Todo mundo tem uma história de uma grande cagada pra contar. Por isso criamos esta seção aqui, pra qual você pode enviar relatos de alguma merda ocorrida no trabalho, na faculdade, em casa etc. Valem também cagadas literais, ou seja, casos de dores de barriga colossais que não acabaram bem. E nem precisa ter acontecido com você. Pode ser algo que você soube que rolou com outra pessoa.
Nosso convidado para estrear o Cagadas Homéricas é o jornalista Gustavo de Almeida, que dá plantão no blog Eclipse. Ele conta três historinhas de gente que se deu mal cagando fora de seu lar. Confira:
FAZER MERDA, UM GESTO ESSENCIALMENTE CASEIRO
Fazer merda, pelo jeito, é uma tremenda falta de educação, antes de qualquer coisa. A etiqueta social vigente é omissa quanto às questões fecais, uma vez que o sujeito apertado, com o urubu beliscando a cueca (expressão imortal do texto Um dia de merda, da Internet), não tem condições de perguntar, com a cara mais lavada desse mundo, “Onde é o toalete”. Até porque, se tirar o “A” da palavra, ele se borra. É fato indiscutível: cagar fora de casa é muito ruim, tão ruim que existe até comunidade no Orkut sobre o assunto. E mais do que cagar fora de casa, cagar em uma casa que não é a sua é motivo para querer eutanásia rápida e indolor.
Conheço três episódios de cagadas em casas alheias de veracidade duvidosa, mas que me foram contados por pessoas que juraram ser verdade. São histórias tão boas que o distinto leitor há de dizer “Epa, essa é de um amigo meu”, tal a quantidade de vezes que já devem ter ido contadas, às gargalhadas.
No episódio 1, contada pelo meu amigo Julio Castañeda, o sujeito está conhecendo os pais da namorada. É situação realmente difícil, e que anda cada vez mais rara, já que hoje em dia não se namora tempo suficiente para se chegar a tal. Conversa dali, conversa daqui, eis que surge o chamado da Natureza, implacável, de forma acachapante. Uma cólica intestinal violenta, quase um carrinho por trás, daqueles em que o juiz dá o vermelho sem o jogador ter amarelo e o Arnaldo ainda diz que a regra é clara. Não dá, pensa o infeliz.
É óbvio que tudo é muito diferente. Mijar é algo tão light que as pessoas brincam, sorriem, fazem gracinhas como “ihihihi, vou tirar a água do joelho”, ou comentam que o chope está muito diurético. Agora, não é fácil alguém se levantar da mesa e anunciar tranqüilamente que vai dar uma castigada na louça ou colocar os Jackson Five na hidromassagem. Sem processos por racismo, please. Estamos falando de uma situação grave.
Pois o nosso amigo do episódio 1 simplesmente se levantou dizendo que ia lavar as mãos. “Peguei na poltrona do ônibus, esqueci de lavar a mão”, deve ter dito. Os pais apontaram tranqüilamente…. o lavabo! Nosso amigo só descobre que a amiga privada (branca, limpinha, adorável, companheira) não existe naquele recinto depois que já tinha fechado a porta. Aí fodeu. Vai dizer o quê? “Olha, não quero lavar as mãos não, quero mandar um barrão”. Nem pensar. Sobe na pia, de mármore, apóia os pés onde dá e despeja o estoque de amendocrem na pia. Depois da primeira borrifada, ele ouve os passinhos da mãe e a frase, “Fulaninho, desculpa, esqueci, essa pia está sem água”.
Me contou o Julio Castañeda (um dos melhores jornalistas que já conheci e profundo conhecedor da Fórmula 1) que a solução do rapaz foi simples: sair correndo, aos berros, na direção da porta da rua, gritando “Eu estou maluco, eu estou maluco”.
Solução parecida teve o rapaz do episódio 2. Curtinho: numa festa, o intestino, feliz com tanta dança e diversidades, resolve que vai participar também. Inicia então as contrações que, se acontecessem em uma mulher, certamente fariam alguém gritar o célebre clichê cinematográfico: “Tragam água quente e toalhas! O bebê vai nascer”.
Pequena pausa: os bebês provavelmente não nasceriam se pudessem entender que água quente e toalhas é tudo o que os espera. Fecha a pausa.
Pois o parturiente corre para o banheiro e encontra lá a privada, boca aberta, acolhendo o alimento não aproveitado. Foi o material submergir para que o olhar contemplasse o recipiente de papel higiênico: vazio. A toalha foi usada, parece que caríssima. Era branca. Adquiriu cores marrons-amareladas. Não havia onde guardar, o rapaz tacou pelo basculante. O mesmo basculante que dava para uma parte da cozinha, onde os garçons que serviam acharam muito estranho aquela toalha fedendo a esgoto que caía da janela. Pano rápido. Ou melhor, pano não, toalha.
O episódio 3 também é curtinho e me foi contado por um policial civil. Encontro com uma delegada (história passada na década de 80), aqueles encontros difíceis de serem marcados por causa da barreira profissional, etc, mas enfim, etc à parte, o cara conseguiu. O chamado veio no elevador. E este policial civil, me contou a fonte, era um verdadeiro mestre na arte de distinguir, de saber a diferença entre cagadas adiáveis e cagadas inadiáveis. É uma linha tênue que pode virar marca de pneu de bicicleta. Ele sabia que aquela era inadiável.
No andar da delegada gostosona, a dúvida: daria tempo de voltar atrás, entrar no carro e procurar um banheiro? Não daria. Se apertou o máximo que pôde, até que, depois de uns cinco minutos que fariam o Dalai Lama se preparar para um número de levitação, o esfíncter deu uma ligeira paz. Nesta ligeira paz, ele cometeu o maior erro de sua vida: plim-blom, tocou a campainha.
Foi soltar o interruptor e o aríete pastoso novamente iniciar sua caminhada inexorável. A porta se abriu, a delegada sorriu, feliz, e o desgraçado não deu nem os dois beijinhos de praxe: “Onde é o banheiro?”, perguntou, desfazendo na hora o sorriso da “vítima”. “Ali à direita”, disse. O cara correu para o banheiro, fechou a porta abriu as calças e ainda na inclinação 100 graus, mandou ver.
A partir daquele dia, prometeu que jamais iria cagar novamente sem levantar a tampa da privada.
Gustavo de Almeida





















