e seres humanos condicionados em redomas de vidro, cheios de eletrodos conectados ao corpo – um ótimo ensejo para um filme pipocão, daqueles cheios de efeitos especiais e estrelado por um grande ator de cachê milionário. O clone volta para casa, ficção-científica japonesa cuja produção executiva é assinada pelo cineasta alemão Wim Wenders, é um dos bons exemplos de como isolar os exageros e deixar o espectador desnorteado com questões éticas.

O próprio Wenders já cumpria o papel de instigar a plateia dirigindo filmes cheios de sequências contemplativas, mas com argumentos angustiantes. É assim em Paris, Texas, no qual um homem em farrapos remonta o seu passado trágico, e Asas do desejo, em que um anjo abre mão da vida celestial em nome do amor terreno. O clone volta para casa também trata da angústia sem apelar aos lugares comuns da ficção-científica, sem exageros. Nada de móveis futuristas, naves interplanetárias, seres de outro planeta ou aventuras intergalácticas. O que o diretor japonês Kanji Nakajima faz é casar duas correntes cinematográficas e criar um híbrido: um filme de ficção-científica na velocidade contemplativa do melhor cinema nipônico. Talvez por isso Wenders tenha assinado a produção executiva. (mais…)

Crítica de M…:”Jo...

setembro 25, 2009
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suvacaoMerece um unfollow

Por Eduardo Frota *

Ashton Kutcher tem fama, carisma e milhares de seguidores no Twitter. Talvez isso seja o suficiente para fazer com que Jogando com prazer faça algum dinheiro nas bilheterias. Porém, o filme deixa claro que o astro precisa escolher melhor os seus personagens se não quiser uma avalanche de unfollows.

O maior problema nem está no fraco rendimento de Kutcher. O roteiro é o grande vilão: fraco, monótono e mal desenvolvido. Conta a história de Nikki, um jovem sedutor que usa o seu charme como meio de sustento, caçando solteironas ricaças dispostas a lhe dar guarida. Até o dia em que conhece uma misteriosa garçonete e passa a questionar o seu estilo de vida.

A primeira metade do filme se concentra em constantes e picantes cenas de sexo, ainda que durem apenas três segundos. Peitos e bundas são mostrados em posições que simulam o coito, mas sem assumir um tom erótico de fato. A segunda parte quebra completamente a concepção de drama erótico e assume uma história de desilusão amorosa das mais previsíveis. Toda a adrenalina e a tensão sexual propostas no início do filme dão lugar a uma série de desencontros, transformando o filme em um enfadonho conto vespertino – com direito a lição de vida.

O que vale a pena mesmo é  a bizarra e insólita cena dos créditos finais. Por isso, quem tiver paciência para aguentar os mais de 90 minutos de projeção vai conferir uma cena bem diferente, impregnada com a ousadia que ficou de fora do filme.

Coco-tação: 3 bostinhas (máximo de 5 bostinhas, para os piores)

* Eduardo Frota, autor do Cinéfilo, Eu?, é nosso crítico de filmes merdas.

Movimento Twitterário #1...

setembro 23, 2009
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amortwitter

Amor em tempos de Twitter

por @silviolach

miguel_ Ela me disse: “eu te amo”

narrador Depois do beijo e do “eu te amo”, Clarice se vai.  Miguel não consegue dormir.

miguel_ Pra que ela foi me dizer aquele “eu te amo”? Eu a amava tanto. Eu não merecia uma coisa dessas.

narrador Miguel mora sozinho. Clarice, com duas amigas.

miguel_ Merda. Próximo passo, escova de dente dela no banheiro. Maldito “eu te amo”. Tô fora. Vou acabar.

narrador 7 da manhã. Toca a campainha. Pelo olho mágico, ele vê Clarice, cheia de malas.

miguel_ Merda. Sabia! A escova de dente trouxe o armário junto. Maldito “eu te amo”. Vou acabar e vai ser agora.

narrador Miguel abre a porta. Acompanhem o diálogo:

MIGUEL: Oi, amor! Entra!

CLARICE: Não dá. Tô com pressa! Vou ter que fazer um trabalho em São Paulo. Só passei pra te dar um beijo.

MIGUEL: Mas pra que tanta mala?

