
Para onde vai Sacha Baron Cohen?
Por Leonardo Wella *
Vem sendo unanimidade: quem já viu Brüno acha inferior a Borat. O repórter do Cazaquistão já entrou nos anais das célebres comédias da história do cinema. Já a bichona austríaca gastou todo o KY em suas aventuras em busca de fama e acabou de fora.
A anal-logia (com trocadilho) entre os dois personagens de Sacha Baron Cohen faz certo sentido. Na verdade, se alguém gastou alguma coisa foi Borat, que usou e abusou de sua ingenuidade para explorar as hipocrisias da sociedade americana. Um resultado mais perturbador do que propriamente engraçado. Um Louix Theroux mais esporrento. Não dá para esperar o mesmo de Brüno. As situações não são novas e a agressividade do personagem tira um pouco do jogo de cintura mostrado em Borat.
Uma das coisas mais interessantes em Borat é a dúvida sobre as cenas serem fakes ou não (só a da Pamela Anderson era assumidamente falsa). Cohen contou que quase foi morto numa cidade homofóbica quando se atracou (sexualmente) com seu assistente em uma luta de vale-tudo. O público se revolta, mas o fato de apenas uma cadeira ser o maior objeto atirado na arena não dá a impressão de ter havido esse perigo todo. Em outro momento, uma entrevista com um suposto terrorista também não convence muito. Brüno parece ser mais fake que Borat.
Ainda assim, vale ir ao cinema ou baixar o filme para tirar conclusões próprias. Brüno deve ter sido o primeiro filme a sofrer os efeitos do Twitter. No dia da estreia, choveu comentários negativos, o que pode ter ajudado a diminuir o público no dia seguinte. O problema é que os filmes de Sacha Baron Cohen não são para qualquer um. Achou grotesca aquela cena de Borat, onde ele e seu amigo gordo aparecem pelados? Pois Brüno começa com cenas homo-escatológicas, meio bobinhas, mas que chocarão gente que acha Todo mundo em pânico a coisa mais subversiva do cinema. Negros, homofóbicos e judeus estão entre os mais achincalhados. Se os últimos se sentiram judiados (com trocadilho) em Borat, quando foram comparados a baratas, é melhor ir comer um leitão assado em vez de ver o novo filme.
Com seus três principais personagens eternizados em película – o rapper Ali G foi o primeiro –, resta saber qual será a próxima cartada de Cohen. O humor politicamente incorreto aguarda ansioso.
Leonardo Wella é jornalista, tem seu próprio bloguinho e faz bicos como Homem-Spam para a revista M…