quinta-feira, 29 de janeiro de 2009

Black is beautiful

Nosso colaborador de carteirinha Odisseu Kapyn, ex-colunista do lendário Cocadaboa, faz uma reflexão sobre o oba-oba racial em cima de Obama, com o texto “Menos, cara Beyoncé. Menos”.

Odisseu diz que a cantora e outros artistas estão exagerando ao querer estabelecer uma política de cotas para interpretar ícones já estabelecidos:

Menos, cara Beyoncé. Menos.

A eleição de Barack Obama foi realmente um marco. Ninguém duvida disso. Além do alívio da saída de um presidente chamado de incompetente pelos analistas políticos e de bobão e cara-de-melão pelas crianças politizadas, foi eleito para presidente do planeta Terra (ou dos Estados Unidos da América, como diz o cargo oficial) nada menos que um negro. Ou um afro-descendente, se preferirem (tudo bem, eu também prefiro ser chamado de euro-descendente). Não interessa tanto se a habilidade de Obama vai conseguir consertar o estrago de oito anos de governo Bush. Só o fato de os americanos terem deixado de lado preconceitos e escolhido como líder um homem vindo da minoria racial de seu país já valeu a pena. E pra mostrar que o mundo não está tão perdido assim, Obama também era o preferido pela maioria de quase todos os países.

Chegou o momento de um presidente americano negro na vida real. No cinema, o afro-americano Morgan Freeman já tinha representado um presidente no filme-catástrofe Impacto profundo, sobre um asteróide que destruiria o planeta, o que podia ter a seguinte subleitura: “Quando um negro chegar à presidência dos EUA, estaremos perto do fim do mundo”. Mas Obama chegou como sinal de esperança, não de fim dos tempos. E todos concordavam: Já estava mesmo na hora de um presidente negro.

Mas depois veio a cantora e atriz Beyoncé dizendo que quer fazer o papel de Mulher Maravilha no cinema. Diz que o mundo está pronta para uma Mulher Maravilha negra. Hummm… Ficaria gostosa, sim… mas tem certeza?

Montagem encontrada na internet, sem o devido crédito 

Depois, Daniel Craig, que atualmente está de posse do papel de James Bond no cinema, também disse que agora o mundo está pronto para um 007 negro. Será? Não sei. Sinceramente, não sei.

Montagem usada no site do interessante blog Solta o Frango James Bond

Assim vira modinha, estraga as conquistas, distorce ícones culturais. Não tem a ver. É como se a população caucasiana viesse dizer que o mundo já está pronto para um Michael Jackson branco. Ops. Mau exemplo. Tentarei de novo: é como se dissessem que o mundo precisa de um Luke Cage branco, um Shaft branco, um Blade – Caçador de Vampiros branco.

Acho besteira mesmo. Daqui a pouco vamos começar a dizer que agora o mundo está pronto para um Super-Homem negro (desnecessário, pois já temos o Obama), um Zorro negro, um urso polar negro. Quando é que vão se tocar que a gente precisa agora é de uma classe média mais negra, de uma classe alta mais afro-descendente?

(Odisseu Kapyn)

Postado por Nós da M... às 2:36 pm Comente | Permalink