Supermito
Por Odisseu Kapyn
Em 2500 A.C., ou seja, há cerca de 4500 anos, havia povos que acreditavam em seres meio esquisitos, sendo que muitos deles eram até cultuados como deuses. Uns eram uma mistura de lobo com gente, outros tinham cabeça de touro e corpo de marombeiro, alguns tinham cabelos com cobras e transformavam todos em pedra e daí por diante. Eles acreditavam também que algumas criaturas eram as responsáveis pelos trovões, pela caça, pelo fogo, pela beleza etc.
Tá certo que hoje em dia, o pessoal de hoje acredita em santos, pastores exorcistas, duendes, gnomos e feng-shui. Mas ainda dá para a gente se sentir superior intelectualmente àquelas civilizações que levavam fé em Medusa, Zeus, Hermes, Loki, Ciclope, Apolo, Ísis, Fausto, Minotauro, Macário, Anúbis, Palas Atenas, Afrodite, etc. Mas não dá pra saber se daqui a 5 mil anos, os habitantes da Terra vão nos achar muito diferentes daquela galera que tinha medo da ira de Odin, Zeus, Rá ou Júpiter. Não sabemos em que condições nossos restos culturais e literários vão chegar ao futuro.
Sabe-se lá se a crença dos antigos gregos, egípcios, romanos e nórdicos em divindades e semideuses era pra valer? Não podia ser apenas obra de ficção ou conversa pra fazer criança dormir? Não duvido que no ano de 7000 depois de Cristo, após algumas guerras e governos totalitaristas que apagarem alguns registros históricos – como no livro 1984, de George Orwell – , nossos descendentes possam pegar revistas em quadrinhos e fazer uma análise ridícula do povo que inventou os computadores:
“Nos séculos 20 e 21, o povo acreditava em seres míticos, com superpoderes. A fé do povo que criou os primeiros aparelhos eletro-eletrônicos comportava criaturas com força sobre-humana, garras de metais indestrutíveis, visão de raio-X, invulnerabilidade, intangibilidade, teletransporte, telepatia, supervelocidade, telecinésia, invisibilidade, pirotecnia, metamorfismo e rajadas óticas, entre outras capacidades físicas ou intelectuais que as colocavam acima dos sonhos da humanidade.
Havia grande culto a esses seres. O maior veículo para a disseminação da fé nessas criaturas eram pequenas bíblias publicadas periodicamente narrando os feitos e mudanças nas vidas dessas divindades. Eram uma espécie de revista feita em papel colorido, com diálogos escritos em balões, que supostamente davam o poder de fala às criaturas. Os crentes eram obrigados a pagar valores estipulados nas próprias capas da publicação, que eram coletados e enviados aos sacerdotes responsáveis por manufaturar os salmos.
Algumas divindades mais populares, com maior número de devotos, apareciam em produções animadas. Algumas em desenho, que eram apresentadas nos modelos rudimentares de comunicação, que eram chamados de televisão. Assim as doutrinas pregadas pelas criaturas chegavam diretamente ao lares do público. Outros desses seres chegavam ao requinte de terem obras exibidas em grandes telas de projeção em duas dimensões, em templos que recebiam centenas de fiéis que lotavam o estabelecimento, onde entravam em uma espécie de catarse, gritando, gargalhando e até chorando com o que era mostrado. Para gravar as imagens em película ou em sistemas eletromagnéticos e digitais, eram usados médiuns que incorporavam as divindades. Há registros de pessoas que não suportaram o peso de “receber os santos”, como diziam na época, e foram punidos por ganharem fama e dinheiro com sua missão de representar as divindades. Um deles foi o médium Christopher Reeves, que ficou paraplégico ao cair de um animal quadrúpede que existia na época.
