
ONipresente, ONisciente, ONipotente e ONline
Um curta para o YouTube
Por @OCriador
(Imagem de um lago. Corta para pássaro azul voando. Acompanha o pássaro, que pousa em um galho de uma árvore robusta, carregada de maçãs. Ouve-se uma voz de trovão ecoar)
O CRIADOR: Posso começar?
(Corta rapidamente para o céu. Azul, cheio de nuvens brancas)
O CRIADOR: Falar sobre a escrita, não é?
(Câmera, ainda focada no céu, balança para cima e para baixo, concordando com a voz. Algumas nuvens passam)
O CRIADOR: Definitivamente, é uma das invenções de que mais me orgulho. É a vida no papel, que dei aos humanos para usá-la com sabedoria…
(Ouve-se um trovão. O céu escurece e uma tempestade começa instantaneamente)
O CRIADOR: … mas maldita hora em que institucionalizei o livre arbítrio:
“aMAh a DeuxXx SObri TOdaxXx AxXx CoIsAx” NÃO É, NEM NUNCA SERÁ, UM MANDAMENTO.
(A nuvem escura passa. A tempestade cessa e uma leve brisa traz uma garoa. Algumas folhas voam com o vento)
O CRIADOR: Vocês se afastaram muitos dos textos bíblicos, filho, e usam “a vontade de Deus” apenas quando não tem mais em colocar a culpa. Deverias estudar a Bíblia, pois o Juízo Final será como um grande vestibular. Por isso, Eu sou totalmente favorável ao ensino religioso nas escolas. Precisar de nota é a forma mais fácil de fazer um aluno rezar.
Para que tua geração, que não lê a Bíblia, entenda: vamos supor que Jesus houvesse chegado à Terra na década de 60 e sua morte e ressurreição ocorressem nos anos 90. Tudo seria bem diferente. Além de vocês usarem minicadeiras-elétricas penduradas no pescoço, em homenagem ao Messias, hoje quem escreveria a Bíblia seriam blogueiros, os dez mandamentos seriam tweets e o dízimo seria pago por Paypal.
Continuemos a observar como as coisas seriam com as tecnologias que tu tens…
(Corta para um ancião de barba branca, visivelmente cansado e com as vestes sujas. Equilibrando-se com um cajado, chega ao cume da montanha, olha para um gadget. Levanta o aparelho e comemora, gritando à multidão, que o aguarda embaixo)
ANCIÃO: JÁ TÔ COM SINAL!
(Pessoas comentam simultaneamente)
JUDEU 1: O que ele disse?
JUDEU 2: O que foi?
JUDEU 3: O que foi que ele falou?
JUDEU 4: Ele disse que já ta no Sinai! Deve ter batizado esse monte!
(Câmera fixa o logo do gadget nas mãos do ancião. Está escrito “iGod”. Na tela do aparelho, aparecem 10 novas mensagem recebidas.)
(Corta para uma igreja simples, vazia, com poucos bancos de madeira desgastados. Câmera aproxima-se da imagem de Jesus, crucificado. Volta a voz de trovão)
O CRIADOR: Nessa época, eu já usava computação em nuvem. Aqui no Céu dá para baixar espírito via torrent. Não é por acaso, também, que os mandamentos enviados a Moisés são tão objetivos. Vocês não conseguem cumpri-los mesmo eles indo direto ao ponto… Tás vendo este aí na cruz?
(Ilumina-se a imagem de Jesus)
O CRIADOR: Ele morreu pelo pecado de vocês! Se Eu me alongasse além dos 140 caracteres, ele teria que descer à Terra uma vez por mês. Devo advertir-lhes que os dez mandamentos não são múltipla escolha, nem vocês passarão por média se cumprir 5 de 10…
(A câmera abre o foco)
O CRIADOR: NEM PENSE ISTO!
(Apagam-se as velas do altar)
O CRIADOR: Eu nunca infringi nenhum dos Meus mandamentos, apesar de José ainda não ter entendido que Eu ter fecundado Maria é a chamada lacuna da lei da ordem de não cobiçar a mulher o do próximo…
(Corta para uma idosa que espera sua vez para comprar uma Bíblia na fila do caixa da livraria. Volume de luxo, capa de couro fechada com um grande zíper dourado. Voz de trovão continua seu discurso.)
