A seção Críticos de M está entrando em uma nova fase. Vamos priorizar os filmes merdas. Dificilmente os leitores verão aqui a crítica de um filme unanimemente muito bom. Mas se você quer saber se aquele longa que tem um cheirinho de merda é realmente uma bomba, passe aqui pra conferir. Estamos até aumentando o número de colaboradores para trabalhar como Crítico de M aqui. Os textos entrarão na seção no dia ou logo após sua estréia.
Vamos publicar agora a crítica de Entre lençóis, que era para entrar na sexta-feira passada, mas adiamos por causa da nossa entrevista no Programa do Jô. A resenha é de Ulisses Mattos, um dos editores desta M… aqui (e que escrevia sobre cinema no Jornal do Brasil). Amanhã e no fim de semana, publicaremos mais dois textos, um sobre um filme merda que estréia na sexta e outro sobre nudez na Retomada. Fique agora com a crítica de M da performance dos corpos de Reynaldo Gianecchini e Paola Oliveira:
Entre lençóis demais
Entre lençóis não deve ser mesmo um filme feito para explorar corpos nus, a sensualidade, o sexo fácil. Mas não porque tem um (fiapo de) roteiro, que é até acusado de plágio do filme Na cama, do chileno Matias Bize. É porque o longa estrelado por Reynaldo Gianecchini e Paola Oliveira simplesmente não vai tão bem entre lençóis. Falta erotismo e nudez.
Ah, isso não é importante para o filme? O objetivo era contar uma história sobre paixão? Me engana que eu gosto. Se fosse assim, não iriam escalar para o elenco dois atores marcados por sua beleza. Poderiam colocar Pedro Cardoso e Preta Gil, por exemplo. Pedro (que é contra a nudez das pessoas) e Preta (de quem as pessoas são contra a nudez) têm talento de sobra pra entregar as falas dos personagens do filme. Na verdade, os personagens não seriam um desafio nem para atores recém-chegados a Malhação. Por isso, o motivo maior de Entre lençóis, enfim, parece realmente ser mostrar bundas e peitinhos. E é aí que falha.
Falha, primeiro, ao ter algum pudor em mostrar os corpos. Em alguns momentos, dá para sentir que Paola toma muito cuidado em se cobrir com os lençóis, ou faz movimentos meio calculados, para não se exibir demais. Às vezes, a falta de nudez parece vir da cabeça do próprio diretor, o colombiano Gustavo Nieto Roa, com tomadas estratégicas, de modo a não mostrar o tempo todo seios e bundas – ou até pêlos pubianos, que foram barrados em cena. Falta naturalidade em alguma posições em que os personagens estão relaxadamente conversando, ou mesmo se pegando.
Outro problema foi o de elenco. Gianecchini é bonitão, um cara grande, que chama a atenção de todos em um ambiente. E consegue, em cena, despertar a loucura das mulheres, com muita sexualidade. Já Paola tem um rosto lindo. O corpo também é interessantíssimo. Uma belezinha. É pra casar, mesmo. Mas não exala sexo. Essa diferença entre os dois fica clara na hora em que os personagens fazem strip-tease um para o outro. Ela começa. E faz algo que mostra como é bela, como é uma gracinha. Depois vem o Giannecchini e faz seu showzinho, dançando com ar sedutor, dominador, quase mostrando a genitália, que cobre só com um pedacinho de pano com as mãos. Bem safadão mesmo. Nessa hora, deu para ver que para “rivalizar” com Giannecchini, que parece ser um cara mais “sexual” (mais bem vivido e versátil no tema), talvez fosse melhor escalar uma atriz mais “cachorra”, que não desperte só o sentimento de “com essa eu casava”, mas a paudurescência instantânea, como faziam as atrizes do cinema nacional dos anos 80.
Entre lençóis fica assim, pelo meio do caminho. Não é um filme para reflexões (como finge ser), nem é um longa para satisfazer voyeuristas à procura de nudez constante, e nem é uma produção para excitar as platéias sensualistas. Não vale o ingresso. Talvez, só a meia-entrada (sem trocadilho).
COCÔ-TAÇÃO: 3 bostinha (máximo de 5 bostinhas, para os piores)
(Ulisses Mattos – @ulissesmattos)
AH! Também quero fazer crítica M de filmes M!
Adorei a crítica, quero criticar assim quando crescer.
Vi o trailer deste filme… parece horrível… fraquíssimo. Os atores sao muito ruins
soh bonitos. Filme assim nao vinga…
Maysa
Não assisti ao filme ainda, mas confesso que o trailer não chamou minha atenção. É curioso, porque a velha história “saí da boate, fui para o motel e tive uma noite de afinidade absurda com o outro” é muito comum – por essa razão, o filme teria potencial para atrair muita gente. Só que, pelo visto, a produção não conseguiu transmitir a intensidade que um momento desses tem. Nesse caso, é melhor vivenciar o roteirinho por si mesmo, assim o prazer é garantido.
Beijos estratégicos…
Muito boa a crítica…é interessante como o cinema brasileiro mostra a “m…” que é o país…salvando as exceções logicamente…vlw”