CLARICE: Não sei quanto tempo vou ficar por lá. Um mês ou mais… (mais…)

Falando grego – Crítica...

setembro 14, 2009
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grego

Presente de grego

Por Eduardo Frota *

Quando um novo filme de Nia Vardalos entra em cartaz, é certeza de uma comédia romântica cheia de lições tortas sobre o amor em meio aos contrastes contemporâneos das tradições gregas. Em Falando grego, literalmente, a atriz foi longe demais. Pegou um avião para a Grécia e obteve autorização do governo para filmar nas ruínas dos sítios arqueológicos. Por isso mesmo, o título da película em inglês é My life in ruins (“Minha vida em ruínas”, em bom português). E, mais uma vez, Nia Vardalos arruinou um filme.

A moça interpreta Georgia, uma professora de história que resolve tentar a vida na Grécia. Após um corte no orçamento da universidade em que dá aula, ela acaba ficando desempregada e vai trabalhar como guia em uma agência de turismo. Perde, então, o “kefi”: palavra grega equivalente à paixão, tesão etc. Desanimada, sofre com constantes reclamações sobre o desempenho, uma vez que seus passeios são comparados a uma aula de história sobre os antigos gregos – matéria na qual é especialista. Um dia, recebe um grupo de turistas estereotipados: os estadunidenses bobocas atrás de compras; as espanholas divorciadas atrás de sexo; os australianos bêbados atrás de álcool; e até uma velha cleptomaníaca. Para piorar, Nico, seu colega de trabalho, faz de tudo para que ela seja demitida.

O título em português, Falando grego, até que cai bem, uma vez que não dá para entender aonde se quer chegar com o argumento. Em um primeiro momento, Georgia precisa suportar as constantes piadas e deboches com suas programações históricas, em um sinal de desrespeito aos seus antepassados. Entretanto, passa a ter lições de vida com os conflitos e entra em perfeita sintonia com o grupo, ainda que precise abrir mão de seus ideais para se curvar diante de uma prática de turismo predatório, a qual critica asperamente durante o filme todo. A tal conscientização proposta no roteiro, portanto, perde legitimidade.

E cadê o romance? A vida amorosa de Georgia é apenas uma subtrama mal ajambrada. Seu pequeno flerte é mal desenvolvido e praticamente descosturado da trama, se encaixando no roteiro apenas para que haja um beijo lá no terço final da projeção, ainda que bem sem graça. O texto é realmente muito fraco. Os únicos momentos de humor, de gosto duvidoso, são os protagonizados pelo experiente Richard Dreyfuss, que praticamente apresenta um pout-pourri de piadas de salão. A outra subtrama, que mostra como Nico tenta sabotar Georgia, e como ela contra-ataca, também é bastante enfadonha. Tão chata, que não dá nem vontade de torcer para o vilão – muito menos pela mocinha!

Definitivamente, falta “kefi” aos filmes de Nia Vardalos.

Cocô-tação: 3 bostinhas (máximo de 5, para os piores)

* Eduardo Frota, do blog Cinéfilo, Eu?, é nosso crítico de M para filmes

Dado na fazenda...

agosto 27, 2009
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dolabella O rei do gado

Por André Tartarini *

Dado Dolabella venceu a primeira edição do reality show A fazenda, e ganhou um milhão de reais. Chorou ajoelhado, me parece. E declarou que vai investir o milhão inteiro em música para que as pessoas fiquem mais felizes.

Nunca ouvi uma música sequer do Dado Dolabella, mas não pode ser boa. Não há a menor possibilidade. Além de ser um sujeito tido em baixíssima cota aqui no Rio de Janeiro.

Xico Sá, em 25 de agosto, no Twitter: “uma emenda na frase clássica do Pelé: o brasileiro não sabe votar nem em reality show.”

Dado Dollabela é ator e… cantor. Aliás, esse foi um dos temas das provocações feitas a ele pelo João Gordo, no episódio em que os dois brigaram em um programa da MTV, naquela que foi uma das muitas confusões em que nosso novo milionário se envolveu.

Teve o episódio da Velha Guarda da Portela, em que ele chegou a ser expulso da ala pelos seguranças da escola. Teve a história da Luana Piovani, e sei que não falei nada de música que embase a afirmação de que a música do Dado Dolabella não é boa. Mas eu reafirmo: é impossível que seja boa.

Resta pelo menos um consolo: quando Dado afirma que vai investir seu milhão de reais em música para deixar as pessoas mais felizes, certamente, o investimento não será na música dele.

Menos mal.

* André Tartarini é escritor, autor do livro de contos  Mormaço também queima.

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