O CRIADOR: Tá vendo aí, né? Eu sou totalmente contra essa tal de obrigatoriedade de diploma. Esta é a publicação impressa mais vendida do mundo e foi toda escrita com a contratação de freelancers não-jornalistas.
E minha assessoria de imprensa é tão boa que fez todo mundo acreditar em uma cobra falante… E viralizou uma festa só com um pão, um vinho e doze convidados, que gera esse buzz por mais de dois mil anos. Como sei que tu nunca leste o livro, vou adiantar a ti um spoiler: o mocinho morre no final.
(Câmera viaja pela livraria, indo parar na seção de livros de autoajuda. Dentre eles, diversos com Buda na capa. Voz de trovão continua)
O CRIADOR: Como um homem de 200kg quer ensinar a vocês sobre autocontrole, não é? Como tu sabes, atualmente a concorrência é bastante grande. Para não perdermos o mercado para fakes como @Buda @Maome e @Krishna, temos que investir na divulgação em massa: testemunhas de Jeová batendo na porta de suas casas, por exemplo, são os meus spammers.
O maior problema que Minha Palavra encontra é a interpretação: alguns que se dizem Meus representantes tentam monetizar a evangelização e confundem “cobrar o dízimo do salário dos fiéis” com “dizimar o salário dos fiéis”.
Para vocês se lembrarem de Mim, Eu, no cargo de CEO do CÉU, pedi à equipe de Marketing do Paraíso um viralzinho sobre o apocalipse: eis a gripe suína.
Sim, filho. Sei que os evolucionistas reclamam que este é apenas um livro escrito por homens. E A Origem das Espécies, o que é?
(Corta para uma praia, à noite. A lua cheia preenche o céu. O mar está calmo. Algumas ondas molham a areia branca. Segue a voz de trovão.)
O CRIADOR: Tás vendo isto tudo, filho? Criei porque não tinha o que responder para a pergunta “What are you doing?”. Era para ser tudo tão simples… o problema é que Moisés não entendeu a objetividade das Direct Messages e começou a se alongar demais nos cinco primeiros livros da Bíblia, e deu no que deu: hoje reclamam da falta de coerência. A única falta de coerência que existe no Meu Livro Sagrado é ser uma autobiografia escrita por freelancers. O resto, entenda como milagre!
(A câmera lentamente vai se afastando do cenário da praia, cruza uma avenida movimentada e segue para uma multidão na entrada de um bar, que digita em seus celulares enquanto aguardam na fila. Repentinamente, a câmera fixa novamente o céu)
INTERLOCUTOR: Meu Deus! E Jesus, quando regressará para nos salvar?
O CRIADOR: Vocês, pecadores, sempre esperam que sua própria salvação venha por meio de outro. Vocês são os únicos que podem se salvar.
Para Jesus regressar, já está tudo preparado, amado filho. O problema está sendo encontrarmos uma virgem…
(Um raio fulmina o bar)
FIM

The Yes Men fix the world
Por Eduardo Frota *
É difícil tentar rotular o trabalho dos Yes Men. Trata-se de um grupo de ativistas que, ao mesmo tempo, é também um coletivo de artistas. Preocupados com questões sociais e ambientais, usam todo o talento para pregar peças contra as grandes corporações. Fazendo-se passar por assessores e porta-vozes, dão declarações falsas que colocam a ética do mercado em cheque. Por isso, não medem esforços para surpreender o mundo com intervenções que ora debocham, ora chocam, ora ridicularizam.
Em The Yes Men fix the world, segundo longa do grupo, a farsa já começa nos créditos. A dupla de protagonistas impostores, que atendem pelo nome de Andy Bichlbaum e Mike Bonanno, na verdade é formada por Jacques Servin e Igor Vamos. O filme conta com um punhado de pegadinhas hilárias e muito bem boladas, que deixaram empresários, investidores e até mesmo a imprensa de cabelos em pé. Como, por exemplo, quando Andy se faz passar por um porta-voz de uma companhia química responsável por um acidente tóxico de grandes proporções na Índia, há 20 anos. Ao vivo, na BBC, declara para milhares de espectadores que a companhia vai fazer uma doação milionária para acudir as vítimas.