Reeves era conhecido por encarnar um dos deuses mais poderosos da época, o Super-Humano, que teria sido trazido dos céus para viver escondido entre os humanos. O Super-Humano tinha superforça, voava, não era perfurado por projéteis metálicos, conseguia ver através de objetos sólidos e tinha supervelocidade. Seus fiéis acreditavam que ele era capaz de fazer o tempo voltar ao voar em sentindo contrário da rotação da Terra. Como outras divindades, o Super-Humano sofria com dramas pessoais. Ele sofria por amar uma humana, que era jornalista _ profissional que divulgava fatos ao público, antes do advento da popularização da rede mundial de computadores, que acabou com o monopólio da notícias pelas empresas de comunicação. Ainda no início do século 21, o Super-Humano era chamado de Super-Homem, mas seu nome foi mudado por pedidos da emergente classe homossexual, que considerava a antiga denominação homofóbica, opressiva e preconceituosa.
Outra das divindades populares na época era o Humano-Roedor-Voador, que apesar de não ter superpoderes era protegido por um deus-animal chamado morcego, espécie hematófoga hoje extinta. As mulheres, mesmo as mais céticas e desconfiadas, eram devotas da Fêmea-Maravilha, uma deusa que distribuía a verdade através de um laço mágico. Tanto a Fêmea-Maravilha quanto o Humano-Roedor-Voador e o Super-Humano eram de uma ordem religiosa conhecida como DC. Outra corrente de fiéis se autodenominava Marvel, muito embora houvesse um sincretismo religioso, com seguidores de ambos os templos louvando seres do outro movimento. Os marvelistas acreditavam em seres como o Aracnídeo-Humano, que tinha os poderes concedidos por uma aranha sagrada, e o Carcaju, um ser bestial com garras metálicas que era cultuado por humanos de baixa estatura e enfermos, que acreditavam em seu poder de cura.
Psicólogos e teólogos até hoje estudam como a civilização que nos deu a eletrônica, a informática, a ciência atômica, a indústria do entretenimento e o telemarketing era ingênua a ponto de acreditar na existência dessas criaturas. Os estudiosos também buscam incessantemente a causa da decadência da crença nos superseres, que sucumbiu diante da ascensão do culto às celebridades. Principalmente depois que os salmos de Caras, Quem e Contigo passaram a narrar os feitos da Sábia Xuxa; Sasha, a messias; Sandy, a Mãe-Virgem; Szafir, o santo inseminador, pai dos sete escolhidos; e outros vultos da religião do século 21″.
Publicado originalmente em outubro de 2002, no site Cocadaboa.com.
Os Problemas Sexuais dos Super-Heróis
Por Odisseu Kapyn
Por serem muito lidas por crianças e jovens que ainda estão se iniciando na vida sexual, as revistas em quadrinhos nunca foram muito fundo ao mostrar a vida íntima dos super-heróis. Mas é sabido que a maioria das pessoas tem algum problema nessa área. Pode ser ejaculação precoce, impotência, frigidez, membro diminuto, pouca lubrificação e até taras esquisitas envolvendo animais, anões e excrementos. Engana-se quem acha que os super-heróis nunca enfrentaram problemas sexuais. Pelo contrário. Eles têm superproblemas sexuais. Como não conseguem ter uma vida erótica satisfatória, procuram se realizar fora da cama, caçando e combatendo exaustivamente os vilões e ameaças da humanidade. Veja alguns casos de disfunções sexuais de nossos protetores:
Super-Homem – Pobre Kal-El. Único ser de sua poderosa raça. Super-homem é praticamente um homem virgem. Na adolescência, quando seus poderes ainda tinham menor intensidade, foi a um prostíbulo de uma cidade perto de Smallville. O jovem Clark Kent não conseguiu terminar o serviço, pois seu vigor deixou a prostituta em coma. Seus pais adotivos até tiveram que subornar a polícia para não prender o jovem alienígena, pois todos acharam que ele tinha estuprado a meretriz diante do estrago feito. Desde aquele dia, Super-Homem teve que se contentar com uma vida dedicada ao onanismo. Seu casamento com Lois Lane não envolve sexo. Super-Homem tenta satisfazê-la apenas direcionando seus quentes raios óticos no clitóris da esposa.
