Esta é uma seção para jogar merda no amplificador. Todo tipo de merda sonora como trotes, trechos de entrevista, podcasts e o shit parade, onde vamos apresentar 10 múscas dentro de uma lista temática. Para começar, convidamos o jornalista Silvio Essinger, autor do Almanaque Anos 90, que aproveitou o espírito do seu livro e listou 10 músicas da última década do século passado.
1) Isso para mim é perfume, Titãs. Bem antes de cantar sobre relicários, astrolábios e outras proparoxítonas bonitas, Nando Reis entoou esse clássico da escatologia no esquecido disco Tudo ao mesmo tempo agora (1991). “Amor, eu quero te ver cagar”, recitava o ex-titã, que na época era namorado de Marisa Monte.
2) Erguei as mãos, Padre Marcelo Rossi. Nos anos 60, Nelson Rodrigues denunciara o surgimento do padre de passeata. Nos 90, foi a vez de aparecer a figura do padre de gravadora, com a canção que levou muita gente à blasfêmia e ao ateísmo. Ah, só lembrando que no mesmo disco tem a Aeróbica do Senhor!
3) My heart will go on, Celine Dion. Inesquecível tema de Titanic, filme sobre o transatlântico que, ao contrário dessa música, afundou.
4) Selim, Raimundos. Uma pérola do cancioneiro boca-suja. “Eu queria ser o banquinho da bicicleta / Pra ficar bem no meio das pernas / E sentir o seu ânus suar”. Sobreviveu ao tempo e recentemente virou trilha sonora do passeio da Mulher Melancia pela ciclovia.
5) Macarena, Los Del Rio. Não só pela música em si, mas pela coreografia. Traz consigo algumas das piores lembranças dos anos 90.
6) A luz de Tieta, Caetano Veloso. Toda a poesia do axé numa só canção. “Êta, êta, êta, êta / É a lua, é o sol / É a luz de Tieta”. A mensagem aberta da letra deu margem até que um jornal colombiano acusasse a canção de fazer apologia ao grupo terrorista basco ETA. Sério!
7) Coisa de maluco, Fincabaute. Não, essa não era do Skank. Só para lembrar que a clonagem musical já produziu mutantes piores que os da novela da Record.
8) Ice ice baby, Vanilla Ice. Não bastava um cara branco, sem jeito, entrar numa de concorrer com negões do rap. Ele tinha que fazer sucesso! Ele tinha que estragar uma música do Queen! Mas pelo menos serviu para inspirar um dos melhores esquetes de Jim Carey.
9) Temporal, Art Popular.
“Você reclama do meu apogeu
Do meu apogeu
E todo o céu vai desabar
Ah ah ah ah ah ah ah!
Ai! Desabou…”
Recitada, a letra não tem metade da graça. Cantada, é um primor. Clássico do pagode romântico. Há muito tempo eu escuto esse papo furado dizendo que o samba acabou - mas o Art Popular não deixou!
10) I hate myself and I want to die, Nirvana. A merda aqui é que Kurt Cobain avisou que ia fazer aquilo e a rapeize achou engraçado. Pois bem, mais um ídolo morto para a galeria. E uma lembrança do baixo astral que era o grunge.




