Um dos diretores do filme, Kurt Engfehr, é produtor de Michael Moore. Sendo assim, muita gente vai de cara compará-los. Porém, a dupla se diferencia justamente no tipo de abordagem que faz. Enquanto Moore procura brechas no sistema para deixar às claras as contradições, os Yes Men armam uma encenação para deixar claro o porquê das grandes corporações não tomarem as atitudes corretas, com medo das diretrizes do mesmo sistema e protegendo-se de uma redução nos lucros.
Um dos grandes atrativos do filme é a performance da dupla Andy e Mike, que são excelentes atores. Apesar de ser um documentário, The Yes Men fix the world tem inserções cômicas que transformam a narrativa em uma deliciosa comédia. Testar os limites do contraditório comportamento humano não é tarefa simples. Trabalha-se, inevitavelmente, com a imprevisibilidade – e é dela que surgem momentos de extremo sarcasmo e escárnio. É divertido ver gente que se acha esperta caindo em contradição ou comprando idéias estapafúrdias.
A última sessão de The Yes Men fix the world no Festival do Rio, infelizmente, já aconteceu. E pelos risos rasgados e gargalhadas descontroladas, o filme agradou bastante ao público. Quem quiser conhecer um pouco mais do trabalho dos Yes Men, pode acessar o site www.theyesmen.org.
* Eduardo Frota é autor do blog Cinéfilo, Eu? e foi credenciado pela M… para cobrir o Midnight Movies

Matadores de vampiras lésbicas
Por Eduardo Frota *
Dois amigos se reuniram para pensar no nome mais estapafúrdio, e ainda assim atraente, para um filme B. Após algum tempo discutindo, chegaram a um consenso. Somente depois começaram a escrever o roteiro de Matadores de vampiras lésbicas, que rapidamente ganhou notoriedade no underground europeu – e talvez o título mais absurdo da mostra Midnight Movies.
O interessante, porém, é que a produção tem lá um certo capricho que a impede de ser classificada simplesmente como um trash movie, apesar do argumento beber na fonte de clássicos do sexploitation. Vampirismo e lesbianismo são dois assuntos que sempre chamaram a atenção do público masculino nas telas de cinema. Impossível não citar, por exemplo, o clássico Vampiros lesbos, do diretor espanhol Jesus Franco. Lançado em 1971, o filme conta a história de uma advogada que tem sonhos eróticos com uma misteriosa mulher, que mais tarde descobre ser uma vampira lésbica.
Aliás, Franco era um mestre dos títulos bizarros e atraentes: Macumba sexual, Orgasmo perverso e Sexo canibal são algumas das obras que constam no currículo do controverso realizador. Todas contêm forte dose de erotismo e violência, com roteiros de baixo orçamento que misturam os mitos femininos com os fetiches masculinos.
Por ser uma produção inglesa, Matadores de vampiras lésbicas tem diferenças acentuadas em relação aos filmes baratos que se aventuraram pelo gênero. Em primeiro lugar, a edição e a fotografia são bastante caprichadas. A primeira sequência, que dá conta da maldição vampiresca, ambientada séculos atrás, é impecável. Outra diferença gritante são as belas e desinibidas moçoilas que desfilam sensualmente pela película. Ao invés das turbinadas e siliconadas estadunidenses, somos agraciados por britânicas com manequins na medida certa.
Entretanto, quem for conferir Matadores de vampiras lésbicas esperando cenas picantes pode quebrar a cara. Tem beijinhos e peitinhos entre meninas, mas nada que se caracterize como atentado ao pudor. Quem estiver atrás de sustos também pode se decepcionar. Mas quem for fã do refinado humor britânico e quiser realmente dar boas gargalhadas, inclusive com um desfecho absurdamente debochado, vai simplesmente adorar o filme!
Matadores de vampiras lésbicas é exibido no Midnight Movies, do Festival do Rio, nos dias 1/10, às 17h, no Espaço de Cinema 2; 1/10, às 23h30, no Espaço de Cinema 2; 3/10, às 16h30, no Roxy 3; 3/10, às 21:30, no Roxy 3; 5/10, às 16hh30, no Cinemark Downtown 1; 5/10, às 21h30, no Cinemark Downtown 1.
