M…arketing eleitoral

Se no horário eleitoral gratuito os candidatos de partidos grandes levam mais vantagem sobre os de partidos pequenos, por terem mais tempo na TV, algo diferente ocorre na internet. Na rede, os candidatos mais toscos são os que se dão bem, ganhando mais exposição. É o que explica Alexandre Paim, da M… Online, alertando para o possível surgimento de candidatos que são voluntariamente ridículos, com o intuito de ganharem mais atenção do eleitorado:

Involuntário Eleitoral Gratuito

É interessante como a tão rígida e implacável lei eleitoral, que tenta equalizar da maneira mais precisa possível o tempo de cada candidato no rádio e na televisão, não tenha se atentado para a internet e seu poderosíssimo potencial eleitoral. E mesmo que se atente, será impossível controlar.

Em tempos de web 2.0, César Maia virou blogueiro, candidatos a cargos legislativos te adicionam como amigo no Orkut e o Barack Obama abriu um Twitter. E se na televisão o candidato a vereador tem direito a apenas alguns segundos em que sequer são notados, o YouTube é capaz de torná-lo o novo hype do momento. 

A grande relação do YouTube com as eleições é funcionar como um “horário eleitoral gratuito alternativo”. Cada usuário pode montar seu próprio programa com os candidatos que realmente interessam aos eleitores: os toscos. Em meio a centenas de “Você me conhece ?” e “Lutarei por saúde, saneamento básico e educação” é feita uma coleta seletiva dos melhores em matéria de piores.

Os candidatos mais bizarros se viralizam pela rede tal qual as celebridades instantâneas da internet, como os Jeremias e “As árvores somos nozes” da vida. O efeito inverso também acontece: celebridades instantâneas da internet aproveitam os 15 bytes de fama para apostar na carreira política, como foi o caso da nutricionista Ruth Lemos, que se candidatou em 2006.

Você a conhece ? Não ?! Brasileiro tem memória curta mesmo…

Por fim, as celebridades bizarras que se candidatam, como Sérgio Mallandro, Gretchen e Sabbá Show, também não tardarão a ser disponibilizadas no YouTube, para a alegria dos eleitores de outros estados.

Como estamos na segunda eleição pós-YouTube, a ferramenta vem sendo usada também a serviço dos candidatos “sérios” que disponibilizam vídeos exclusivos para a internet, diferentemente de seus primos pobres, que vão parar na web graças à solidariedade de algum gaiato. Os vídeos produzidos para a web, em geral, são versões estendidas do discurso do candidato no horário eleitoral. Não é preciso dizer que os resultados são pífios mediante o sucesso dos candidatos engraçados.

Mas como tudo que um dia foi espontâneo na internet é logo pervertido por algum espertalhão - vide os posts pagos em blogs e os virais que escondem a propaganda de um produto num suposto vídeo divertido -, deixo um alerta: Cuidado com os candidatos toscos fakes ! Surgirão candidatos oriundos das classes média e alta simulando dentes careados e português rudimentar (assim como closed caption com propositais erros grosseiros de português). Não será nada absurdo ver monetaristas egressos da PUC fingirem ser o Zé da Quitanda. Não só porque eles possuem maior conhecimento do poder da internet, mas também simplesmente por saberem da existência da rede.

Não aceite! A tosquice emana do povo e a ele pertence. Não admitiremos bem-nascidos se fazendo passar por candidatos folclóricos, visando a um marketing eleitoral mais amplo. Boicote aos aproveitadores! Só aceite candidatos toscos com alto grau de pureza, como a figura abaixo. Nesse, eu confio: