Depois de mandar o flagrante que fez de um minibloco de merda no carnaval, o colaborador Leonardo Vela, também chamado de Wella ou Homem-Spam da M…, nos mandou o texto que lhe encomendamos sobre as merdas que estão rolando nos blocos cariocas, uma modalidade de folia que só faz crescer na cidade.
O correspondente de M… destrincha os problemas e chega a sugerir soluções, sob sua ótica um tanto peculiar:
Carnatrash
Fim do carnaval, converso no MSN com uma amiga que sumiu durante a farra momesca.
Wella: ficou no rio? não te vi em nenhum bloco…
Amiga do Wella: fiquei, mas não aguento mais os blocos daqui. ano que vem tenho q viajar de qq maneira no carnaval.
Wella: vc ta exagerando. ainda dá pra se divertir bastante no rio. mas o futuro não é mto promissor…
É verdade. Os blocos cariocas perigam ficar uma merda em poucos anos. Em 2009, muitos deles decepcionaram os foliões. Para o negócio não azedar de vez, aqui vão alguns problemas detectados e suas respectivas soluções, para manter o carnaval de rua do Rio pulsando.
Superlotação – Já nem considero pular nos blocos mais badalados, que arrastam multidões, como o Bola Preta, Suvaco de Cristo, Simpatia é Quase Amor e Monobloco, entre outros. A decepção deste ano foi o Céu na Terra, que não cabe mais em Santa Teresa. Virou “Inferno na Terra”.
Solução para os megablocos: nenhuma. Que eles permaneçam lotados para que outros continuem tranqüilos. Solução para o Céu na Terra: alargar as ruas de Santa Teresa. Derrubar os sobrados que servem como ateliês de artes plásticas e oficinas de teatro alternativo ajudaria bastante.
Sigilo sobre horário de desfile - Para evitar a lotação, alguns blocos não divulgam a hora certa em que vão sair. Isso acontece geralmente nos que saem pela manhã. Só que este ano até o estreante Exalta Rei, que saiu à tarde, recorreu ao sistema. Resultado: muitos foliões chegaram ao local com o bloco já terminado. Lamentável…
Solução: Vingar-se do Exalta Rei. Como o bloco passa em frente ao prédio do Roberto Carlos, que saudou os foliões da sacada, em 2010 a dica é ir vestido de marrom, de perna de pau e com a faixa “Rei, libera a biografia!”.
Fantasias medíocres – Não faltaram fantasias criativas e inspiradas em notícias recentes – como a da bancada do Jornal nacional (acima), Michael Phelps maconheiro, brasileira “violentada” na Suíça e turista assaltado. Tudo bem que ninguém é obrigado a se fantasiar. Às vezes a grana tá curta e não há nem o baú da avó para ajudar. Mas daí a achar que um colar havaiano atravessado no peito bombado e depilado ou um arco de canudos coloridos na cabeça é fantasia… é dose!
Solução: Nenhuma. Não há como exigir criatividade dessa gente.
Playboyzada – Além de se “fantasiar” de cordão havaiano, esse distinto grupo da sociedade geralmente representa uma ameaça à paz em blocos outrora considerados tranqüilos. Seus integrantes são desprovidos de maneiras civilizadas de abordar as moças. A discrição para mijar dos playboys é mínima, assim como o seu vocabulário. São capazes de, por exemplo, botar um funk nas alturas ao lado de um singelo bloco infantil.
Solução: Concentrar os blocos de playboys na Barra da Tijuca ou mandá-los para a Bahia.
Sujeira – Os banheiros químicos instalados pela Prefeitura não foram suficientes. E ainda tinha nego mijando entre as cabines. A única movimentação de limpeza nessa carnaval veio dos catadores de latinhas. Quem mora em rua onde passou algum bloco se sentiu dentro de um banheiro de pé-sujo do Piauí.
Solução: Torcer para São Pedro mandar uma chuva de verão no fim de cada bloco.
Segurança – O aperto dos blocos era um prato cheio para punguistas. A polícia só aparecia para desobstruir alguma rua e aproveitava para brincar de carnaval baiano, mandando spray de pimenta na galera.
Solução: Ir para os blocos com menos roupa possível (de preferência, as mulheres, alvo preferido dos meliantes).
Motoristas de ônibus – O carnaval deve ser a pior parte do ano para estes pobres coitados. Todo mundo se divertindo e eles ralando, levando a maior cabeçada, encarando engarrafamento e o calor. Por isso, se já guiam mal normalmente, os “pilotos” capricham na grosseria ao volante na época momesca.
Solução: Quando o ônibus der a partida, começar a cantar: “rema, rema, rema, remador / vou botar no cu do trocador / se o trocador for vigarista / vou botar no cu do motorista”.
Vendedores de cerveja – Um mal necessário. Afinal, quem vai matar a sede dos foliões? O problema é a maneira como eles se locomovem nos blocos, arrastando seus isopores, atravancando ou passando à força por entre as pessoas. Vi um sujeito ser atropelado por um deles e cair de bunda dentro do isopor.
Solução: Criar uma auto-escola para ambulantes e botar a Guarda Municipal para multá-los. Cada infração cometida, a galera em volta é abastecida com um lote de cerveja.
A falta de cerveja – Incrível, mas aconteceu no estreante bloco da Orquestra Voadora, no gramado do MAM. Poucos vendedores apareceram, com quantidade insuficiente e material quente. Se faltou líqüido, sobrou maresia. Afinal, o belíssimo local, cheio de árvores e palmeiras, fica em frente à baía da Guanabara… Clima de Woodstock. Mas, que fique claro, só rolou o fumacê porque a banda tocou Purple haze, do Hendrix…
Solução: A implantação de uma rede de comunicações entre os vendedores de cerveja.
Barangas – O carnaval é a grande chance de as mulheres feias saírem por aí distribuindo amor. Se uma diabinha feiosa tentar te levar para o inferno, faça o sinal da cruz com os dedos e comece a gritar: “vade retro, Satanás!!! Eu sou crente!!! Eu sou da Igreja Universal!!!”. Dá certo.
Solução: Não existe mulher feia. Foi você quem não bebeu demais. Mas se a assediadora é tão feia que nem a cachaça resolve, o jeito é ir ao Bloco dos Cegos, no Instituto Benjamim Constant.