* Eduardo Frota é autor do blog Cinéfilo, Eu? e foi credenciado pela M… para cobrir o Midnight Movies.


Hair India
Por Eduardo Frota *
Como o próprio título sugere, Hair India é um documentário sobre cabelo. Mais ainda, é um filme sobre o que as madeixas representam para pessoas de diferentes partes do mundo, de crenças e condições sociais completamente distintas. Com uma câmera-testemunha, os diretores procuram entender o que se passa na cabeça daqueles que sustentam o bizarro mercado de apliques capilares, produzidos a partir de cabelo humano descartado em cerimônias religiosas. O argumento funciona como uma espécie de denúncia. O espectador observa como uma lógica de mercado perversa consegue transformar a fé de uma cultura milenar em um lucrativo negócio. (mais…)


O clone volta para casa
Por Eduardo Frota *
Volta e meia nos deparamos com aquelas notícias bizarras que dão conta de um cientista louco, nos confins do planeta, tentando clonar um ser humano. Imaginamos homens de jaleco branco em salas com máquinas piscantes e seres humanos condicionados em redomas de vidro, cheios de eletrodos conectados ao corpo – um ótimo ensejo para um filme pipocão, daqueles cheios de efeitos especiais e estrelado por um grande ator de cachê milionário. O clone volta para casa, ficção-científica japonesa cuja produção executiva é assinada pelo cineasta alemão Wim Wenders, é um dos bons exemplos de como isolar os exageros e deixar o espectador desnorteado com questões éticas.
O próprio Wenders já cumpria o papel de instigar a plateia dirigindo filmes cheios de sequências contemplativas, mas com argumentos angustiantes. É assim em Paris, Texas, no qual um homem em farrapos remonta o seu passado trágico, e Asas do desejo, em que um anjo abre mão da vida celestial em nome do amor terreno. O clone volta para casa também trata da angústia sem apelar aos lugares comuns da ficção-científica, sem exageros. Nada de móveis futuristas, naves interplanetárias, seres de outro planeta ou aventuras intergalácticas. O que o diretor japonês Kanji Nakajima faz é casar duas correntes cinematográficas e criar um híbrido: um filme de ficção-científica na velocidade contemplativa do melhor cinema nipônico. Talvez por isso Wenders tenha assinado a produção executiva. (mais…)
Atenção, cinéfilos do Rio. Nesta edição do Festival do Rio, faremos uma cobertura da mostra Midnight Movies. Nossos críticos irão ao máximo de sessões da programação para falar de alguns dos filmes mais interessantes do evento (sim, nós da M… achamos que os filmes da Midnight costumam ser os mais interessantes, sim).
Fiquem atentos aqui na M… Online para acompanhar nossos relatos sobre as produções.
THE END

Merece um unfollow
Por Eduardo Frota *
Ashton Kutcher tem fama, carisma e milhares de seguidores no Twitter. Talvez isso seja o suficiente para fazer com que Jogando com prazer faça algum dinheiro nas bilheterias. Porém, o filme deixa claro que o astro precisa escolher melhor os seus personagens se não quiser uma avalanche de unfollows.
O maior problema nem está no fraco rendimento de Kutcher. O roteiro é o grande vilão: fraco, monótono e mal desenvolvido. Conta a história de Nikki, um jovem sedutor que usa o seu charme como meio de sustento, caçando solteironas ricaças dispostas a lhe dar guarida. Até o dia em que conhece uma misteriosa garçonete e passa a questionar o seu estilo de vida.
A primeira metade do filme se concentra em constantes e picantes cenas de sexo, ainda que durem apenas três segundos. Peitos e bundas são mostrados em posições que simulam o coito, mas sem assumir um tom erótico de fato. A segunda parte quebra completamente a concepção de drama erótico e assume uma história de desilusão amorosa das mais previsíveis. Toda a adrenalina e a tensão sexual propostas no início do filme dão lugar a uma série de desencontros, transformando o filme em um enfadonho conto vespertino – com direito a lição de vida.
O que vale a pena mesmo é a bizarra e insólita cena dos créditos finais. Por isso, quem tiver paciência para aguentar os mais de 90 minutos de projeção vai conferir uma cena bem diferente, impregnada com a ousadia que ficou de fora do filme.