Wolverine – O poder de se recuperar instantaneamente de qualquer lesão física é ao mesmo tempo uma benção e uma maldição para o mutante canadense. Um corte em Wolverine cicatriza em questão de segundos. Por essa razão, Wolverine nunca conseguiu ver sua própria glande, que está sempre coberta por uma densa pele. Nenhuma cirurgia de fimose deu jeito, já que assim que o bisturi cortava o prepúcio, ele se auto-reconstituía. Wolverine tem ereção e consegue penetrar orifícios, mas não tem nenhum prazer. Por isso é tão nervoso.
Senhor Fantástico – Reed Richards, líder do Quarteto Fantástico tem um problema evidente com seu corpo elástico. Pode-se perceber que quando seu braço estica, fica sem consistência. O mesmo ocorre com seu pênis, que quando aumenta quando excitado, perde toda a rigidez. Pode-se dizer que o Dr. Richards é fantasticamente impotente. O mesmo mal assola o Homem Elástico, aquele do suspeito colant vermelho.
Batman - Este sombrio herói é obcecado por morcegos. Adora se vestir como morcego, morar como morcego (em caverna) e agir como morcego. O problema é que os morcegos são grandes sugadores. E é assim que o perturbado bem-feitor procura prazer: apenas sugando ou lambendo. Adepto apenas do sexo oral, Batman dispensa penetrações. No começo de suas relações, suas namoradas até ficam felizes com a habilidade oral de Batman, mas logo se aborrecem quando percebem que o sujeito é incapaz de consumar o ato e entrar em cavernas mais apertadas. Ele até consegue sacar alguns brinquedinhos de seu bat-cinto, mas falta calor humano no sexo com o herói. Daí os boatos sobre seu caso com Robin.
Mulher Maravilha – A princesa Diana, antes de vir para o mundo conhecido pela humanidade, vivia numa ilha habitada apenas por mulheres. E é só lá que se sente feliz. Não precisa dizer que Mulher Maravilha é lésbica. Mas isso, como sabemos, não é um problema sexual. Sua dor-de-cabeça é outra. Diana realmente tem dificuldades em encontrar uma companhia estável por causa de seus fetiches. Ela adora amarrar suas parceiras com seu laço e esbofeteá-las como faz com os inimigos. Só que a Mulher Maravilha tem força sobre-humana, o que acaba com seus relacionamentos.
Hulk - As pessoas às vezes se perguntam por que quando o Dr. Banner se transforma em Hulk, todas suas roupas se rasgam, exceto pela parte de cima da calça. A resposta é óbvia. Aquela região não aumenta de tamanho. Para que Hulk fique forte, seu metabolismo concentra toda a dilatação de músculos e circulação de sangue para o tórax, braços e pernas. A virilha, por conseqüência fica atrofiada. O gigante verde é uma piada sem as calças.
Homem Aranha - Peter Parker tinha tudo para deixar as mulheres loucas. Com sua flexibilidade, poderia partir para as posições mais mirabolantes com elas. E com sua habilidade de escalar paredes, poderia até pular com a parceira para o espelho do teto do motel. Seria ótimo por um probleminha. O pênis do Homem Aranha também tem poder de aderência, que fica sem controle quando ele está excitado. No clímax do coito, o herói não consegue mais executar os movimentos de ida e volta, ficando com o membro grudado nas paredes vaginais da parceira. Nas poucas vezes em que conseguiu ejacular, suas companheiras também reclamaram que seu esperma é extremamente pegajoso e não é fácil de ser limpado.
