O fotógrafo e artista plástico Beto Roma, grande fã de filmes de terror, aceitou fazer mais uma crítica de M para nós. Enviamos o sujeito para a sessão de imprensa de Evocando espíritos.
Como o filme consta nesta seção aqui da M… Online, não adianta fazer surpresa sobre a opinião de Beto. Vejam o porquê se sua desaprovação em um texto recheado de referências a cineastas de terror que conquistaram os entusiastas no gênero:
Evocando espíritos… ou melhor, invocando com espíritos
Filme típico de possessão, ambientado em uma casa bizarra, no meio de árvores grotescas, com grandes angulares anguladas. Conseguiu entender? Nem eu! Alguém se lembra de Terror em Amityville? Poltergeist?
A história: mãe preocupada com filho doente resolve, em 5 minutos, alugar e se mudar pra uma casa que já foi funerária e centro espírita ao mesmo tempo. Corretor filho da puta até tenta avisar que algo estranho acontece por ali, mas mesmo assim sucumbe ao capitalismo selvagem do outro mundo e ainda ajuda na mudança. Depois disso, são vultos, visões e um maldito quarto no porão, que o rapaz com câncer resolve chamar de seu.
Até aí, o queijo suíço que é o roteiro está leve, porque ninguém consegue abrir a porta do “quarto maldito”. O problema é quando o moleque, graças a um tratamento especial contra a doença, começa a ter visões dos espíritos que ali habitam e conhece, durante uma sessão de quimioterapia, um rabino que sabe tudo de fantasmas. Que sorte danada, hein?
Não é de hoje que filmes de terror são releituras, adaptações e colagens de clichês. Porém, esconder tudo isso atrás do famoso “baseado em fatos reais” é lamentável. Me faz lembrar as antigas chamadas dos filmes que passavam no SBT, com aquele selo no canto da tela: “baseado em fatos reais” ou “inédito na TV”.
O final é preguiçoso. Novamente, explicado em 5 minutos. O diretor optou por fazer um filme esteticamente bonito, com uma fotografia legal, mas esqueceu-se do roteiro. O desfecho é nada surpreendente e muito piegas. O mais engraçado, no entanto, é ver que ninguém morou na casa mal-assombrada entre os fatos que se desenrolaram no passado até a mudança da família Campbell. Furos, furos e mais furos. Decepção para quem viu o excelente documentário sobre filmes de terror The american nightmare, dirigido por Adam Simon, justamente o roteirista dessa bomba.
Igual a Evocando espíritos já vi mais de 5 mil! Cadê os pupilos de Wes Craven (Pesadelo na Rua Elm e Pânico 1), Sean Cunningham (Sexta-feira 13, original) e da nova geração de Rob Zombie? O terror, graças ao Capiroto, está de volta à moda hollywoodiana, mas está faltando criatividade.
Mesmo assim, nem tudo está perdido. O filme também tem suas coisas bacanas, como a coroa boazuda Virginia Madsen e o excelente Martin Donavan (que aparece pouco, mas é de longe o melhor em cena) vivendo o casal Campbell. Há também um canastra das antigas, digno de nota: Elias Koteas, que além de contracenar no sensacional Anjos rebeldes com ninguém menos que o rei Christopher Walken e a própria Virginia Madsen, estrelou Tartarugas ninjas.
Cocô-tação: 3 bostinhas (máximo de 5 bostinhas, para os piores)
(Beto Roma)





