Coco-tação: 3 bostinhas (máximo de 5 bostinhas, para os piores)
* Eduardo Frota, autor do Cinéfilo, Eu?, é nosso crítico de filmes merdas.
Hipocondríaco
Por Silvio Lach
Não tem nada pior do que ser hipocondríaco num país que não tem remédio. Eu tomo um remédio para controlar a pressão. Cada dia que eu vou comprar o dito cujo, o preço aumenta. Controlar a pressão é mole. Quero ver é controlar o preção.Tô sofrendo de preção alta.
O médico mandou cortar o sal. Comecei cortando o médico, já que a consulta era salgada demais.
Controlei também a alimentação. Como a única coisa que tenho comido, depois do Fome Zero, é minha patroa, não tem perigo: Ela é a coisinha mais sem sal deste lado do mundo…
Para piorar, acho que tô ficando meio esquizofrênico. Sério! Não sei mais o que é Real. Principalmente quando abro a carteira ou pego extrato no banco. Não tem mais um real.
Sem falar na minha esclerose precoce. Comecei a esquecer as coisas: Sabe aquele carro? Esquece! Aquela viagem? Esquece! Tudo o que o barbudo prometeu? Esquece! Podem dizer que sou hipocondríaco, mas acho que tô igual ao meu time: nas últimas.
Bem, carioca é assim mesmo, já nem liga mais para bala perdida. Entra por um ouvido e sai pelo outro.

Partiu mais uma viagem @na_kombi. Esta semana, o tema é DOENÇAS/SAÚDE. Os passageiros fixos Ulisses Mattos, Silvio Lach e Leo Cardoso contam com três convidados. Confira o prontuário:
Sandro Fortunato (http://twitter.com/sandrofortunato) > Jornalista, criador do premiado Memória Viva e dono do blog Sempre Algo a Dizer. (SF)
Adriano Matos (http://twitter.com/amatos30) > Publicitário, redator da agência DM9DDB. (AM)
Chico Xavier (http://twitter.com/chico_Xavier) > Médium falecido e incorporado pelo Twitter, porta-voz de quem já partiu. (CX)
Leo Cardoso (http://twitter.com/prosopopeio) > É criador do @OCriador, que dá plantão no site SAC Divino e escreveu o primeiro livro interativo da blogosfera brasileira no site Sedentário & Hiperativo. (LC)
Silvio Lach (http://twitter.com/silviolach): Publicitário e editor da revista M… e da M… Online. Ex-colunista de humor no Pasquim 21 e no Jornal do Brasil, no Twitter Silvio está fazendo uma espécie de microblog de humor. (SL)
Ulisses Mattos, o Odisseu Kapyn (http://twitter.com/ulissesmattos): Editor da revista M… e da M… Online. Foi colunista do Jornal do Brasil e do site Cocadaboa.com e tem como hobby fazer apresentações de stand-up comedy. (UM)
Quem tá no Twitter, basta acompanhar @na_kombi. Quem ainda resiste e está fora, pode acessar a página http://twitter.com/Na_Kombi. Saúde.

Amor em tempos de Twitter
por @silviolach
miguel_ Ela me disse: “eu te amo”
narrador Depois do beijo e do “eu te amo”, Clarice se vai. Miguel não consegue dormir.
miguel_ Pra que ela foi me dizer aquele “eu te amo”? Eu a amava tanto. Eu não merecia uma coisa dessas.
narrador Miguel mora sozinho. Clarice, com duas amigas.
miguel_ Merda. Próximo passo, escova de dente dela no banheiro. Maldito “eu te amo”. Tô fora. Vou acabar.
narrador 7 da manhã. Toca a campainha. Pelo olho mágico, ele vê Clarice, cheia de malas.
miguel_ Merda. Sabia! A escova de dente trouxe o armário junto. Maldito “eu te amo”. Vou acabar e vai ser agora.
narrador Miguel abre a porta. Acompanhem o diálogo:
MIGUEL: Oi, amor! Entra!
CLARICE: Não dá. Tô com pressa! Vou ter que fazer um trabalho em São Paulo. Só passei pra te dar um beijo.
MIGUEL: Mas pra que tanta mala?
CLARICE: Não sei quanto tempo vou ficar por lá. Um mês ou mais… (mais…)