Aquaman - Nosso amigo das profundezas cresceu sem contato com o sexo oposto. As únicas fêmeas que conhecia eram sereias, seres que só são mulheres da cintura para cima e que por isso não têm vagina. Aquaman nunca soube direito o que fazer com seu pênis. Sem conhecer o maior dos prazeres carnais que um homem pode ter, Aquaman acabou sendo atraído para o outro lado da vida. Mas em vez de buscar parceiros humanos (o machão Namor não ia querer papo com ele), pintou os cabelos de louro e passou a usar seu poder telepático para obrigar que enguias e serpentes marinhas lhe proporcionassem as formas mais ignóbeis de satisfação sexual. Grotesco.
The Flash – Nao precisa explicar muito. Ejaculação precoce.
Meninas Super-Poderosas – Seus problemas sexuais ainda não se manifestaram, já que a garotinhas ainda não tiveram sua sexualidade despertada. Mas todos os sexólogos aconselham as mulheres a conhecerem bem seu próprio corpo antes de partirem para o sexo, descobrindo suas zonas erógenas para mais tarde saberem o que pedir aos parceiros. Em outras palavras, a masturbação é importante para uma vida sexual saudável. Infelizmente, Docinho, Lindinha e Florzinha não têm dedos e jamais vão saber onde devem ser tocadas. A não ser que apelem para a prática do fist-fucking, o que deve ser doloroso no início da adolescência.
Texto originalmente publicado em novembro de 2001, no site Cocadaboa.com.

Mais uma viagem @na_Kombi. Desta vez, os editores Silvio Lach e Ulisses Mattos e o colaborador Léo Cardoso recebem no perfil coletivo do Twitter o convidado Felipe Kusnitzki, um dos criadores do blog Mico na Rede.
Segue a lista dos passageiros, com as siglas que podem ser usadas nas postagens:
Leo Cardoso (http://twitter.com/prosopopeio) > É criador do @OCriador, que dá plantão no site SAC Divino e escreveu o primeiro livro interativo da blogosfera brasileira no site Sedentário & Hiperativo. (LC)
Felipe Kusnitzki (http://twitter.com/felipekusnitzki) > Um dos criadores do blog Mico na Rede. (FK)
Ulisses Mattos, o Odisseu Kapyn (http://twitter.com/ulissesmattos): Editor da revista M… e da M… Online. Foi colunista do Jornal do Brasil e do site Cocadaboa.com e faz parte do grupo de stand-up comedy Ponto Cômicos. (UM)
Silvio Lach (http://twitter.com/silviolach): Publicitário e editor da revista M… e da M… Online. Ex-colunista de humor no Pasquim 21 e no Jornal do Brasil, no Twitter Silvio está fazendo uma espécie de microblog de humor. (SL)
Para quem ainda não está no Twitter, basta acompanhar as frases na página http://twitter.com/Na_Kombi.
Mais uma obra de arte para a galeria do “eosarneynada. Inspirado no filme Beleza americana, Leandro Kemp, do Lactobacilo Morto, envia seu novo trabalho:

Aproveitando o movimento, a leitora Angélica Dutra nos recomenda o vídeo abaixo, com uma legendagem-paródia do filme A queda – As últimas horas de Hitler, feita por Bení Muniz:
Começaram as colaborações para nosso movimento #eosarneynada:

O trabalho é do cartunista e ilustrador Leandro Kemp, que pode ser melhor apreciado no blog Lactobacilo Morto.
Colabore mandando também seu desenho ou montagem com o Sarney nadando na M…
Um dos editores desta M…, Silvio Lach, começou a fazer um comentário padrão no Twitter quando aparecia alguma notícias sobre pessoas morrendo, caindo ou indo em cana. Era algo como “Fulano morreu. E o Sarney, nada!”
