terça-feira, 30 de setembro de 2008

Existem mulheres…

Estávamos guardando a crítica do filme Mulheres… sexo forte para quando estreasse no Rio de Janeiro. Mas aí nos tocamos que o longa já está passando em várias cidades do Brasil e que nosso site tem alcance nacional (a gente vive esquecendo disso). Então, vamos desovar aí a resenha de Ulisses Mattos sobre a produção, que o fez sofrer durante toda a exibição. Não que ele tenha ficado emocionado. É que a experiência foi torturante: “Mulheres… sexo forte é como um chute entre as pernas, um golpe que para os homens é ainda mais doloroso”.

 

Imagine um filme chamado Mulheres… sexo forte, protagonizado por belas atrizes. Há três chances de um longa assim ser muito interessante. A primeira é se fosse uma pornochanchada brasileira, com nomes como Helena Ramos, Matilde Mastrange, Aldine Muller, Nicole Puzzi e Kate Lira. Infelizmente, não é o caso. Trata-se de uma produção americana, atual.

Mas o elenco deste também merece admiração: Meg Ryan , Annette Bening, Eva Mendes, Jada Pinkett Smith e Debra Messing, entre outras. Então, vamos desejar que aconteça a tal segunda chance de o filme valer a pena. A produção pode ter um roteiro divertido, que foque o universo feminino de maneira inteligente, leve e com toques de malícia, como a série Sex and the city (que infelizmente não conseguiu ser assim quando foi parar no cinema). Errado de novo. Não é nada disso.

OK, então vamos torcer para o filme ser algo mais denso, sensível e poético, com uma profundeza capaz de tocar até os homens pegos de surpresa, exatamente como Coisas que você pode dizer só de olhar para ela, que também reuniu um elenco feminino invejável, com atrizes como Cameron Diaz, Glenn Close, Calista Flockheart e Holly Hunter. Que nada. Também não é isso. Lamentavelmente, estão esgotadas as três chances de o filme ser interessante.

É grosseiro dizer isso, mas Mulheres… sexo forte é como um chute entre as pernas, um golpe que para os homens é ainda mais doloroso. Nada contra o cotidiano das mulheres. O problema é… de que mulheres? As personagens são bobas, fúteis e inseguras, o que acaba contaminando todo o clima do filme. Imagine ouvir, por quase duas horas, mulheres vivendo draminhas como o que fazer sobre a traição do marido ou como administrar a carreira. A história é, na verdade, uma refilmagem de um longa de 1939. É claro que houve algumas adaptações, como o acréscimo de uma personagem lésbica, bem resolvida e aceita. Mas o nhen-nhen-nhen principal acaba parecendo tão antiquado quanto o longa original: como lidar com o adultério.

Incrivelmente, a personagem principal, toda moderninha, é orientada pela mãe a ignorar o assunto e viajar pra longe por um tempo, para que o marido fique saturado da gostosíssima amante. E a moça segue o conselho. Nem pregando essa receita machista o filme consegue ser agradável para o público masculino. E nem usando seu grande “truque”, sua “bossa”: durante todo o longa, nenhum homem é mostrado. Só aparecem mulheres, mesmo nas ruas.

Pois é. O filme é cheio de pistas erradas. Não caiam nessa, colegas que urinam de pé. Uma produção que traga um bom elenco de mulheres e que nunca mostre um homem sequer só é interessante se essas personagens forem as mulheres agradáveis que encontramos na nossa vida. Não aquelas que ficam atrás de produtos caros em lojas femininas, fazendo comentários superficiais sobre as outras, ou reclamando da barra pesada que encaram. E sim aquelas que bebem chope com a gente, que sabem ouvir ou contar piadas, que saem pra dançar, que nos acompanham nas reuniões nas casas de amigos, que trabalham no mesmo espaço que o nosso. Que se divertem na cama com a gente. Aí daria pra agüentar duas horas de filme tranqüilamente, pois com essas a gente leva uma vida toda.

Postado por Nós da M.. às 7:12 pm



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