A coisa acabou pegando entre o pessoal que acompanha o Silvio no Twitter, desembocando numa avalanche de mensagesn para ele, fazendo a mesma relação, com as mais variadas notícias. Alguns exemplos:
mtapioca: @silviolach Sarkozi também baixou no hospital. E o Sarney, nada.
kicoleblon: @silviolach Até o Kleber Leite saiu do Flamengo. E o Sarney, nada.
lfmarinho: @silviolach peça do carro do Rubinho sai, e o Sarney nada…
(veja mais frases no fim deste post)
De tanto ouvirmos vermos frase, vamos lançar o movimento “E o sarney nada!”. Aqui no site vamos publicar charges e montagens com a imagem de Sarney nadando, de preferência naquele conhecido material que dá o nome da nossa revista e do nosso site. Assim, ó:

O primeiro desenho é do ilustrador Jairo Miguel, que pode ter seu trabalho apreciado clicando aqui, no link pro seu site.
Mande também o seu, e a gente dá o crédito e põe link. Podemos fazer uma galeria interessante.
E para você que está no Twitter e não é chegado às artes gráficas, pode continuar falando das pessoas que se ferram enquanto… o Sarney nada. Fica mais fácil achar se rolar um #eosarneynada.
Fique com mais frases na onda do Sarney nada:
prosopopeio: @silviolach Phelps continua mais rápido que todos no mundial em Roma. E Sarney, nada…
Alan_88: .@silviolach Suzane Von Ritch. ta quase saindo da cadeia. E o Sarney, bom, o Sarney ta dificil de ir pra lá…
LuizAdolfo: @silviolach até o Romário é condenado por passar cheque sem fundo para técnico de som (Via GloboEsporte.com) E o Sarney, nada…
Alan_88: .@silviolach MP vai investigar o Danilo Gentili. E o Sarney, nada…
ulissesmattos: @silviolach morre o coreógrafo Merce Cunningham. E o Sarney não dança.
rogeriobauru: @silviolach Obina renasce das cinzas. Está fazendo escola com o Sarney. Por falar nele, Alencar se recupera. E o Sarney, nada.
lfmarinho: @silviolach Faz um mês que Michael Jackson morreu, e o Sarney nada.
Manfredo: Até Susan Boyle perdeu a virgindade. E o Sarney,nada. @silviolach
Alan_88: .@silviolach Meu salário acabou faz dias. E a ditadura do Sarney, nada…
Roberto_SP: @silviolach Selic cai mais rápido que o spread – http://migre.me/46bB – E o Sarney, nada.
Pablo_Peixoto: @silviolach Queda na venda de café faz Starbucks se render a vinho e cerveja http://tinyurl.com/lt7qqo Só o Sarney não cai
amatos30: @silviolach Cuca cai, e o Sarney…
marioeduardo: @silviolach deu noa chamada do Jornal da Globo: A taxa de desemprego caiu. O Sarney, nada

Garotos-propaganda
Por Odisseu Kapyn
Quem foi o gênio publicitário que escolheu a Xuxa para ser a garota-propaganda do novo Merthiolate? Tá certo que a Rainha dos Intelectos Baixinhos é famosa e tem um séquito de bajuladores que compram qualquer besteira que ela anunciar. Mas peraí! A moça acabou de declarar para todo mundo que acredita em duendes! Como é que eu posso crer que o novo Merthiolate funciona mais do que o antigo – que foi tirado de circulação por ser inócuo - se quem está me garantindo isso acredita em seres elementais?
Com a escalação de Xuxa, la se foram milhares de saudosistas que estavam dispostos a dar uma segunda chance ao popular remédio. Um erro crasso de estratégia, já que a geração que mais usava o Merthiolate não é a mesma que curte a Xuxa. A não ser que os marqueteiros tenham feito pesquisas que averiguaram que os antigos usuários já estavam mesmo perdidos e que o jeito era pegar uma nova parcela da população. De preferência de mente obtusa. Ninguém se encaixaria melhor nesse perfil do que um fã de Xuxa.
Só pode ser isso. Por trás de cada idiotice da propaganda deve haver um golpe inteligente demais para que seja percebido pelos não-publicitários. Todos aqueles profissionais tão criativos e descolados, que ganham fortunas para arrumar um jeito de fazer merda cheirar a perfume, não podem ser tão bestas. Outra campanha que deve ter algum truque escondido é a do Viagra. O garoto-propaganda escolhido pelos marqueteiros foi um ex-atleta que nega até a morte que tenha impotência. Para tentar evitar ser considerado broxa em escala mundial, Pelé até diz no finzinho do comercial “Fale com seu médico. Eu falaria”.
Por que não escolheram um cara menos orgulhoso de sua vitalidade, um homem já mais velho, que admitisse na boa que tinha voltado ao provar os prazeres do sexo graças ao Viagra? A grana que convenceu o milionário Rei do Futebol a topar posar como impotente enrustido daria para pagar um ator da terceira idade que quisesse manter a aura de símbolo sexual. Um Marlon Brando, por exemplo. Um Tarcísio Meira, talvez. Ou quem sabe o palhaço Carequinha. Mas preferiram dar a campanha pra alguém que não quer dizer que usa o Viagra.
Mas tem que haver algo muito inteligente por trás das escolhas dos garotos-propaganda. Algo realmente brilhante que justifique a decisão de manter a Feiticeira como representante daquele equipamento de malhação eletrificada, mesmo depois de tantos comentários sobre a “deformação” do corpo da modelo. Ou que explique por que escolheram galãs da Globo para anunciar a Kaiser, quando o maior público-alvo da cerveja são os homens que não se encantam pelos atributos dos atores. E por que a Coca-Cola escolheu Romário para sua campanha da Copa se as chances de ele ir ao evento eram reduzidíssimas? Por que o garoto-propaganda das botas ortopédicas Ortopé era um menino com problemas de crescimento, o Ferrugem? Por que a garota-propaganda da C&A é Gisele Bundchen, uma modelo de padrão internacional que jamais usaria uma roupinha comprada nessa loja. Por que o garoto-propaganda da Pepsi era Michael Jackson, um cara que fazia de tudo para se livrar da cor do refrigerante, além de ser cheio de frescuras para respirar, comer ou beber qualquer coisa?
“Eles são famosos e capazes de influenciar os consumidores” não é resposta. E também não aceito um “as campanhas deram certo, pois os produtores tiveram boas vendas”. Qualquer pessoa de qualquer nível de fama, desde um ex-participante de reality-show até um superastro da música, é capaz de exercer influência na população de mentes simples. Eu só queria saber por que escolhem justamente as celebridades que menos se relacionam com os produtos. Acho que vou ter que usar óculos de aros coloridos, roupas moderninhas, gravatas engraçadinhas e cursar um MBA para ver se compreendo.
Texto publicado em janeiro de 2003, no site Cocadaboa.com.

Vai começar mais uma viagem @na_Kombi, que agora está com novo formato. A partir desta semana, o veículo passa a ser dirigido por uma equipe fixa, composta pelos editores da M…, Silvio Lach e Ulisses Mattos (que sempre estiveram em todas as viagens da Kombi mesmo) e por Leo Cardoso, o criador do @OCriador, que também já é um veterano de Kombi. A cada semana teremos um convidado para viajar conosco.
Desta vez, com o tema MUNDO DA PROPAGANDA, o convidado é o blogueiro Gravataí Merengue, um cara sem papas na língua e chegado a uma boa polêmica.
Conheça mais sobre os passageiros desta kombi:
Gravataí Merengue (http://twitter.com/gravz) > Advogado e blogueiro, autor do blog homônimo do pseudônimo Gravataí Merengue e outras páginas, como o Imprensa Marrom. (GM)
Leo Cardoso (http://twitter.com/prosopopeio) > É criador do @OCriador, que dá plantão no site SAC Divino e escreveu o primeiro livro interativo da blogosfera brasileira no site Sedentário & Hiperativo. (LC)
Ulisses Mattos, o Odisseu Kapyn (http://twitter.com/ulissesmattos): Jornalista, editor da revista M… e da M… Online. Foi colunista do Jornal do Brasil e do site Cocadaboa.com. (UM)
Silvio Lach (http://twitter.com/silviolach): Publicitário e editor da revista M… e da M… Online. Ex-colunista de humor no Pasquim 21 e no Jornal do Brasil. (SL)
A Kombi já se fez sua propaganda e está partindo pra rua. Para internautas cadastrados no Twitter, é só seguir @Na_Kombi. Quem ainda tá fora, basta acompanhar pela página http://twitter.com/Na_Kombi.
MEGA-SENA ACUMULADA

É impressionante como a gente passa a se conhecer melhor em semana de Mega-Sena acumulada. Não sei se acontece com vocês, mas meu pensamento geralmente segue o mesmo roteiro de sempre:
Quarta, 10h. Fila da loteria esportiva:
- Nem sei por que eu vou jogar. Tanta gente precisando. Coitada daquela velhinha.
Aquele porteiro merece muito mais que eu…
Quarta, 10h15. Saindo da loteria:
- Para que 45 milhões? É muita grana. Só serve pra estragar a vida da gente.
Quarta, 10h30. Dirigindo o carro.
- Deus, se eu ganhar vou dar metade para instituições de caridade.
Quarta, 11h. Ainda no carro.
- 5 milhões pra minha mãe, 1 milhão para cada irmão…
Quarta, 12h. No restaurante:
- Mais 2 milhões pro pessoal do trabalho. Uma casa para minha empregada…
Quarta, depois do almoço:
- Porra, já to pobre de novo. Só sobraram 10 milhões e se eu não der uma grana pros amigos, ninguém mais vai falar comigo.
Quarta, 14h. Voltando pro batente:
- Pensando bem, ninguém precisa saber que eu ganhei. Vou continuar levando a minha vidinha, normalmente. É isso!
Quarta, 16h. No meio da reunião:
- Minha mulher vai acabar descobrindo. Vai pegar 50% e se mandar com um garotão pra Aruba. Desgraçada.
Quarta, 17h. Fumando um cigarro:
- Já sei. Vou pedir o divórcio e só pego o dinheiro depois.
Quarta, saindo do trabalho.
- Odeio esse trabalho, essas pessoas. Fica todo mundo de olho no meu cargo. Sabe do que mais? Não vou dar um tostão pra ninguém. Não vão me ver nunca mais.
Quarta, 18h. No trânsito:
- Esse país não tem jeito. Não aguento essas criancinhas no sinal. E essas ONGs? Até filho do Sarney tem ONG. Deus, vamos negociar aqueles 50% pra caridade. 15% está mais que justo.
Quarta, 18h30. Garagem do prédio:
- Minha mãe sempre gostou mais dos meus irmãos. Aliás, os três sempre me bateram porque eu era o caçulinha. Acham que eu esqueci, é? Vingança!!!
Quarta, 18h35. No elevador:
- Não acredito! Que dor no peito é essa? Infarte não!!! Tá bom, Deus. Prometido é prometido. Fica com os 50% e não se fala mais nisso.
Quarta, 18h37. Entrando em casa:
- Fodeu. Dessa eu não escapo. Eu quero a minha mãe, minha mulherzinha querida… cadê vocês?Alguém liga pro meu irmão que é médico…
Quarta, 20h. Depois do resultado do sorteio.
- Que susto! Eram só gases. E ainda bem que eu não ganhei a Mega-Sena.

Bar Heineken, Araraquara/SP
Por Márcio Eiras *
Fui recentemente à inauguração do bar Heineken, em Araraquara. O local era uma padaria falida e foi preparado para ser o novo “point” da cidade. Durante as semanas que antecederam a inauguração, cheguei a acreditar que seria realizado algum trabalho mágico naquele local pelas equipes de merchandising dos fornecedores. Cheguei a presenciar três pessoas trabalhando junto para colocar na parede um display em acrílico, de cigarros (da Souza Cruz). Começaram a reforma pela seqüência inversa que normalmente um grande lançamento exige e isso me causou dúvida sobre a seriedade dos trabalhos. (mais…)